Ep 79 – Tudo o que aprendeste sobre emagrecer antes dos 30 é o que te está a impedir agora

Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Publicado Julho 6, 2026
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Ep 78 – As feridas da infância na tua relação com a comida

Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
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Filipe Simões
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Publicado Junho 29, 2026
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Ep 77 – Porque é que o teu parceiro emagrece em duas semanas e tu lutas há meses?

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Publicado Junho 15, 2026
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Ep 76 – Estás sempre cansada? Pode não ser falta de Sono, É o teu corpo a pedir ajuda.

Ana Alves
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Publicado Junho 8, 2026
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Ep.75 – Vontade de comer doces: porque acontece e o que o teu corpo está realmente a pedir

Filipe Simões
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Publicado Junho 3, 2026
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Resumo do Episódio

O que pode ser a vontade de comer doces?

A vontade de comer doces tem 4 causas principais e raramente é só uma delas, quase sempre é uma combinação:

  1. Estrutura das refeições: se o dia correu mal a nível alimentar (saltaste o pequeno-almoço, o almoço foi leve, o lanche foi inexistente), o corpo chega ao fim do dia com um défice que vai cobrar de alguma forma.
  2. Stress: o cortisol elevado aumenta o apetite e cria uma procura ativa de alívio.
  3. Sono: dormir mal desregula as hormonas de fome e saciedade e faz o corpo compensar com comida.
  4. Emocional: quando não há nada no dia que te dê prazer ou descanso, o doce torna-se a única saída rápida que sobrou.

Cada uma destas causas tem uma solução diferente. Por isso é importante perceber qual delas (ou quais), estão a acontecer.

Porque tenho vontade de comer doces à noite? Descobre o que pode estar a acontecer no teu corpo

À noite, os níveis de serotonina descem naturalmente como parte do ritmo circadiano do corpo. A serotonina é a hormona do bem-estar. Quando desce, o corpo procura formas de a repor e o açúcar é uma das formas mais rápidas de criar essa sensação.

Se o dia foi stressante, junta-se o cortisol. Um dia com reuniões, decisões, crianças, logística e pouco espaço para respirar… e chegas ao jantar com o cortisol elevado. O cortisol elevado é sinónimo de mais apetite e uma procura ativa de alívio e de conforto. O corpo não está a pedir disciplina e resistência aos doces, está a pedir energia e alívio de uma carga que passou o dia a acumular.

E há uma razão para a vontade ser de chocolate ou bolachas e não de brócolos crus. Quando o corpo precisa de energia, vai buscar o que reconhece como mais calórico. O teu corpo não está a sabotar-te. Está só a fazer o que sempre fez: a seguir a biologia dele.

Há ainda um ponto que quase ninguém liga a esta vontade de comer doces noturna: o jantar em si. Muitas mulheres, por acharem que “já vão dormir e não precisam de comer tanto”, fazem uma sopa e um queijinho fresco. O resultado é um jantar insuficiente que não tem proteína nem hidratos suficientes. E os hidratos ao jantar são importantes precisamente porque ajudam na produção de serotonina. O corpo vai pedir mais tarde, com açúcar, o que não tiver recebido na refeição. Cortar os hidratos ao jantar para ser “mais saudável” agrava exactamente o problema que se está a tentar evitar.

Muitas vezes o problema da vontade de comer doces à noite começa de manhã

O problema que aparece às 22h30 pode ter começado às 7h da manhã.

Quando alguém chega até nós e diz que tem uma vontade de doces irresistível ao fim do dia, a primeira coisa que a nutricionista Beatriz faz é olhar para todas as refeições do dia, não só para o jantar. Começa pelo pequeno-almoço. Porque o défice acumula-se ao longo do dia, e quando o ritmo abranda à noite, quando os filhos já estão na cama e quando não há mais tarefas urgentes, o corpo tem finalmente espaço para ser ouvido. E faz-se ouvir.

Se o pequeno-almoço foi uma torrada com manteiga, o almoço foi uma salada sem proteína, e o lanche foi uma peça de fruta, o corpo passou o dia em modo de poupança. Aguenta enquanto há estímulos e tarefas a distraírem. Quando para, começa a cobrança da energia em falta.

O que deve ter cada refeição para diminuir a vontade de comer doces

Não é necessário comer de forma complicada. É importante garantir que cada refeição tem o básico:

  • Proteína — iogurte grego, ovos, queijo, frango, peixe, leguminosas. É o que mantém a saciedade por mais tempo e previne a fome que aparece horas depois.
  • Hidratos de absorção lenta — arroz, batata, massa, pão escuro, aveia. Demoram mais tempo a ser absorvidos, evitam picos de açúcar no sangue e mantêm a energia mais estável ao longo do dia.
  • Gordura insaturada — azeite, frutos secos, sementes, abacate. Contribui para a saciedade e é necessária para a absorção de vitaminas.
  • Fibra — legumes, fruta, cereais integrais. Ajuda no trânsito intestinal e prolonga a sensação de saciedade.

