Ep.41 – Autoestima e imagem corporal no emagrecimento: o que muda primeiro?

Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Abril 8, 2026
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Resumo do Episódio

Autoestima e imagem corporal: só vais gostar de ti quando emagreceres?

A perda de peso sustentável começa quando decides cuidar de ti. O peso muda como resultado desse cuidado, ao longo do caminho, não é o ponto de partida.

É comum vermos mulheres que já perderam peso, que já estão a ter resultados, mas que continuam a olhar para o espelho e a sentir-se mal. Porquê? Porque continuam a acreditar que só podem gostar de si quando chegarem a um padrão ideal que nunca chega. E se a felicidade estivesse mesmo só à espera desse número, o que aconteceria depois de o atingires? Os problemas continuariam lá, porque o olhar sobre ti própria não mudou, só o número na balança.

mulher acima do peso sem autoestima e imagem corporal positiva, pensativa frente ao espelho a pensar se uma solução de acompanhamento online de fitness é o ideal para ela

Quando é o cuidado que vem primeiro – dormir melhor, escolher com mais consciência, mover-te mais -, a perda de peso surge como resultado natural desse processo. O peso que perdes reflete o caminho que percorreste, dia após dia.

Porque não devias deixar a balança decidir a tua autoestima e a imagem que tens do teu corpo?

A balança é das medidas que menos dizem sobre o que está realmente a acontecer no teu corpo, e usá-la como critério único de sucesso é condenares-te a falhar antes mesmo de começar.

O teu corpo muda ao longo do ano. O teu peso não é o mesmo a 1 de janeiro e a 31 de dezembro, e para as mulheres isto é ainda mais evidente, com oscilações que os homens simplesmente não têm. Se colocas o teu valor dependente de um número que por natureza está sempre a mudar, vais sair frustrada. Sempre.

Como a balança não mostra esta diferença, no programa trabalhamos com cada aluna a identificar outras vitórias além do peso: a roupa que já assenta de forma diferente, a energia que sobra ao final do dia, a disposição que volta. Se a única métrica é a balança, e ela não se mexe da forma que esperavas, a leitura imediata é “estou a falhar”. E normalmente é precisamente o oposto.

A mesma lógica explica porque é que alguns métodos mais radicais como cirurgias ou outros atalhos que dispensam o trabalho constante, deixam a pessoa presa na mesma mentalidade de sempre.

O que acontece quando perdes peso sem trabalhar a autoestima e a imagem corporal?

Quando o corpo muda mas a relação contigo mesma não muda, o resultado tende a não durar. O medo de engordar de novo torna-se uma presença constante.

Encontramos este padrão vezes sem conta: mulheres que perderam peso de forma significativa, mas que continuam a olhar para o corpo e a identificar defeitos, sempre à procura de um novo alvo. Deixa de ser as coxas, passa a ser a barriga. Deixa de ser a barriga, passa a ser os braços. A insegurança não desaparece com o peso, muda de sítio.

E há um padrão que se repete: mulheres que constroem um corpo diferente, mas que passam a viver com medo de engordar e voltar ao que eram. Ou com medo de não serem suficientes, mesmo depois da mudança, sempre a comparar-se com quem parece ter um corpo “melhor”. Perder peso não apaga inseguranças antigas. Às vezes até as amplifica, porque a exposição aumenta e a fragilidade interna fica mais visível para os outros e para nós mesmas.

Como se constrói a autoestima, na prática, todos os dias?

A autoestima constrói-se em pequenas escolhas repetidas: treinar mesmo sem motivação, preparar uma refeição em vez de encomendar, descansar quando é preciso descansar. Não em resultados perfeitos ou dias impecáveis.

Uma das confusões mais comuns é achar que ser consistente é fazer tudo sempre da mesma forma, todos os dias, sem falhas. Isso não é possível: os teus dias não são todos iguais, e exigir isso de ti mesma é criar mais um motivo para desistires. Ser consistente é outra coisa: é teres sempre os teus objetivos em mente e perceberes como é que eles encaixam no dia que tens à tua frente, que hoje pode ser mais difícil do que ontem foi.

O objetivo, no fundo, é chegar ao final do dia sem um zero. Hoje pode ser 80%. Ontem foi 100%. Amanhã pode ser só 60%. Mas nunca zero, porque 20%, 10% ou 5% de alguma coisa será sempre mais do que nada:

  • Não estás motivada para o treino completo? Faz metade.
  • Não te apetece nada? Uma caminhada curta já conta.
  • Um dia mais cansativo pode pedir mais descanso em vez de mais esforço, e isso também é uma escolha consistente com o teu objetivo.
  • Dizer não a ambientes e a pessoas que te desgastam ou sabotam o teu processo é também uma forma de cuidar de ti.

Mesmo que o peso não desça numa determinada semana, se treinaste quando antes não treinavas, se deste uns passos a mais, se preparaste uma refeição em vez de encomendares comida, isso é evolução. Não é a balança que define isso. É o compromisso contigo mesma, repetido dia após dia.

A baixa autoestima também tem comportamento próprio, reconheces algum?

A autoestima baixa manifesta-se em comportamentos concretos: evitar eventos sociais, manter a cabeça baixa, evitar olhar as pessoas nos olhos. Esses padrões mudam quando a autoestima muda, independentemente do que acontece com o corpo.

A segurança em ti mesma também define a forma como te posicionas no trabalho. Se achas que tens valor, avanças, mostras o que sabes fazer. Se não sentes isso, encostas-te à parede e esperas que ninguém repare em ti, só para evitar ser criticada.

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Quando a autoestima começa a mudar, não porque o corpo mudou, mas porque a pessoa começa a sentir-se capaz noutras áreas da vida, os comportamentos mudam também. A cabeça levanta-se. Vai-se a mais eventos. A dinâmica social muda porque, por dentro, a pessoa se sente diferente.

Perguntas Frequentes

Autoestima e imagem corporal no emagrecimento

Perder peso melhora sempre a autoestima?

Não necessariamente. Sem trabalhar a relação contigo mesma, é comum perder peso e continuar a sentir-se insegura, só que agora à procura de um novo “defeito” no corpo.

A balança deve ser ignorada por completo?

Não. Pode fazer parte do processo como um indicador entre vários, mas nunca deve ser o único critério de progresso, porque é das medidas que menos dizem sobre o que está a acontecer no teu corpo.

Como sei se estou a construir autoestima e não só a tentar perder peso?

Se, mesmo em dias em que o peso não desce, continuas a reconhecer as escolhas que fizeste: treinar, preparar refeições, descansar quando precisavas, estás a construir a base certa.