Ep.69 –  “Nunca vais evoluir se continuares a dizer isto”

Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Maio 26, 2026
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Resumo do Episódio

A D. chegou ao fim de mais uma semana sem ter feito o full body. Outra vez. Sabia que era importante, mas foi deixando havia sempre algo mais urgente, ou cansaço a mais, ou já era tarde. Sexta à noite, aquela sensação de ter falhado.

Só que isto não tem a ver com preguiça. Tem a ver com a forma como o cérebro escolhe o que fazer.

No automático escolhes pela facilidade, não pela importância

Numa lista de tarefas, o cérebro trata primeiro das mais fáceis. As difíceis ficam para depois, e esse depois, muitas vezes, nunca chega. Aconteceu ao Filipe durante anos: dias inteiros ocupado com tarefas fáceis, e as que realmente mudavam alguma coisa ficavam sempre para o fim, por fazer. Quando percebeu o padrão, mudou a ordem: a tarefa mais difícil passou a ser a primeira do dia. O resto ficava mais leve só por isso.

É o mesmo mecanismo que faz muita gente adiar o início de tudo à espera do “momento certo”, e esse momento nunca chega.

No treino é igual

O full body era o mais exigente da semana da D., por isso ficava para o fim, quando já havia menos energia e mais cansaço acumulado. E é aí que a cabeça mais cede. É também por isso que aparece aquela vontade de comer qualquer coisa ao final do dia, quando já não sobra energia para resistir.

A solução foi simples: passou o full body para segunda-feira de manhã: a mesma lógica de começar a semana logo com o que mais custa. Não porque fosse mais fácil, mas porque ia ser sempre difícil, é melhor fazê-lo enquanto ainda havia reservas.

“Pensei: se não faço agora, arrasta-se até ao fim da semana outra vez.”

Fez. E a semana toda mudou, só por ter tirado aquilo da cabeça logo no início.

O peso de pensar num treino que ainda não fizeste

Há um custo que ninguém conta: passar a semana a pensar num treino adiado. “Lá vem o full body de sexta.” Esse diálogo interno gasta energia que podia ir para outro lado. Fazer o difícil logo no início tira-o da cabeça, e o resto da semana fica mais leve.

As desculpas que parecem sempre razoáveis

Quando o treino fica para o final do dia, aparecem pensamentos que soam legítimos: “se calhar não é boa ideia”, “tenho uma moinha no joelho”, “amanhã faço com mais energia”. Podem até ser válidos em teoria. Mas aparecem muito mais quando o cansaço já está instalado e quase nunca às 7h da manhã, com a roupa de treino já vestida.

Perceber que isto é um mecanismo automático, não um sinal de que o treino não devia acontecer, muda a forma de responder a esses pensamentos. A voz continua a aparecer. Mas passa a ser reconhecida pelo que é.

Férias e o hábito que não pode morrer

A D. tinha passado duas semanas de férias, rotina toda desfeita, e ainda assim manteve alguns treinos. Porque o objetivo nas férias não é intensidade, é manter o hábito. Quando paramos duas semanas, o corpo esquece a sensação de ir, e o primeiro treino de volta torna-se uma montanha só pela inércia instalada.

Dez minutos no quarto do hotel não servem para perder peso. Servem para dizer ao cérebro que não parou, o mesmo princípio que ajuda a encaixar treino e alimentação numa vida sem tempo nem rotina fixa. O que a D. percebeu: quando nunca sais completamente da rotina, o primeiro treino de volta não é um recomeço. É uma continuação.

O sono que fica sempre para depois

Os filhos adormecem, a casa fica em silêncio, e esse tempo vai para a série ou para o telemóvel, qualquer coisa que implique desligar a cabeça. É compreensível. Mas o sono não é um extra.