Dormir mal aumenta a vontade de comer doces?

Sim, dormir mal aumenta a vontade de comer doces. O corpo tem essencialmente duas fontes de energia: o sono e a alimentação. Se já começas o dia com menos energia do que devias (porque dormiste poucas horas, porque o sono foi interrompido, porque ficaste até tarde no telemóvel…), o corpo vai tentar compensar na outra fonte que tem disponível: a comida.

Dormir mal aumenta o cortisol e desregula as hormonas que controlam a fome e a saciedade. A fome aumenta, a saciedade demora mais a chegar. E o corpo vai especificamente atrás do que tem mais calorias porque é o que reconhece como energia rápida.

A era digital não ajuda. Ficamos no telemóvel até tarde, o ritmo circadiano desajusta, e o corpo não chega a entrar nas fases de sono mais profundo que restauram. No dia seguinte, é normal que a vontade de comer doces aumente.

Isto não se resolve com força de vontade para resistir ao chocolate. Resolve-se com sono.

Qual a diferença entre a fome emocional e a compulsão alimentar?

Muitas mulheres que chegam até nós descrevem-se como tendo “compulsão alimentar”. Quando a psicóloga Ana vai explorar o que acontece de facto, a maioria está a descrever fome emocional. São coisas diferentes e a abordagem é diferente.

Critério Compulsão alimentar Fome Emocional
🚦Controlo Perda total — a pessoa não consegue parar sozinha Mantém-se, mesmo que sinta que "cedeu"
🛑O que pára o episódio Um factor externo: acaba a comida, alguém entra na divisão, desconforto físico A própria pessoa, quando decide parar
💥Gatilho Não há um gatilho específico Identificável: stress, cansaço, tristeza, insatisfação
🍪Alimento Qualquer um: cenouras ou bolachas, tanto faz Específico: associado a conforto
🔁Quantidade Grande Muitas vezes normal, nem sequer excessiva
❗O problema real A perda de controlo em si A frequência e o padrão, não a quantidade

O açúcar tem no cérebro um efeito semelhante ao de certas adições, liberta uma sensação de prazer que vicia. O problema é que esse efeito dura pouco. Come-se uma bolacha, a sensação de bem-estar aparece, mas em 15 ou 20 minutos desapareceu e o corpo pede outra. É esse ciclo que cria a sensação de “não consigo parar”.

Quando o doce à noite é a única coisa que ainda é tua

Este é o ponto que mais reconhecemos nas mulheres com quem trabalhamos.

Passam o dia inteiro a dar. Ao trabalho, às reuniões, aos filhos, à casa, à escola, ao supermercado, à roupa por dobrar. Chegam ao fim do dia sem ter recebido nada. Sem ter tido um momento que fosse só delas.

Quando perguntamos “o que é que fazes só para ti?”, não como mãe, não como profissional, não como companheira, só como tu, a resposta mais comum é silêncio. E depois: “há anos que não existe isso.”

Temos mulheres que nos dizem que há 10 anos adoravam pintar. Que tocavam guitarra. Que tinham um grupo de amigas com quem iam jantar uma vez por mês. Que liam. Quando foi a última vez? Pois foi.

A solução não é eliminar o doce. É criar outras fontes de satisfação para que o doce deixe de ser a única. Quanto mais fontes de prazer e descanso real existirem ao longo do dia, uma caminhada, uma chamada a uma amiga, dez minutos de livro, uma aula de algo que se gosta, menos o doce precisa de fazer esse trabalho todo sozinho.

Resolver o que está pendente e trazer de volta o que foi esquecido: é simples de dizer e leva tempo a fazer. Mas é o que muda o padrão.

O que fazer quando a vontade de comer doces aparece: estratégias concretas

O primeiro passo é perceber se é fome física ou emocional. A pergunta que a psicóloga Ana usa com as alunas BMFIT é direta: “se o que tens aqui fosse sopa, ovos ou iogurte — comias?” Se a resposta for sim, é fome física. Come, sem drama. Se a resposta for não, e se o que queres é especificamente chocolate ou bolachas, provavelmente é fome emocional.

👉🏽Se estás esgotada, a resposta é descanso, não é chocolate. Um banho enquanto o chá está a fazer, o chá, e ir dormir. Se estás triste ou irritada, pode ser uma chamada a alguém que te faz bem. Se estás insatisfeita com algo que ficou por resolver, é enfrentar isso, por mais que custe.

E se mesmo assim a vontade aparecer depois de teres feito tudo bem? A nutricionista Beatriz tem uma estratégia que gosto de usar: em vez de ceder a um doce fora das refeições, tornar o próprio jantar mais “docinho”.Uma fonte de hidratos que satisfaça mais, uma sobremesa ligeira incluída na refeição, tudo isto continua a ser uma refeição completa. E há dias em que o quadradinho de chocolate depois do jantar é exactamente o que faz sentido. Um quadradinho não estraga nada. O problema não é o chocolate em si, mas o facto do chocolate ser a única coisa disponível para gerir as emoções.

