Ep.17 – “Treino e não vejo resultados”. Os erros de alimentação e treino que ninguém te conta

Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Fevereiro 17, 2026
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Resumo do Episódio

Porque treinas e comes bem, mas não perdes peso

Comer saudável e estar em défice calórico são duas coisas diferentes, e é aqui que a maioria das mulheres se perde.

O que costuma acontecer é isto: a pessoa inclui os alimentos “certos”, sente que está a fazer tudo bem, mas no final do dia as calorias não batem com o défice que achava que estava a fazer. Se o défice não existe, a perda de peso também não existe, independentemente de estares a comer bem ou mal.

O erro que quase ninguém identifica: porções e snacks “invisíveis”

O maior erro, na prática, está nas quantidades que não tens controladas, não no que comes.

Vivemos rodeadas de porções cada vez maiores. Vais a um restaurante e servem-te o dobro do que precisas, arroz a mais, carne a mais, sem exagero. Depois replicamos isso em casa, porque passámos a achar que aquela quantidade é o normal.

O erro do tacho na mesa

Uma coisa muito comum: fazes a comida no tacho e levas o tacho para a mesa. Serves-te uma vez, comes, nem esperas dez minutos, e quando está bom serves-te outra vez. No fim já comeste quase o dobro do que precisavas, sem teres a sensação de teres exagerado. Não é falta de consciência do que fazes. É falta de controlo visual sobre a quantidade real que serves.

Os snacks que “não contam”

Normalmente contabilizamos o pequeno-almoço, o almoço, o jantar. Os snacks pelo meio ficam fora da conta, mesmo quando não deviam.

Os frutos secos são o exemplo perfeito. São uma excelente fonte de gordura, mas continuam a ser gordura, mais calórica do que a maioria dos outros alimentos. Dez amêndoas aqui, dez amêndoas ali, ao longo do dia, sem nunca teres a sensação de teres comido muito, porque o volume é pequeno. No final do dia, esse “quase nada” pode valer mais calorias do que uma refeição inteira. Como estás distraída, a trabalhar, a ver televisão, nem dás por isso até olhares para o saco vazio.

Estás a fazer o treino errado para o teu objetivo?

Focar-te só em cardio para perder peso costuma desacelerar o metabolismo em vez de o acelerar.

O caminho contrário é o que costuma funcionar: focar mais no treino de força. Mais massa muscular acelera o metabolismo. É isso que te permite manter o défice ao longo do tempo, e é a única forma de continuares a ver resultados. Pensa nisto a longo prazo: construir músculo agora significa ter um metabolismo mais ativo daqui a cinco, dez anos. Fazer o treino que “queima mais” naquele momento, e depois compensar comendo quase nada, resolve o hoje e estraga o resto.

Treinas sempre da mesma forma? É por isso que estagnaste

Sem progressão de carga ou intensidade, o corpo não tem motivo nenhum para mudar.

Há uma frase que resume isto bem: o músculo não sabe contar. Ele não sabe se estás a fazer 13, 15 ou 20 repetições. Só sabe uma coisa, o esforço, a intensidade que estás a exigir dele.

A forma de saberes se estás a evoluir não é o suor. Suar muito não significa intensidade suficiente, significa que suaste muito, só isso. A forma de saberes é registares o treino: a carga, as repetições, e ires progredindo treino após treino. Há várias formas de progredir, e não é só aumentar peso:

  • mais repetições com a mesma carga
  • mais uma série
  • melhor técnica de execução
  • cadência mais controlada (a velocidade do movimento)

Qualquer uma destas coisas, isoladamente, já é progressão. O que não funciona é ficar parada nas mesmas três séries de quinze, sempre com a mesma carga, semana após semana.

mulher a treinar que treina e não vê resultados, o que pode ser?

Sono, stress e hormonas: o trio que ninguém controla

Dormir mal ou pouco altera diretamente as hormonas que regulam a fome e a saciedade, e isso pode impedir a perda de peso mesmo com a alimentação e o treino certos. É um dos pilares que menos se fala sobre sono e emagrecimento.

Há também o cortisol, a hormona do stress, que sobe quando dormes mal. E aqui há uma explicação que faz sentido quando a ouves pela primeira vez: o corpo, evolutivamente, associa stress a perigo. Quando sente que está em alerta, tenta proteger os órgãos vitais, que estão concentrados na zona central do corpo, acumulando gordura à sua volta, como uma camada extra de proteção. É um mecanismo de sobrevivência antigo, que hoje se traduz em mais gordura acumulada na zona da barriga.

Há ainda o efeito dos ecrãs antes de dormir. O corpo é feito para começar a desligar à noite, produzindo melatonina de acordo com o ritmo circadiano. Se estás com o telemóvel na mão até tarde, esse estímulo constante atrasa a produção de melatonina no momento certo, e depois, quando desligas o ecrã, esperas que o corpo desligue também. Não vai acontecer de imediato. Podes estar fisicamente cansada, mas o cérebro esteve a receber luz, cor e informação até há pouco, e precisa de tempo para se desligar.

Como corrigir: os 3 passos práticos

A solução para não teres resultados quando treinas e comes bem passa por medir três coisas, não por adivinhar.

1. Ajusta as calorias com base num défice real, não achado. Sem ser um défice exagerado, porque cortar a mais só vai fazer o corpo desacelerar ainda mais o metabolismo, o contrário do que queres. Um défice sustentável é aquele que o corpo aguenta sem entrar em modo de sobrevivência.

2. Garante proteína suficiente. Ajuda a sentires-te saciada, protege a massa muscular durante a perda de peso e evita a flacidez que costuma vir junto com o emagrecimento. A recomendação é entre 1,6 e 2 gramas de proteína por quilo de peso corporal.

3. Regista a progressão do treino. Carga, repetições, séries. Sem esse registo não há forma de saber se estás realmente a evoluir ou só a repetir o mesmo treino semana após semana com a sensação de estares a fazer progresso.

Nada disto é para a vida toda. É uma fase de consciencialização, até teres noção suficiente das quantidades e do esforço para deixares de precisar de as contar.