Ep 76 – Estás sempre cansada? Pode não ser falta de Sono, É o teu corpo a pedir ajuda.

Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Junho 8, 2026
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Resumo do Episódio

Ep.59 – O stress engorda mesmo?

Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Publicado Maio 16, 2026
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Resumo do Episódio

Achas que o stress engorda? Se estás numa fase em que sentes que comes pior, dormes pior e já não sabes se é falta de força de vontade ou só cansaço acumulado, a resposta curta é: o stress não decide por ti, mas empurra-te sistematicamente para as piores escolhas. Não é automático e não é uma sentença. Dá para travar isto, mas primeiro é preciso perceber o mecanismo, porque a maior parte do que se diz por aí sobre “stress engorda” fica a meio caminho.

O stress engorda diretamente?

Não. O stress não se transforma diretamente em gordura no teu corpo.O que acontece é que te empurra para um conjunto de comportamentos que, esses sim, dificultam o emagrecimento.

Quando vives em stress constante, tendes a comer pior, a dormir pior, a treinar menos e, muitas vezes, a mexer-te menos ao longo do dia sem sequer dares por isso. É a soma disto tudo que trava os resultados, não o stress isolado. É uma distinção que parece pequena, mas muda a forma como resolves o problema: não adianta só “gerir o stress” em abstrato, é preciso olhar para o que ele está a mudar na tua rotina.

O que o stress crónico faz ao teu corpo

Três coisas acontecem no teu corpo quando vives em stress constante: o cortisol sobe e fica elevado, retens mais líquidos e as tuas hormonas da fome ficam descontroladas.

O cortisol é conhecido como a hormona do stress e tem o seu papel, o problema é quando fica cronicamente elevado. Nessa altura, sentes mais dificuldade em perder gordura, o sono piora e há mais tendência para acumular gordura na zona abdominal.

A par disso, o cortisol elevado está também associado a retenção de líquidos. Não é sempre gordura a mais quando a balança sobe ou quando te sentes mais inchada. Ás vezes é mesmo isto: pernas mais pesadas, sensação de inchaço, mais cansaço, sem que tenhas mudado nada na alimentação.

Porque tens vontade de comer doces e salgados quando estás stressada

Sentes mais vontade de doces e salgados porque o stress altera diretamente as hormonas da fome e da saciedade: sobe a hormona que te dá fome, desce a que te avisa que já comeste o suficiente.

Isto não é fraqueza, é fisiologia. E há uma segunda camada: o açúcar e a gordura dão uma sensação de prazer e calma que, nesses períodos, também está em falta. Não procuras só a comida, procuras alívio. É por isso que muitas vezes comes de forma emocional em vez de comer por fome física.

Há aqui uma analogia que ajuda a perceber isto: quando um bebé está muito agitado, é o movimento – a cadeirinha a balançar -, que o acalma. Contigo funciona de forma parecida: o movimento ajuda a libertar a tensão acumulada. Só que estás cansada, porque o stress desgasta, e o corpo procura o movimento mais fácil e mais imediato que existe: mastigar. É por isso que a vontade de coisas estaladiças e crocantes aparece tanto nestas fases. É uma forma de regulação emocional.

Porque tomamos piores decisões sob stress

Tomas piores decisões sob stress porque a tua capacidade de autorregulação diminui. O cérebro entra num estado mais reativo e menos reflexivo, e fica mais difícil pensar nas consequências a médio e longo prazo.

É por isso que ao fim de um dia difícil — ou até de um dia bom mas intenso, cheio de reuniões e decisões —, acabas por ir à procura de conforto na comida. Às vezes porque algo correu mal e precisas de alívio. Outras vezes porque o dia foi produtivo mas exigente, e sentes que “mereces” aquele bocado. Em nenhum dos dois casos é falta de conhecimento. É o teu sistema nervoso a fazer exatamente o que está preparado para fazer sob pressão: procurar alívio imediato, não pensar em daqui a três meses.

Os erros mais comuns em fases de stress

Os três erros que mais complicam o emagrecimento em fases de stress são saltar refeições, viver à base de café e negligenciar o sono, e cada um destes erros puxa pelos outros.