Perguntas Frequentes

Vontade de comer doces

A maior parte das vezes não é fome. É a forma que arranjaste de desligar depois de um dia inteiro a aguentar.

Porque tenho sempre vontade de comer doces?

A vontade de doces com frequência tem geralmente uma ou mais destas causas: refeições insuficientes ou sem proteína ao longo do dia, stress acumulado com cortisol elevado, sono de má qualidade, ou procura emocional de conforto quando não há outras fontes de prazer ou descanso. Raramente é só uma delas.

Porque tenho vontade de comer doces à noite mesmo depois de jantar?

À noite, os níveis de serotonina descem naturalmente. O açúcar é uma forma rápida de repor essa sensação de bem-estar. Se o dia foi stressante, o cortisol amplifica tudo. E se o jantar foi insuficiente, sem proteína ou hidratos suficientes, o corpo pede o que não recebeu.

Dormir mal provoca vontade de comer doces?

Sim. Dormir mal desregula as hormonas de fome e saciedade e aumenta o cortisol. O corpo compensa a falta de energia do sono na alimentação e vai especificamente atrás do que tem mais calorias.

O que comer para não ter vontade de comer doces?

Garante que cada refeição tem proteína, hidratos de absorção lenta, gordura saudável e fibra. Não saltes refeições nem faças um jantar demasiado leve por achar que “já não é preciso comer tanto”.

A vontade de comer doces é fome emocional?

Pode ser, mas não é sempre. A fome emocional tem um gatilho identificável: stress, cansaço, tristeza ou outra emoção, e alimentos específicos que a pessoa vai buscar. A compulsão alimentar é diferente: envolve perda total de controlo e grandes quantidades sem gatilho claro. Se a vontade aparece sempre nos mesmos contextos emocionais e em alimentos específicos, provavelmente é fome emocional.

Como perder a vontade excessiva de comer doces?

Começa por garantir refeições completas ao longo do dia. Sem isso, o corpo vai buscar açúcar à noite para compensar. Depois, olha para o stress e para o sono, porque são eles que puxam os cravings mais do que a falta de força de vontade.

Tenho vontade de comer doces todos os dias, o que pode ser?

Pode ser simplesmente o teu dia a dia: pouca proteína, pouca fibra e muito stress acumulado. Antes de pensar que és tu que falhas, vale a pena olhar para o que comeste e para o que sentiste nas horas antes dessa vontade aparecer.

Como cortar a vontade de comer doces?

Não te preocupes em cortar, mas sim em perceber de onde vem. Comer bem durante o dia, dormir o suficiente e gerir o stress reduzem a vontade muito mais do que qualquer força de vontade à noite.

Tenho vontade de comer doces na TPM, é normal?

Sim, e não tem nada a ver com falta de controlo. Na fase lútea a progesterona sobe, o metabolismo acelera e o corpo pede mais calorias, o que aumenta a vontade de comer doces.

Porque sinto tanta vontade de comer doces?

Muitas vezes é o cansaço do dia a pedir alívio rápido, e o açúcar dá exatamente essa sensação de conforto. É o teu sistema nervoso a pedir uma pausa.

A menopausa aumenta a vontade de comer doces?

Sim. As oscilações hormonais desta fase mexem com a serotonina e com a forma como o corpo gere a energia, e isso traduz-se muitas vezes em mais vontade de açúcar.

Ep.74 –  Fazer dieta emagrece? A resposta honesta (e o que ela implica)

Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Junho 5, 2026
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Resumo do Episódio

Fazer dieta emagrece? A resposta curta

Sim. A maioria das dietas produz resultados a curto prazo. Se reduzes o que comes, o corpo responde e o peso desce. O problema não está em emagrecer com uma dieta. Está no que acontece a seguir.

E é exactamente sobre isso que raramente se fala, porque ninguém vende “o que acontece depois da dieta acabar“.

Porque é que fazer dieta emagrece no início

Qualquer redução calórica suficiente produz uma perda de peso. O corpo entra em défice calórico e começa a usar as reservas. As primeiras semanas funcionam quase sempre, e às vezes muito bem.

O que também acontece nessas primeiras semanas é que a motivação está alta, a força de vontade aguenta, e ainda não houve nenhum jantar de aniversário, nenhum fim-de-semana fora de rotina ou nenhum dia em que os miúdos ficaram doentes e o plano desmoronou todo.

A dieta funciona enquanto a vida coopera. O problema é que a vida raramente coopera durante muito tempo.

Então, se fazer dieta emagrece, porque é que quase toda a gente volta ao peso inicial?

A dieta ensina a seguir um plano. Não ensina a viver sem ele.

Enquanto há uma folha com o que comer, há segurança. Quando essa folha acaba – porque chegaste ao peso que querias, porque enjoaste, porque a rotina mudou -, fica um vazio enorme. O que é que faço agora? Incluo o quê? Tiro o quê? Quanto?