É a base da energia, da clareza para decidir bem, da capacidade de resistir aos impulsos à noite: dormir mal está diretamente ligado a mais gordura acumulada, sobretudo na zona abdominal. E há estudos que associam a má qualidade do sono a maior compulsão alimentar e a alterações nas hormonas que regulam o apetite (leptina e grelina).

Se este cansaço te é familiar, vale a pena perceber porque te sentes sempre cansada antes de assumir que é só falta de vontade.

A ferramenta que o Filipe sugeriu não foi “vai dormir mais cedo”. Sozinha, essa frase não muda nada. Foi criar uma rotina de relaxamento genuinamente apetecível, que compete com a série, e não apenas a lógica fria de “preciso ir dormir”.

O que fica desta conversa

A D. entrou na chamada a reportar um desafio. Saiu com o mesmo desafio, visto de outra forma. O padrão é este: adiamos o que é difícil porque nos põe em desconforto, e o cérebro, por instinto, evita isso.

Perceber isto não torna o full body mais fácil. Mas torna a resistência menos convincente. Não é falta de motivação, é uma questão de disciplina e de mecanismo

Ep.68 –  “Pensava que não era capaz de ter uma boa relação com a alimentação…e afinal estou a gostar”

Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Maio 25, 2026
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Resumo do Episódio

No episódio 68 das Power Talks, três participantes partilham vitórias e desafios que mostram como uma mudança sustentável vai muito além da perda de peso.

R. conta que conseguiu manter uma alimentação consistente durante a Páscoa, incluindo alguns doces, mas sem os excessos de outros tempos. Para ela, esta é uma conquista importante. O principal desafio tem sido o cansaço associado a alterações hormonais, que dificultou a manutenção dos treinos.

C. destaca outra vitória: conseguiu aproveitar a Páscoa sem transformar alguns dias de festa numa licença para abandonar tudo. A diferença está, sobretudo, na mentalidade: já não existe a ideia de “já que comecei, estrago tudo”. Para ultrapassar a dificuldade de beber mais água, encontrou uma estratégia simples: voltar a ter uma garrafa de litro e meio sempre por perto e associar o consumo de água às refeições.

A atividade física também ganhou espaço na sua rotina. De cerca de 1.200 passos diários, C. passou para aproximadamente 8.000, recorrendo a pequenas caminhadas e a uma passadeira em casa.

Já V., que começou o programa durante umas férias, celebra a capacidade de adaptação: mesmo fora da rotina habitual, conseguiu manter a atividade física e uma alimentação equilibrada. O desafio surgiu com uma possível lesão na coxa, obrigando-a a ajustar o treino.

No fundo, a mensagem que atravessa a conversa é simples: não é preciso fazer tudo perfeito. É preciso aprender a lidar com os dias reais, sem transformar um deslize numa desistência. Pequenas escolhas, repetidas com consistência, podem mudar a relação com a alimentação, o exercício e, sobretudo, connosco próprios.

Ep.49 – “Há 22 anos que não vestia o 36!”

Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Abril 30, 2025
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Resumo do Episódio

“Há 22 anos que não vestia um 36 de calças.” Para C., voltar a conseguir vestir aquele tamanho foi uma vitória que teve pouco a ver com a balança.

A roupa como sinal de mudança

C. conta que estava limitada fisicamente, tinha notado algum aumento de peso e andava mais stressada com isso. Mas começou a perceber que o número na balança não contava toda a história.

Foi ao experimentar umas calças 36 que teve essa confirmação. Conseguiu vesti-las e, pela primeira vez em 22 anos, conseguiu olhar para o corpo dentro daquele tamanho.

A roupa e o espelho passaram a dar-lhe uma informação diferente da balança: havia uma mudança que ela conseguia ver e sentir.

Resultados Reais

Mulheres reais. Transformações reais.

Sem photoshop. Sem promessas. Histórias de quem decidiu cuidar de si com apoio.

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Nídia
-10,3kg
Peso

Ganhei anos de vida, sinto me bem, mais leve. Gosto de olhar me ao espelho, sinto me muito mais confiante. Aprendi que tenho de cuidar de mim.