  • Saltar refeições ou fazê-las incompletas. Um copo de leite de manhã, uma saladinha ao almoço, e depois a fome acumulada de todo o dia cai em cima da noite, exatamente na altura em que já estás mais cansada e com menos capacidade de decidir bem. Juntas fome física a stress emocional, e o resultado é sempre pior do que se tivesses comido normalmente ao longo do dia. É este o padrão que faz com que comas bem o dia todo e te descontroles à noite.
  • Compensar o cansaço com café. É tentador e dá aquele pico que ajuda a aguentar o dia. O problema é o que vem depois: quando o efeito passa, o crash é pior do que o cansaço original. E se ainda bebes café a meio da tarde ou depois do jantar, por hábito, a fatura chega à noite: mesmo que consigas adormecer sem dificuldade, a qualidade do sono não é a mesma. Não sentires o efeito do café na hora de adormecer não significa que ele não esteja a afetar o teu sono.
  • Negligenciar o descanso. É o erro que junta os outros dois. Sem sono e sem pausas ao longo do dia, chegas à noite já sem reservas, e é precisamente à noite que precisas de mais capacidade para decidir bem.

O descanso ao telemóvel não alivia o stress

Passar meia hora no sofá a fazer scroll no telemóvel não regula o teu sistema nervoso. O corpo está parado, mas a mente continua tão ativa como estava.

O resultado é uma frustração dupla: tiraste tempo para descansar e continuas cansada. Um descanso a sério precisa de te tirar do estado de alerta, não só de te tirar do movimento. Um banho quente, um chá, escrever sobre o que te preocupa, falar com alguém, mesmo cinco minutos assim valem mais do que meia hora de sofá com o telemóvel na mão. E não precisa de ser no fim do dia todo de uma vez: pequenas pausas ao longo do dia, mesmo que sejam só os cinco minutos que já paras para ir à casa de banho que ajudam a não deixar o stress acumular até picos.

O stress engorda? Infográfico com a explicação pela equipa de acompanhamento online BMFIT

Como o treino ajuda a controlar o stress (e quando piora)

O treino de força e as atividades que exigem atenção ajudam a libertar stress porque te obrigam a estar presente naquele momento, mas treinar a mais tem o efeito oposto e aumenta o stress no corpo. É esta a relação entre exercício físico e saúde mental que muitas vezes fica de fora quando se fala só em queimar calorias.

Há uma exceção interessante: correr sem música pode ter o efeito contrário, porque deixa espaço para os pensamentos entrarem, e nesse silêncio, muitas vezes voltas às preocupações do dia. Não é mau, só é diferente: é uma forma de treino que exige menos logística (vestes-te e sais), mas não te tira necessariamente da cabeça.

O outro lado da moeda, mais raro, é o overtraining: treinar demasiado, com intensidade alta todos os dias, às vezes duas vezes por dia. O treino em si é uma agressão controlada ao corpo: coloca-te numa zona desconfortável de propósito, para ganhares capacidade cardiovascular e muscular, e isso sobe o cortisol de forma boa e temporária. Mas se não há recuperação suficiente, deixa de ser temporário.

Quando estes sinais aparecem, a solução não é parar completamente, é uma semana de deload: reduzir o volume e a intensidade sem cortar o movimento por completo. Na prática, isto pode significar reduzir a corrida habitual, ou, no treino de força, passar para um treino por semana com a carga reduzida. É um descanso ativo, e costuma funcionar melhor do que parar de vez. O medo de “perder tudo” ao reduzir o treino não se confirma na prática, pelo contrário, é normalmente o que falta para o corpo dar o tal upzinho depois de uma fase estagnada.

Para a maioria das mulheres que acompanhamos, o problema não é o excesso de treino, é a falta dele. No entanto, é uma das ferramentas mais eficazes que existem para regular stress. Há alunas que começam sem grande vontade de treinar e que, meses depois, dizem precisamente o contrário: que precisam de treinar para se abstraírem, para sair de casa ou para desligar de tudo o resto do dia.

Perguntas Frequentes

O stress engorda?

O stress faz mesmo engordar?

Não diretamente. O stress altera a forma como comes, dormes e te mexes e é essa combinação que dificulta a perda de peso, não o stress isolado.

Porque é que como mais quando estou stressada?