É aqui que quase toda a gente volta ao que conhecia antes. E os hábitos antigos trazem o peso de volta.

O que acontece ao corpo quando o ciclo de fazer dietas para emagrecer se repete

O organismo não é passivo nisto. Quando fica muito tempo a receber menos do que precisa, adapta-se, começa a gastar menos energia em repouso e a acumular mais reservas. É uma resposta de sobrevivência. O corpo não sabe que estás a fazer uma dieta; sabe que está a receber menos, e protege-se.

O resultado prático: a primeira vez que fizeste uma dieta, funcionou bem. Perdeste peso com alguma facilidade. Se há dez anos essa abordagem tirou 5 kg em seis semanas, a mesma abordagem hoje pode não tirar nada e a maioria das pessoas culpa a idade ou o metabolismo preguiçoso, sem perceber que foi a repetição de restrições que criou esse padrão.

O que acontece à cabeça quando a dieta falha outra vez

A parte que se vê menos é o impacto psicológico. Quando a dieta está a correr bem, tudo parece melhor. A disposição melhora, a roupa assenta melhor, há mais energia, parece que até as coisas do trabalho correm melhor, há uma sensação de controlo.

Quando a dieta começa a falhar (e falha, porque os planos rígidos partem à primeira mudança de rotina), a queda é na mesma proporção. Frustração, sensação de incapacidade, desconforto com o corpo, e quase sempre a conclusão de que o problema é a pessoa e não a abordagem.

Qual é a parte mais cruel disto? A pessoa vê outras a conseguir manter. Mas não se questiona o que é que essas pessoas estão a fazer de diferente. Assume que a diferença é ela.

E quanto mais este ciclo se repete, mais se sedimenta essa crença. Cada tentativa que falha é mais uma prova de que não é capaz.

O que fazer dieta ensina vs. o que não te ensina

O que a dieta ensina O que a dieta não ensina O que aprendes na BMFIT
Seguir um plano alimentar Comer sem plano e sem entrar em pânico ✔ Fazer escolhas conscientes em qualquer contexto
O que comer às 13h de terça O que fazer no jantar de aniversário ✔ Como adaptar sem sentir que estragas tudo
Quanto pesa cada alimento Como adaptar quando a rotina muda ✔ Comer fora de rotina sem perder o rumo
Quais os alimentos proibidos Como substituir sem perder os resultados ✔ Comer o que gostas com critério, não com culpa
Chegar ao peso desejado Ficar no peso desejado ✔ Manter os resultados porque aprendeste a decidir

O que a maioria das dietas para emagrecer não ensina

Flexibilidade. E autonomia.

Um plano alimentar ensina a seguir regras. Mas as regras são para quando a vida corre nos carris, e a vida raramente corre assim.

Uma das perguntas que fazemos sempre a quem chega até nós: “Consegues imaginar-te a fazer isto para o resto da tua vida?” Se a resposta for não, a abordagem não vai funcionar a longo prazo. 

Há dietas que não são restritivas mas que criam outro tipo de dependência: batidos, suplementos específicos, produtos com nome. A pessoa não passa fome, mas também não aprende nada. Se tira aquele produto do pequeno-almoço, entra em pânico. A lógica é a mesma: depende de algo de fora para manter os resultados, e nunca ganha a autonomia para se adaptar quando a vida muda.

E a vida muda sempre. A rotina do trabalho muda. Os filhos crescem e os horários mudam. Aparece um Covid e de repente toda a gente está em casa. Qualquer plano demasiado rígido parte exactamente nessas alturas, e é nessas alturas que as pessoas desistem, convictas de que o problema é a falta de força de vontade.

Quando fazer dieta até resulta: o momento mais perigoso

Há um cenário de que se fala muito pouco: o de quem chegou ao objetivo.

A pessoa fez a dieta, perdeu os quilos que queria, chegou ao peso que tinha em mente. E depois? Larga tudo. Os hábitos restritivos não se mantêm por definição: eram temporários, custavam esforço, e agora que o objetivo foi atingido, parece que já não são precisos.

Passados uns meses, o peso volta. Às vezes volta tudo. Às vezes volta mais do que havia antes.

É irónico: a dieta “bem-sucedida”, aquela que funcionou, que deu os resultados que se queriam, pode ser o maior gatilho para o próximo ciclo de ioiô. Porque fazer dieta ensinou a pessoa a chegar ao objetivo, mas não a ensinou a ficar lá.

Infográfico em português com o título “Fazer dieta emagrece? A resposta honesta (e o que ela implica)”, explicando que fazer dieta pode levar à perda de peso no curto prazo, mas que resultados sustentáveis dependem de hábitos alimentares, consistência, sono, atividade física e bem-estar mental.

O que muda quando deixas de fazer dieta para emagrecer

A diferença está em aprender a comer em vez de aprender a seguir uma folha.