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Joana
-9,5kg
Peso
-9cm
Cintura

Foram muito mais do que profissionais, foram presença constante, motivação diária e cuidado genuíno. Nos momentos em que a força falhava, vocês estavam lá. Nos dias bons, celebravam comigo. Nos dias difíceis, literalmente levaram-me ao colo.

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Ana
-6,2kg
Peso
-14cm
Cintura

Uma equipa muito jovem mas que terá certamente um sucesso incrível pela forma humana e personalizada como tratam cada uma de nós, sempre presentes, sempre prontos a ajudar. A diferença que os destaca.

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Andreia
-4,7kg
Peso
-9cm
Cintura

Obrigada por tudo, por toda a ajuda, força, aprendizagens. Sinto-me cada vez mais independente, não me sinto refém dos meus baixos mesmo quando os tenho, sinto-me mais forte, mais orgulhosa, mais capaz, mais confiante, mais vaidosa e saudável que também é muito importante.

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Margarida
-15,7kg
Peso
-16cm
Cintura

Um agradecimento enorme! Life changing mesmo, o que vocês conseguiram comigo foi incrível. Obrigada obrigada obrigada!

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Verónica
-11,6kg
Peso

O melhor disto tudo é que foi feito sem sacrifício. O que é muito prazeroso. Já uso camisolas por dentro das calças. E as calças que tinha guardado também já estão a ficar largas.

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Susana
-9,6kg
Peso
-11cm
Cintura

Obrigada por me darem as ferramentas para eu ser uma melhor versão de mim mesma, por mim e pela minha filha.

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Vera
-4,7kg
Peso
-18,2cm
Cintura

Mudaram a minha vida para melhor, mudou tudo, mudou peso, mudou corpo mas o mais importante mudou a minha relação comigo mesma.

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Ana
-14kg
Peso

Se pudesse dava nota 20! Como se meteu o Natal, foi muito em torno disso que estivemos a trabalhar… graças à Ana, passei um Natal mais tranquilo do que pensava que ia ser, obrigado.

Quando o número deixa de ser a única medida

Durante a conversa, surgiu precisamente esta diferença entre peso e gordura corporal. Uma subida na balança depois de uma refeição mais abundante não significa necessariamente ganho de gordura. O peso pode variar também por alterações na retenção de líquidos.

Para C., esta experiência ajudou a olhar para o processo de outra forma. Em vez de deixar que o número da balança definisse se estava a ter sucesso, encontrou outro sinal concreto de progresso: voltar a vestir uma roupa que não conseguia usar há 22 anos.

É uma vitória muito específica. Umas calças 36, depois de tanto tempo, disseram-lhe algo que a balança não estava a conseguir mostrar.

Ep.42 –  “Este programa não mudou só a minha vida, mudou a vida da minha filha”

Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Abril 10, 2026
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Resumo do Episódio

Há cerca de seis meses, S. entrou no programa com um motivo muito concreto: queria transmitir os melhores hábitos possíveis à filha.

Entretanto, também começou a perceber mudanças nela própria. Num período mais difícil, em que esteve sem treinar devido a uma lesão e acabou por ganhar 1kg, houve uma coisa que S. reconheceu como uma vitória: apesar de estar em casa e ter mais dificuldade em controlar a alimentação, não voltou aos hábitos de comer tudo o que estivesse disponível. Tinha chocolate em casa e continuava sem lhe tocar.

Mas foi a mudança na filha que mais significado teve para si.

Uma mudança que passou para casa

A filha de S., de 13 anos, usava o tamanho 38 de calças quando a mãe começou o programa. Cerca de seis meses depois, estava a usar o 34.

Há duas semanas, foram jantar fora e dividiram uma francesinha. A filha não conseguiu acabar a metade que tinha no prato. Deixou duas garfadas e comentou com a mãe:

“Fogo, mãe, eu estava mesmo gorda. Como é que eu antes comia uma francesinha inteira e agora quase nem consigo comer metade?”

