Ep.25 – Fomos à SIC em direto, vamos contar-te como foi tudo na realidade!

Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Publicado Março 4, 2026
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Resumo do Episódio

Filipe: A primeira mensagem que recebi dizia apenas que havia um desafio para mim, para sair da minha zona de conforto. Já desconfiei logo do que era. A pessoa que me escreveu trabalha em televisão, as contas fizeram-se sozinhas. Fiquei com aquele bichinho no estômago, marquei uma chamada, e quando ela me confirmou que era para ir à SIC em directo, o meu primeiro pensamento foi não.

Não por falta de interesse no projecto. Não porque achasse que era má ideia. Foi puro reflexo: a cabeça a tentar proteger-me do desconforto antes de eu sequer ter pensado a sério no assunto.

Beatriz: Quando o Filipe me ligou a contar, a minha reação imediata foi dizer que sim. Mas se for honesta, se eu tivesse recebido esse convite sozinha, a primeira reação provavelmente teria sido procurar razões para não ir. O que me fez responder assim foi saber que íamos juntos. Isso muda tudo.

A cabeça vai sempre arranjar uma desculpa

Filipe: Passei dias à espera que alguém me desse um contra convincente. Liguei à minha irmã, foi logo a mandar hype. A Vanessa chegou a casa e disse “é claro que vais”, já a pensar na roupa. Liguei à Ana, que mora a quatro horas de Lisboa com cinco dias de antecedência e perguntou logo se ia no dia anterior ou no próprio dia. Liguei à Beatriz, que estava doente e mal de voz. Disse que sim na mesma.

Eu estava à espera de um contra. E a verdade é que não havia nenhum. A minha cabeça é que estava a fabricar saídas que não existiam.

Beatriz: É engraçado reconhecer isso porque é exactamente o que acontece com as mulheres quando querem mudar hábitos. A lógica diz que faz sentido avançar, mas a cabeça começa a inventar razões: não tenho tempo, não vou conseguir manter, e se falhar outra vez. Os contras raramente são reais. São a cabeça a tentar manter tudo igual.

Naquele dia percebi que também eu faço isso. E que a diferença entre avançar e não avançar, muitas vezes, é exactamente essa: conseguir ver que a sabotagem é sabotagem. É um padrão que também exploramos quando falamos dos sabotadores do emagrecimento.

Acompanhada é completamente diferente

Filipe: Há um ponto que falo muito com as mulheres do programa e que naquele dia ficou ainda mais claro para mim: fazer qualquer mudança sozinho é muito mais difícil. Não porque as outras pessoas façam o trabalho por nós, não fazem. Mas porque quando a nossa cabeça está a inventar desculpas, há alguém do lado de fora que consegue ver o que nós não estamos a conseguir ver.

Eu estava a tentar arranjar razão para não ir. Quem estava do meu lado disse logo que sim, sem hesitar. Precisei disso.

Beatriz: Para mim foi igual. Se tivesse sido só eu a receber aquele convite, o medo teria ganho com muita facilidade. Ir com o Filipe e com a Ana fez com que a equação fosse diferente. Já não era só o meu desconforto, era uma oportunidade que era dos três. E isso tornava muito mais difícil dizer não.

É o mesmo que vemos com as alunas do programa BMFIT. Quando estão sozinhas a tentar mudar, qualquer semana difícil é motivo para parar. Quando têm alguém – um acompanhamento, uma comunidade -, o dia difícil é um obstáculo, não um fim.

O que dissemos a nós mesmos antes de entrar em directo

Filipe: Nos dias antes, tentei não pensar demasiado. A cabeça, quando tem espaço, constrói cenários, e raramente são os bons. Aquilo a que chamo self-talk foi o que mais me ajudou: repetir para mim mesmo, várias vezes, “o projecto é teu, tu criaste-o, ninguém o conhece melhor do que tu, não vais falar de nada que não saibas.”

Parece simples. E é. Mas a alternativa é deixar a cabeça ir para o pior cenário: a voz a tremer, o engasgo, a frase que não sai, e aí estás a preparar-te para falhar, não para fazer. Quando só pensas no que pode correr mal, é como se nem pusesses a outra opção em cima da mesa.

Beatriz: Eu estava convicta de que o nervosismo se ia notar completamente. Quando vi a gravação depois, fiquei surpreendida, não transparecia tanto quanto eu sentia por dentro. O que estava na minha cabeça era muito mais intenso do que o que apareceu no ecrã.

Isso também acontece no processo de mudar hábitos. O esforço que sentimos por dentro parece enorme, quase impossível. E muitas vezes, quando olhamos para trás dali a uns meses, percebemos que foi mais suportável do que antecipávamos. A cabeça amplifica sempre.

A Filipa, os 30 quilos, e o que não se vê na balança

Filipe: Para o segmento da SIC, convidámos a Filipa, uma aluna do programa que perdeu 30 quilos. Mas o número não é o que me ficou. O que me ficou foi a diferença entre a pessoa da primeira chamada: em baixo, sem energia, fechada, e a pessoa que apareceu na televisão. Mais alegre, com mais vontade de fazer coisas, presente de uma forma que antes não estava.

Ela aceitou ir. Precisou de uma hora para digerir o pedido, foi fazer yoga, e voltou com uma resposta. A coragem que isso exigiu, aparecer em televisão nacional, mostrar vulnerabilidade, contar o processo a Portugal inteiro, é do mesmo tipo que é preciso para dar o primeiro passo em qualquer mudança real.

Beatriz: Quando ouvi o testemunho da Filipa ao vivo foi diferente de ler um feedback por escrito. Ela estava ali, em frente a nós, a dizer como a vida tinha mudado. E percebi que às vezes não conseguimos ter a noção real do impacto do trabalho que fazemos porque estamos sempre dentro dele.

O Filipe disse-lhe que tinha a certeza de que pelo menos uma pessoa do outro lado viu aquilo e pensou “então é possível.” Eu também acredito nisso. Às vezes é exactamente isso que falta: ver que alguém com uma vida parecida com a nossa conseguiu.

Mais vale fazer do que esperar estar pronta

Filipe: Quando saímos da SIC, sabia exactamente o que podia ter corrido melhor. O discurso aqui, a clareza ali, aquela parte que ficou curta demais. E ainda assim, a decisão de ir foi a certa. O arrependimento de não fazer é sempre maior do que o de fazer e não sair perfeito.

O programa BMFIT foi construído exactamente assim. Não começámos com tudo estruturado. Começámos, recolhemos feedback, melhorámos, recolhemos mais feedback, melhorámos outra vez. Se tivéssemos esperado pela versão perfeita, ainda estávamos a esboçar.

Beatriz: Quando fazes e corre menos bem, sabes o que melhorar. Quando não fazes, não tens nada, só o “e se”, que fica. Eu saí daquele estúdio com coisas para melhorar. E já estou pronta para a próxima.

É isso que tentamos passar às mulheres do programa. E naquele dia percebemos que passamos por isso também. Noutras áreas, com os mesmos medos, a mesma voz na cabeça a dizer para ficar onde está seguro. A diferença é que já sabemos reconhecer essa voz. E sabemos que do outro lado do desconforto há sempre qualquer coisa que não se consegue ter de outra forma.