Quando perguntas a alguém que conseguiu manter os resultados como é que gere um jantar fora de casa, a resposta não é “não vou” nem “peço só uma salada”. É: sabe o que vai escolher, sabe como equilibrar, e no dia a seguir continua exatamente na mesma.

Vamos ver o exemplo da Joana: ela chegou até nós desacreditada. Era “mais uma tentativa”. Tinha tentado antes, tinha falhado antes, e estava no ponto em que a maioria das pessoas já desistiu de tentar. O que a fez reconsiderar foi perceber que o que fazíamos era diferente: não era um plano para seguir, era ensinar a decidir. Hoje não segue nenhum plano alimentar. Sabe fazer escolhas, sabe adaptar, e come uma pizza quando quer, sem culpa e sem desfazer nada.

É isto que muda. A comida deixa de ser um campo minado. A pessoa consegue sair para jantar sem entrar em pânico, consegue lidar com uma semana de loucos sem sentir que perdeu tudo, e consegue manter os resultados porque percebeu como funciona, não porque seguiu uma folha até conseguir.

Perguntas Frequentes

Fazer dieta emagrece?

Fazer dieta para emagrecer funciona a longo prazo?

A maioria das dietas produz resultados a curto prazo, mas como fazer a manutenção desses resultados Quando a dieta acaba, voltam os hábitos antigos e o peso volta com eles. O que funciona a longo prazo é aprender a comer de forma flexível, sem depender de um plano rígido que não aguenta os imprevistos do dia-a-dia.

Por que volto sempre ao peso que tinha depois da dieta?

Porque a dieta ensinou-te a seguir regras, não a viver sem elas. Assim que o plano acaba, não sabes o que fazer e voltas ao que conhecias. A única forma de ficar nos resultados é perceber como funciona a alimentação para ti e conseguires adaptar em qualquer contexto, não só quando tudo está controlado.

O efeito ioiô estraga mesmo o metabolismo?

Repetir ciclos de restrição faz com que o corpo se adapte a gastar menos energia em repouso, é uma resposta de sobrevivência normal. O que isto significa na prática é que a mesma abordagem que funcionou há cinco ou dez anos pode já não ter o mesmo efeito. O organismo aprendeu a viver com menos. Não é o fim do mundo, mas é um bom argumento para parar de andar neste ciclo.

É possível emagrecer sem fazer dieta?

Depende do que entendes por dieta. Se significa restrição, proibições e uma folha para seguir à risca, sim, é possível emagrecer sem isso. Se significa comer de forma consciente e equilibrada, aprender a fazer escolhas, e saber adaptar quando a rotina muda: isso é o único caminho que funciona a longo prazo.

Só fazer dieta emagrece?

A curto prazo, sim. A longo prazo, raramente. Emagrecer só com base numa dieta rígida costuma funcionar enquanto a força de vontade aguenta, e depois falha assim que a rotina muda, quando aparece o stress ou simplesmente quando a pessoa se cansa de estar sempre a controlar tudo. É por isso que tantas mulheres perdem peso, recuperam, perdem outra vez, e sentem que o problema são elas. O problema é depender só de uma dieta. Treino, hábitos que se sustentam no tempo e trabalho sobre a relação com a comida é o que faz a diferença entre perder peso uma vez e nunca mais teres de “recomeçar”.

Fazer dieta sem exercício emagrece?

Sim, é possível perder peso só com alimentação. O défice calórico é o que determina se perdes gordura, e isso consegue-se só pela comida. Mas há uma diferença grande entre perder peso e perder peso bem. Sem treino, perdes massa muscular junto com a gordura, o que deixa o corpo mais “mole”, o metabolismo mais lento, e torna muito mais fácil recuperar o peso a seguir. O treino, principalmente o de força, é o que garante que aquilo que perdes é gordura e não o músculo que tanto custou a manter.

Fazer dieta só durante a semana emagrece?

Pode até fazer-te perder peso durante uns tempos, mas raramente é sustentável. O problema não é comeres melhor de segunda a sexta. É o fim de semana ser tão descontrolado que anula o que fizeste durante a semana toda. Muitas mulheres vivem neste ciclo: rigidez de segunda a sexta, descontrolo ao sábado e domingo, e depois a sensação de estar sempre a recomeçar. Não tens de escolher entre ser rígida ou ser descontrolada. É possível construir hábitos que aguentem os sete dias, incluindo o fim de semana, sem ser preciso viver em modo de sobrevivência.

Ep.73 –  Qual a melhor dieta para emagrecer?

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Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Filipe Simões
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Publicado Junho 3, 2026
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Resumo do Episódio

Qual a melhor dieta para emagrecer? A resposta direta

A melhor dieta para emagrecer é a que consegues fazer para o resto da tua vida. Não tem nome, não tem marca, e não promete que vais emagrecer 5kg em 2 semanas. O que essa dieta tem é um défice calórico equilibrado, os três macronutrientes na mesa, refeições regulares, e tempo suficiente para funcionar.