Para S., esse momento resumiu aquilo que procurava quando decidiu começar.

Mais do que a mudança nas calças ou na quantidade que a filha conseguiu comer, ficou o sentimento de lhe ter transmitido hábitos diferentes e de ver a filha sentir orgulho na mãe.

“É a melhor coisa que este programa me trouxe: transmitir os melhores hábitos à minha filha.”

Ep.25 – Fomos à SIC em direto, vamos contar-te como foi tudo na realidade!

Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Publicado Março 4, 2026
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Resumo do Episódio

Filipe: A primeira mensagem que recebi dizia apenas que havia um desafio para mim, para sair da minha zona de conforto. Já desconfiei logo do que era. A pessoa que me escreveu trabalha em televisão, as contas fizeram-se sozinhas. Fiquei com aquele bichinho no estômago, marquei uma chamada, e quando ela me confirmou que era para ir à SIC em directo, o meu primeiro pensamento foi não.

Não por falta de interesse no projecto. Não porque achasse que era má ideia. Foi puro reflexo: a cabeça a tentar proteger-me do desconforto antes de eu sequer ter pensado a sério no assunto.

Beatriz: Quando o Filipe me ligou a contar, a minha reação imediata foi dizer que sim. Mas se for honesta, se eu tivesse recebido esse convite sozinha, a primeira reação provavelmente teria sido procurar razões para não ir. O que me fez responder assim foi saber que íamos juntos. Isso muda tudo.

A cabeça vai sempre arranjar uma desculpa

Filipe: Passei dias à espera que alguém me desse um contra convincente. Liguei à minha irmã, foi logo a mandar hype. A Vanessa chegou a casa e disse “é claro que vais”, já a pensar na roupa. Liguei à Ana, que mora a quatro horas de Lisboa com cinco dias de antecedência e perguntou logo se ia no dia anterior ou no próprio dia. Liguei à Beatriz, que estava doente e mal de voz. Disse que sim na mesma.

Eu estava à espera de um contra. E a verdade é que não havia nenhum. A minha cabeça é que estava a fabricar saídas que não existiam.

Beatriz: É engraçado reconhecer isso porque é exactamente o que acontece com as mulheres quando querem mudar hábitos. A lógica diz que faz sentido avançar, mas a cabeça começa a inventar razões: não tenho tempo, não vou conseguir manter, e se falhar outra vez. Os contras raramente são reais. São a cabeça a tentar manter tudo igual.

Naquele dia percebi que também eu faço isso. E que a diferença entre avançar e não avançar, muitas vezes, é exactamente essa: conseguir ver que a sabotagem é sabotagem. É um padrão que também exploramos quando falamos dos sabotadores do emagrecimento.

Acompanhada é completamente diferente

Filipe: Há um ponto que falo muito com as mulheres do programa e que naquele dia ficou ainda mais claro para mim: fazer qualquer mudança sozinho é muito mais difícil. Não porque as outras pessoas façam o trabalho por nós, não fazem. Mas porque quando a nossa cabeça está a inventar desculpas, há alguém do lado de fora que consegue ver o que nós não estamos a conseguir ver.

Eu estava a tentar arranjar razão para não ir. Quem estava do meu lado disse logo que sim, sem hesitar. Precisei disso.

Beatriz: Para mim foi igual. Se tivesse sido só eu a receber aquele convite, o medo teria ganho com muita facilidade. Ir com o Filipe e com a Ana fez com que a equação fosse diferente. Já não era só o meu desconforto, era uma oportunidade que era dos três. E isso tornava muito mais difícil dizer não.

É o mesmo que vemos com as alunas do programa BMFIT. Quando estão sozinhas a tentar mudar, qualquer semana difícil é motivo para parar. Quando têm alguém – um acompanhamento, uma comunidade -, o dia difícil é um obstáculo, não um fim.