Porque o stress altera as tuas hormonas da fome e saciedade, aumentando a vontade de comer, e porque a comida traz um alívio imediato que ajuda a reduzir a tensão do momento.

O café afeta o sono mesmo que eu durma bem?

Sim. Mesmo sem sentires dificuldade em adormecer, o café pode reduzir a qualidade do sono ao longo da noite, especialmente se for tomado à tarde ou depois do jantar.

Ver televisão ou estar no telemóvel no sofá conta como descanso?

Não costuma ser um descanso de qualidade. O corpo fica parado, mas a mente continua ativa, o que não ajuda a regular o sistema nervoso da mesma forma que uma verdadeira pausa.

Treinar ajuda a reduzir o stress ou pode piorar?

Ajuda, principalmente treino de força e atividades que exigem atenção ao momento. Mas treinar em excesso, sem recuperação suficiente, tem o efeito oposto e aumenta o stress no corpo.

Ep.35 – Como emagrecer sem ter tempo para fazer exercícios? Não precisas de 1 hora por dia

Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
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Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Publicado Março 25, 2026
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Resumo do Episódio

Porque é que sinto sempre que não tenho tempo para treinar? 

Quando sentes que não tens tempo para treinar, muitas vezes o problema está na forma como o treino entra na tua semana. Se fica para o fim do dia, acaba por competir com tudo o resto: trabalho, filhos, jantar, banho, casa e aquele computador que ainda tens de abrir “só mais um bocadinho”.

Quando alguém liga a pedir ajuda, normalmente encontras maneira de encaixar esse pedido no dia. Com o treino pode acontecer o mesmo. Se fica reservado na agenda como um compromisso, deixa de depender do tempo que sobra.

Isto também acontece com a alimentação. Quando chegas a casa sem saber o que vais fazer para o jantar, é muito mais fácil escolher a solução mais rápida. Mas sim, é possível aprender como organizar a alimentação numa semana de loucos.

Qual é o erro que faz a maioria dos treinos falhar? 

Não planear a semana deixa o treino dependente do que acontecer nesse dia.

Imagina uma terça-feira normal. Chegas a casa, abres o frigorífico e ficas ali especada a pensar no jantar. O mais novo está a chorar porque caiu e bateu com a testa, ainda falta o banho e tens trabalho para acabar. O treino que tinhas pensado fazer fica para amanhã. O problema é que amanhã pode trazer outra coisa qualquer.

Por isso, em vez de decidires todos os dias se vais treinar, decide antes da semana começar. Escolhe os dias, define uma hora e trata o treino como tratarias qualquer outro compromisso que não queres falhar.

É a mesma lógica que aplicamos quando ajudamos as nossas alunas a organizar as refeições antes de uma semana de loucos: quanto menos decisões tiveres de tomar no momento, mais fácil é cumprir.

Como emagrecer sem ter tempo para fazer exercícios? Mulher treina em casa

Porque é que treinar de manhã pode ajudar quem sente que não tem tempo? 

Treinar de manhã pode ser uma boa solução quando o exercício falha quase sempre ao fim do dia.

Às 8 da noite podes estar cansada, os miúdos já gastaram grande parte da tua energia e ainda tens coisas do trabalho por acabar. Nessa altura, até um treino curto pode parecer uma tarefa enorme.

De manhã, o treino fica feito antes de o resto do dia começar. Não precisas de gostar particularmente de acordar cedo. Se reparares que os teus treinos desaparecem sempre ao final do dia, vale a pena experimentar outra hora.

E não precisas de reservar uma manhã inteira. Um treino de 20 minutos pode ser suficiente para manter a rotina de exercício quando tens uma agenda apertada.

Treinar em casa também pode facilitar esta rotina. Sem deslocação para o ginásio, consegues aproveitar melhor esses minutos e treinar em casa pode dar resultado.

Porque é que querer o treino perfeito te pode deixar a treinar zero minutos? 

Se só consideras que um treino vale a pena quando tens uma hora disponível, vais acabar por adiar muitos treinos.

Tens 20 minutos? Faz 20. Só tens tempo para metade? Faz metade. O dia está completamente caótico? Faz alguns minutos de movimento e retoma a rotina no dia seguinte.