Sei que não é a resposta que esperavas. Quando se pesquisa “qual a melhor dieta para emagrecer”, a expectativa é receber uma lista, um plano, um nome. Mas é exactamente essa expectativa que mantém tanta gente a começar e a recomeçar, sem nunca chegar a lado nenhum.

O Filipe Simões afirma: “Eu próprio cresci com excesso de peso. A minha mãe fala ainda hoje das lasanhas congeladas que faziam parte do nosso dia-a-dia. Na altura ninguém falava sobre isto, diz ela.” E é verdade. Não havia informação. Hoje há tanta que o problema passou a ser o oposto.

Porque é que há tanta confusão sobre qual a melhor dieta para emagrecer

Numa hora a ver o telemóvel, uma mulher que está a tentar emagrecer encontra dez dietas diferentes, todas a dizer que são a melhor para ela. O algoritmo não filtra. Entrega o que gerou mais cliques, não o que é mais correto. E o resultado é uma quantidade de informação contraditória que torna quase impossível perceber por onde começar.

O que é irónico é que nunca houve tanta informação disponível sobre alimentação e saúde e o nível de excesso de peso continua a subir. Mais informação não está a resolver o problema.

O que falta não é mais um artigo, mais um podcast, mais um vídeo. O que falta são filtros para perceber qual é a informação fidedigna.

Os dois padrões que resultam de tantas dietas e que travam quase toda a gente

Quando há informação a mais, as pessoas tendem a cair num de dois comportamentos. O primeiro: experimentar tudo. Jejum intermitente durante duas semanas, depois low-carb, depois a dieta do ovo, depois outra qualquer. Nenhuma dura o suficiente para produzir resultados, e a sensação que fica é de que “nada resulta comigo”.

O segundo padrão é o oposto. Tanta opção, tanto ruído, que a pessoa bloqueia completamente e não começa nada. O Filipe Simões revela: “eu próprio já fiquei assim noutros assuntos, quando há informação a mais sobre algo em que ainda não tenho filtros, a tendência é ficar paralisado e não avançar. É o que se chama paralisia por análise. E no emagrecimento acontece muito mais do que as pessoas reconhecem.”

Os dois padrões têm a mesma causa: demasiadas opções, todas a prometer o mesmo, sem nenhum critério claro para escolher.

As dietas com nome que aparecem sempre e o que precisas de saber sobre elas

Há uma regra simples que uso há anos: se a dieta tem um nome, foge.

Dieta carnívora. Jejum intermitente. Low-carb. Keto. Dieta do ovo. Todas têm em comum uma promessa de resultados rápidos e um nome que facilita o marketing. E todas partilham outro traço: aparecem, ganham seguidores, e passam. Como as calças à boca-de-sino. Voltam com outro nome, vendem outra vez, voltam a sair.

Não é coincidência. Quando uma abordagem alimentar genuinamente funciona a longo prazo para a maioria das pessoas, não precisa de ser relançada de três em três anos com um novo nome.

Como identificar se uma dieta vai funcionar a longo prazo?

Critério Sinal de que a dieta não vai funcionar Sinal de que a dieta vai funcionar
Duração Tem data de fim ("faz durante 30 dias") Consegues imaginar-te a fazê-la para sempre
Grupos alimentares Elimina um grupo inteiro (hidratos, fruta, lacticínios) Inclui tudo, mas ajusta quantidades
Velocidade dos resultados Promete resultados em dias ou semanas Resultados progressivos ao longo de meses
Flexibilidade Falhas um dia e sentes que estragas tudo Um dia diferente não desfaz o progresso
Dependência Precisas de um produto, app ou plano para funcionar Sabes decidir sozinha em qualquer contexto
Rotina Só funciona quando a vida está controlada Aguenta uma semana caótica, viagens, jantares fora
Sensação Estás sempre a "aguentar" Comes de forma que consegues manter sem esforço constante

Os erros mais comuns de quem ainda anda à procura da melhor dieta

A maioria dos erros que vejo não são de falta de esforço, são de abordagem. E quase todos têm uma coisa em comum: criam situações em que o corpo fica sem os recursos de que precisa, ou em que a pessoa chega a um ponto de tanta fome ou tanta rigidez que o controlo falha inevitavelmente.