O que dissemos a nós mesmos antes de entrar em directo

Filipe: Nos dias antes, tentei não pensar demasiado. A cabeça, quando tem espaço, constrói cenários, e raramente são os bons. Aquilo a que chamo self-talk foi o que mais me ajudou: repetir para mim mesmo, várias vezes, “o projecto é teu, tu criaste-o, ninguém o conhece melhor do que tu, não vais falar de nada que não saibas.”

Parece simples. E é. Mas a alternativa é deixar a cabeça ir para o pior cenário: a voz a tremer, o engasgo, a frase que não sai, e aí estás a preparar-te para falhar, não para fazer. Quando só pensas no que pode correr mal, é como se nem pusesses a outra opção em cima da mesa.

Beatriz: Eu estava convicta de que o nervosismo se ia notar completamente. Quando vi a gravação depois, fiquei surpreendida, não transparecia tanto quanto eu sentia por dentro. O que estava na minha cabeça era muito mais intenso do que o que apareceu no ecrã.

Isso também acontece no processo de mudar hábitos. O esforço que sentimos por dentro parece enorme, quase impossível. E muitas vezes, quando olhamos para trás dali a uns meses, percebemos que foi mais suportável do que antecipávamos. A cabeça amplifica sempre.

A Filipa, os 30 quilos, e o que não se vê na balança

Filipe: Para o segmento da SIC, convidámos a Filipa, uma aluna do programa que perdeu 30 quilos. Mas o número não é o que me ficou. O que me ficou foi a diferença entre a pessoa da primeira chamada: em baixo, sem energia, fechada, e a pessoa que apareceu na televisão. Mais alegre, com mais vontade de fazer coisas, presente de uma forma que antes não estava.

Ela aceitou ir. Precisou de uma hora para digerir o pedido, foi fazer yoga, e voltou com uma resposta. A coragem que isso exigiu, aparecer em televisão nacional, mostrar vulnerabilidade, contar o processo a Portugal inteiro, é do mesmo tipo que é preciso para dar o primeiro passo em qualquer mudança real.

Beatriz: Quando ouvi o testemunho da Filipa ao vivo foi diferente de ler um feedback por escrito. Ela estava ali, em frente a nós, a dizer como a vida tinha mudado. E percebi que às vezes não conseguimos ter a noção real do impacto do trabalho que fazemos porque estamos sempre dentro dele.

O Filipe disse-lhe que tinha a certeza de que pelo menos uma pessoa do outro lado viu aquilo e pensou “então é possível.” Eu também acredito nisso. Às vezes é exactamente isso que falta: ver que alguém com uma vida parecida com a nossa conseguiu.

Mais vale fazer do que esperar estar pronta

Filipe: Quando saímos da SIC, sabia exactamente o que podia ter corrido melhor. O discurso aqui, a clareza ali, aquela parte que ficou curta demais. E ainda assim, a decisão de ir foi a certa. O arrependimento de não fazer é sempre maior do que o de fazer e não sair perfeito.

O programa BMFIT foi construído exactamente assim. Não começámos com tudo estruturado. Começámos, recolhemos feedback, melhorámos, recolhemos mais feedback, melhorámos outra vez. Se tivéssemos esperado pela versão perfeita, ainda estávamos a esboçar.

Beatriz: Quando fazes e corre menos bem, sabes o que melhorar. Quando não fazes, não tens nada, só o “e se”, que fica. Eu saí daquele estúdio com coisas para melhorar. E já estou pronta para a próxima.

É isso que tentamos passar às mulheres do programa. E naquele dia percebemos que passamos por isso também. Noutras áreas, com os mesmos medos, a mesma voz na cabeça a dizer para ficar onde está seguro. A diferença é que já sabemos reconhecer essa voz. E sabemos que do outro lado do desconforto há sempre qualquer coisa que não se consegue ter de outra forma.