Se não conseguires fazer… Experimenta… O objetivo é…
O treino completo de 1 hora Fazer uma parte do treino Manter a rotina
Metade do treino Fazer o aquecimento e alguns exercícios Continuar a aparecer
Nem o aquecimento Vestir a roupa e mexer-te durante 5 minutos Evitar que um dia difícil se transforme numa semana parada

Um treino mais curto continua a ser movimento e ajuda-te a manter o hábito. O que interessa é conseguires repetir a rotina ao longo das semanas.

É também uma forma de não deixares que o perfeccionismo te faça desistir. Já falámos sobre isso no episódio sobre a mania da perfeição e o emagrecimento.

como emagrecer sem ter tempo para o exercício? - Infográfico BMFIT

Como parar de depender da motivação para treinar? 

Haverá dias em que não te apetece treinar. Se o exercício depender sempre da tua disposição, esses dias acabam por decidir por ti.

Quando o treino tem um horário definido, já não precisas de fazer a pergunta “será que hoje me apetece?”. Sabes que é aquele o momento reservado para treinar.

Isso não significa obrigar-te a fazer sempre o treino completo. Significa teres uma rotina à qual consegues voltar mesmo depois de um dia mau.

É essa diferença entre esperar pela motivação e criar uma rotina que explorámos no episódio sobre motivação vs. disciplina.

Perguntas Frequentes

Como emagrecer sem ter tempo para fazer exercícios?

Não precisas de 1 hora por dia

Preciso mesmo de treinar todos os dias para ver resultados?

Não. Não precisas de treinar todos os dias. O mais importante é manter uma rotina de exercício que consigas cumprir durante várias semanas e meses.

Vinte minutos chegam mesmo para perder peso?

Vinte minutos podem fazer parte de uma estratégia de perda de peso, sobretudo quando consegues mantê-los regularmente. O exercício é apenas uma parte do processo: a alimentação, o gasto energético diário e a consistência também contam.

E se eu não for uma pessoa da manhã?

Não há problema. A melhor hora para treinar é aquela que consegues manter. Mas se os treinos falham quase sempre ao fim do dia, experimenta durante algumas semanas fazê-los de manhã. Pode ser a hora que melhor encaixa na tua rotina.

O que faço nos dias em que realmente não sobra tempo nenhum?

Faz o que conseguires. Uma caminhada de dez minutos, alguns exercícios em casa ou cinco minutos de movimento são opções melhores do que desistir completamente da rotina. No dia seguinte, voltas ao teu horário habitual.

Como posso encaixar o exercício numa semana muito ocupada?

Começa por escolher dois ou três horários realistas e coloca-os na agenda antes da semana começar. Se conseguires fazer mais, ótimo. Se a semana complicar, tens pelo menos os momentos que já estavam reservados.

Ep.15 – Dormir emagrece ou engorda? O impacto do sono na tua gordura abdominal

Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
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Publicado Fevereiro 16, 2026
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Resumo do Episódio

Porque é que dormir mal te faz ganhar peso?

Dormir mal mexe com as tuas hormonas do apetite, sobe o teu nível de stress e baixa as calorias que o teu corpo gasta só por estares viva.

Indicadores Sono suficiente e de qualidade Sono insuficiente ou de má qualidade
Grelina (fome) Regulada Aumenta: sentes mais fome
Leptina (saciedade) Regulada Diminui: sentes menos saciedade
Cortisol (stress) Desce durante a noite, normaliza Não recupera: mantém-se elevado
Gordura abdominal Sem sinal de “alerta” para acumular O corpo acumula mais gordura abdominal, como proteção
Metabolismo basal Mantém-se Reduz o metabolismo basal, oq ue significa menos calorias gastas em repouso
Recuperação muscular Normal Diminuída

Porque sentes mais fome quando dormes mal?

Dormir pouco sobe a grelina, a hormona que te diz que tens fome, e baixa a leptina, a que te diz que já estás saciada. 

Quando dormes menos do que precisas, o teu cérebro recebe menos sinal de “já chega” e mais sinal de “come”. Ao mesmo tempo, ativa-se um sistema de recompensa que te empurra especificamente para o que tem mais açúcar, mais gordura e mais sal. Parece gula, mas é o teu corpo, cansado, a tentar compensar de alguma forma a energia que não teve durante a noite.