  • Saltar o pequeno-almoço (ou saltar refeições em geral). Chegar ao almoço ou ao jantar com quatro, cinco horas de jejum não planeado significa estar com uma fome que é muito mais difícil de gerir. Come-se mais rápido, come-se mais, e escolhe-se o que é mais imediato.
  • Não incluir proteína suficiente nas refeições. A proteína é o macronutriente que dá mais saciedade e que preserva a massa muscular durante o emagrecimento. Um almoço sem proteína – uma sopa, uma salada sem mais nada -, deixa-te com uma fome a meio da tarde que uma bolacha não resolve.
  • Fazer só cardio e ignorar o treino de força. O cardio gasta calorias no momento. O treino de força muda a composição corporal a longo prazo, e um corpo com mais músculo gasta mais energia em repouso. Focar só num é deixar a outra metade do trabalho por fazer.
  • Acreditar que existem exercícios ou alimentos que eliminam gordura localizada. Não existe nenhum exercício no mundo que faça perder gordura da barriga especificamente. Nem nenhum alimento que queime gordura. Quando vês um vídeo a prometer isso, podes passar à frente, não porque seja controverso, mas porque não é verdade.
  • O padrão de tudo-ou-nada. Um jantar fora que correu menos bem torna-se no “já estraguei tudo“, e a semana vai abaixo. A realidade é que um dia diferente no meio de uma semana consistente não faz diferença nenhuma nos resultados. O que faz diferença é o padrão ao longo do tempo.
  • Trocar de método antes de lhe dar tempo. A maioria das abordagens que funcionam demora mais do que duas semanas a produzir resultados visíveis. Quando a expectativa é ver algo rápido e não acontece, a tendência é concluir que não resulta, quando o problema é a expectativa, não o método.
Infográfico "Qual a melhor dieta para emagrecer" com critérios, erros comuns e dicas da BMFIT

Então qual é a melhor dieta para emagrecer na prática?

A base do emagrecimento cabe em poucas linhas. Défice calórico equilibrado: consumir menos calorias do que gastas, mas de forma pensada, com os nutrientes certos. Os três macronutrientes presentes nas refeições. Consistência durante tempo suficiente para o corpo responder.

O que torna isto difícil não é perceber o conceito. É aplicá-lo a uma vida com filhos, trabalho, cansaço e imprevistos. E é exatamente aí que a maioria das dietas com nome falham, funcionam num papel, mas não sobrevivem a uma semana de caos.

Como escolher uma abordagem e parar de estar perdida

Antes de começar qualquer coisa, há uma pergunta que vale a pena fazer: “Consigo imaginar-me a fazer isto para o resto da minha vida?” Se a resposta for não, mesmo que seja um não hesitante, um “provavelmente não”, então a abordagem não vai funcionar a longo prazo. Pode funcionar um mês. Pode funcionar dois. Mas não vai ficar.

Outro ponto que ajuda muito: filtrar as fontes de informação, não aumentá-las. Seguir menos conteúdo, mas de quem tem formação na área e não só resultados próprios para mostrar. Há uma diferença grande entre alguém que emagreceu e sabe porque emagreceu, e alguém que emagreceu e atribui isso a uma dieta específica.

E há algo que ninguém gosta de ouvir mas que faz toda a diferença: dar tempo. Os resultados de uma abordagem equilibrada não aparecem em duas semanas. Aparecem em dois, três, quatro meses, de forma progressiva e sustentável. Trocar de método antes desse tempo passar é a razão pela qual tantas mulheres chegam até nós com cinco, seis tentativas atrás e a sensação de que “nada resulta comigo”. 

Perguntas Frequentes

Qual a melhor dieta para emagrecer?

Qual a melhor dieta para emagrecer rápido?

A maioria das dietas que prometem resultados muito rápidos conseguem-nos à custa de restrições que não são sustentáveis. Perde-se peso, muitas vezes água e massa muscular, mais do que gordura, e quando a dieta acaba, o peso volta. O emagrecimento que se mantém é mais lento. Um a dois quilos por mês, feito de forma consistente, é mais do que o suficiente para uma transformação real ao longo de seis meses.

O jejum intermitente emagrece?

O jejum intermitente não queima gordura por si só. O que faz é reduzir a janela de tempo em que podes comer. O défice calórico pode acontecer dentro dessa janela ou não. Depende do que comes nessas horas. Por isso não é milagroso: é uma ferramenta, e como qualquer ferramenta, pode ajudar ou não dependendo de quem a usa e como.
Há um grupo para quem o jejum intermitente é claramente desaconselhável: mulheres com episódios de fome emocional, compulsão alimentar, ou uma relação complicada com a comida. Nestes casos, passar horas sem comer potencia exatamente esses padrões, chega-se à hora de comer com uma fome acumulada que é muito mais difícil de gerir. O resultado costuma ser o oposto do que se queria.

O jejum intermitente é a melhor dieta para perder peso?

O jejum intermitente não emagrece por si só, o que faz é reduzir a janela de horas em que comes. O emagrecimento acontece se dentro dessa janela houver défice calórico. Para mulheres com padrões de fome emocional ou compulsão alimentar, o jejum pode piorar esses episódios. Para quem não tem esses padrões e se adapta bem, pode ser uma ferramenta útil. Mas não é mágico nem é para toda a gente.

Posso emagrecer sem cortar hidratos?

Sim. Os hidratos de carbono são a principal fonte de energia do organismo. Cortá-los inteiramente pode produzir resultados a curto prazo, mas cria uma restrição difícil de manter, e assim que os reintroduzires, o peso tende a voltar. O que importa é a quantidade total de calorias e a qualidade das escolhas, não eliminar um macronutriente inteiro.