Esta troca entre grelina e leptina explica uma coisa que vemos muito no acompanhamento online: mulheres que chegam a dizer “o problema sou eu, são os doces, não me consigo controlar”. A primeira coisa que vamos ver pode não ser a comida, mas o sono. Melhora-se o sono, e a vontade de doces começa a mudar sozinha.

Porque é que o cortisol te faz acumular gordura na barriga?

O cortisol elevado por noites mal dormidas faz o teu corpo guardar gordura à volta dos órgãos, como forma de se proteger.

O cortisol é a hormona do stress. Ao longo do dia vai subindo. Trabalho, trânsito, filhos, mil coisas, e é durante o sono que desce de volta aos níveis normais. Se dormes pouco, essa descida não acontece como devia, e acordas já com o nível mais alto do que devia estar.

Há aqui outro efeito: o cortisol alto deixa-te mais irritável, muda-te o humor, e isso costuma trazer mais episódios de fome emocional. Estás stressada, ansiosa, e a comida vira o sítio onde vais buscar conforto. Depois é mais uma bola de neve: o cortisol alto leva a comer mais, comer mais nem sempre ajuda a dormir melhor, e o ciclo repete-se.

Chegas a casa já esgotada do trabalho, ainda tens o jantar, o banho dos miúdos, tudo. E a pergunta que costumo fazer é esta: quando chegas a casa, dás o teu máximo aos teus filhos, ou dás o que sobra de ti? Para e pensa nisto, porque se não cuidas de ti agora, isto acumula-se. E quanto mais tempo deixares andar, mais difícil vai ser mudar.

Cuidar melhor da alimentação, do sono, treinar com regularidade, nada disto é simples… Mas fazer esta mudança hoje vai ser sempre mais fácil do que fazê-la daqui a 5 anos, com mais 5 anos destes hábitos em cima.

Dormir pouco baixa o metabolismo?

Dormir menos baixa as calorias que o teu corpo gasta só por existires, e é por isso que um défice calórico que devia estar certo deixa de bater certo.

O teu metabolismo basal é tudo o que gastas parada: a respirar, a fazer o coração bater, a manter o corpo a funcionar. O Filipe Simões costuma dar este exemplo às alunas, só para ilustrar a escala: uma mulher que dorme bem e gasta por volta de 2000 kcal em repouso pode passar a gastar 1400 ou 1500 só por passar a dormir 5 horas em vez de 8 ou 9. Os números variam de pessoa para pessoa, mas a direção é sempre a mesma: menos sono, menos gasto. Porquê? Porque o corpo, com o cortisol elevado, entra em modo de sobrevivência e trava o gasto como forma de se proteger.

Se essa mulher continua a comer exatamente o mesmo, com o mesmo treino, a mesma rotina, mas o corpo passou a gastar menos, ela deixa de estar em défice. Fica em excedente. E a única coisa que mudou foi o sono.

É por isso que uma mulher em défice calórico correto às vezes não perde peso: o corpo dela pode estar a queimar muito menos calorias do que ela pensa, só por dormir mal.

A duração do sono importa mais do que a qualidade?

Mesmo sem conseguires dormir 8 horas seguidas, melhorar a qualidade do sono que já tens muda o teu apetite e a tua recuperação.

Sei que muitas de vocês, a ler isto, estão a pensar: sim, tudo bem, mas eu não consigo dormir mais do que 6 horas, tenho que acordar cedo, tenho os miúdos, tenho o trabalho. E percebo perfeitamente. Às vezes não é possível aumentar a quantidade. Mas dá quase sempre para melhorar a qualidade, e isso, sozinho, já muda muita coisa.

Existe um número de horas ideal, claro que sim. Mas contam muito mais as horas que dormes bem do que um número qualquer que não estás a conseguir cumprir de qualquer forma. Não precisas de perseguir a perfeição do sono. Precisas de deixar de o negligenciar por completo.

Dormir com qualidade é essencial para a recuperação, o equilíbrio hormonal e o controlo do peso.

O sono afeta a recuperação muscular e os resultados do treino?

É a dormir que o músculo recupera. Sem sono suficiente não vês resultados apesar de treinares.

O músculo não cresce durante o treino. No treino, tu danificas as fibras musculares. É durante o sono que essas fibras se reparam e crescem, é aí que entra a síntese proteica, o processo que usa a proteína que comeste para reconstruir o que foi desgastado. E isto acontece em maior quantidade precisamente durante a noite.

Se treinas, treinas, treinas, mas não dormes o suficiente para recuperar, estás só a acumular dano sem dar tempo ao corpo para reparar. O resultado é o clássico: treinas cada vez mais, sentes-te cada vez mais cansada, e os resultados não aparecem. O esforço está lá. O que falta é recuperação, e é a dormir que ela acontece. Sem ele, o risco de lesão também sobe.

Dormir engorda ou emagrece? Infográfico sobre sono, hormonas, metabolismo e emagrecimento.

Como melhorar a qualidade do sono sem dormir mais horas?

  • Cria um ambiente escuro e fresco. Persianas e portas bem fechadas, sem luz nenhuma a entrar. Se não conseguires escurecer completamente o quarto, uma máscara de dormir ajuda bastante. E o frio também conta: dormes melhor num quarto mais fresco do que num quarto quente.
  • Corta a cafeína a partir das 15h. Mesmo que sintas que “o café não te tira o sono”, ele continua a afetar a qualidade dessas horas, mesmo que adormeças sem dificuldade aparente.
  • Evita o álcool à noite. O álcool afeta particularmente o sono REM, a fase mais profunda, ligada à consolidação de memória e ao bem-estar. Aquela ressaca emocional do dia a seguir a uma noite de copos não é só o álcool em si. É também o sono REM que não aconteceu como devia.
  • Mantém sempre o mesmo horário, também ao fim de semana. Deitar e acordar à mesma hora todos os dias regula o teu ritmo circadiano. Desregular ao fim de semana, deitar mais tarde à sexta, ao sábado, ao domingo, é o motivo pelo qual a segunda-feira custa tanto mais do que devia.
  • Deixa o telemóvel fora do quarto pelo menos meia hora a uma hora antes de deitar. O scrolling mantém o cérebro em atividade, a receber informação, cores, estímulo, e depois esperas que ele desligue de repente. Não desliga assim. Troca por um livro em papel, se conseguires: numa folha, vais ao teu ritmo; no telemóvel, é ele que te comanda.
  • Reduz a luz forte à noite. Luzes mais amarelas e mais quentes ajudam o cérebro a perceber que está na hora de ir desacelerando.
  • Experimenta técnicas de relaxamento antes de deitar. Uma respiração mais consciente, alguns minutos de meditação, qualquer coisa que ajude o cortisol a começar a descer antes de entrares na cama.

Nenhuma destas mudanças pede mais horas de sono, mas fazem a diferença.

Perguntas Frequentes

Dormir Emagrece ou Engorda?

Dormir emagrece ou engorda?

Por si só, dormir bem não emagrece automaticamente, mas dormir mal engorda, porque desregula as hormonas da fome, sobe o cortisol e baixa o metabolismo basal. Cuidar do sono é uma condição para o resto do teu esforço fazer efeito, não uma solução isolada.

Quantas horas preciso de dormir para emagrecer?

O ideal costuma situar-se entre as 7 e 9 horas, mas o que mais importa no dia a dia é a qualidade dessas horas. Se não consegues chegar a esse número, melhorar o ambiente de sono e os hábitos antes de deitar já traz resultado.

Uma noite mal dormida já afeta o peso?

Uma única noite não vai mudar o teu peso, mas já mexe com o apetite e com a vontade de comer alimentos mais calóricos no dia seguinte. É a acumulação de várias noites assim, semana após semana, que tem impacto real no metabolismo e na gordura acumulada. Se sentes que estás sempre cansada, o sono é o primeiro sítio a olhar.

O que fazer se não consigo dormir mais horas por causa dos filhos ou do trabalho?

Foca-te no que consegues controlar mesmo sem aumentar a quantidade: ambiente escuro e fresco, sem telemóvel antes de deitar, horário fixo sempre que possível, menos cafeína a partir da tarde. Não precisas de dormir 8 horas para começar a sentir diferença. Precisas de dormir melhor as horas que tens.