A dieta carnívora é boa para emagrecer?

A nutricionista Beatriz afirma: “A dieta carnívora preocupa-me não pelo princípio de comer proteína e gordura, mas pela eliminação de tudo o resto. O organismo precisa de vitaminas e minerais que não vêm exclusivamente da carne. Uma alimentação que os exclui por completo vai criar carências, mais tarde ou mais cedo.”
O problema maior é que esta dieta chegou às pessoas com menos literacia nutricional para a avaliar embalada em marketing agressivo, muitas vezes apoiada em estudos pequenos ou mal desenhados que não têm o peso que lhes atribuem. Uma pessoa que não tem ainda ferramentas para questionar o que lê não consegue perceber isso.

Porque é que já tentei tantas dietas e nada funcionou?

Provavelmente porque as abordagens que tentaste tinham em comum duas coisas: uma regra muito rígida que não sobreviveu a uma semana difícil da tua vida, e uma expetativa de resultados rápidos que não apareceram dentro do prazo. Nenhum dos dois é culpa tua. São características das dietas com nome: funcionam enquanto tudo está controlado, não quando há filhos, trabalho e imprevistos. O que resulta a longo prazo é aprender a comer de forma flexível, não a seguir uma folha.

Por onde começo se não sei que dieta seguir?

Na BMFIT já trabalhámos com mais de 300 mulheres. E o objetivo é sempre o mesmo: que saiam do programa autónomas, sem precisar de um plano na mão para manter o que conquistaram.

Se reconheces este ciclo na tua vida, começa por aqui. Olha para a tua abordagem atual e pergunta-te o que é que ela te está mesmo a ensinar. E se aquilo que aprendeste até hoje chega para durar, ou se só funciona enquanto estás a segui-la à risca.

E se sentires que ainda não encontraste a abordagem certa para ti, é aqui que entramos. A equipa BMFIT está do outro lado, pronta para te ajudar a construir algo que finalmente se aguenta.

O que é o défice calórico?

O défice calórico é consumir menos calorias do que o teu corpo gasta. É a base de qualquer processo de emagrecimento, independentemente do nome que lhe ponhas.
O que muda é a qualidade e a composição do que comes dentro desse défice. Os hidratos de carbono são a principal fonte de energia, são o que te faz funcionar ao longo do dia, desde acordar até correr atrás dos miúdos. A proteína preserva a massa muscular e mantém a saciedade entre refeições. A gordura tem um papel importante no equilíbrio hormonal e na absorção de algumas vitaminas. Os três têm de estar presentes. Cortar um deles inteiramente é uma das características de todas as dietas com nome, e é exatamente o que as torna difíceis de manter.

Quantas refeições fazer por dia?

Não há um número certo obrigatório. O que a Beatriz, a nossa nutricionista, recomenda é um mínimo de quatro: pequeno-almoço, almoço, lanche, jantar. Há quem faça sete e funcione bem. O critério não é o número: é não chegar às refeições com fome acumulada que não consegues controlar.
Quando o almoço é às 13h e o jantar é às 20h, sem nada pelo meio, o que acontece entre as 17h e as 20h costuma ser exatamente o que estraga os planos: a bolachinha, o pão, o que aparecer.

Qual a melhor dieta para emagrecer depois dos 40?

Aos 40 o corpo já não responde como respondia aos 25, e continuar a fazer o mesmo de sempre deixa de resultar. O foco tem de ir para a massa muscular, para o sono e para gerir o stress, porque tudo isto influencia diretamente o peso. Comer menos já não chega. É preciso comer melhor, treinar com intenção e dar tempo ao corpo para se adaptar.

Qual a melhor dieta para emagrecer depois dos 50 anos?

Não existe uma dieta especial para os 50. Existe sim uma prioridade que muda: preservar massa muscular, porque a partir desta fase perdes-la mais depressa do que antes. Isso significa comer proteína suficiente em cada refeição e treinar força, pelo menos duas vezes por semana. Cortar calorias sem cuidar disto só te deixa mais fraca e com o metabolismo mais lento.

Qual a melhor dieta para emagrecer e ganhar massa muscular?

Aqui o segredo está na proteína e no treino de força. Precisas de comer o suficiente para o corpo ter material para construir músculo, mesmo estando em défice calórico. E o treino tem de desafiar os músculos de forma consistente, semana após semana. Sem isto, perdes peso, mas perdes também aquilo que te dá forma e força.

Ep.71 – Sensação de fome mesmo depois de comer e a relação emocional com a comida

Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Maio 28, 2026
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Resumo do Episódio

3 razões pelas quais sentes fome mesmo depois de comer

A sensação de fome que não passa, mesmo depois de comer, tem quase sempre uma de três origens. Fome física que ficou acumulada ao longo do dia. Fome hormonal, ligada à fase do ciclo menstrual. Ou fome emocional, que é a menos comum das três, mas a que toda a gente assume ter. Confundir as três é o erro mais frequente. E leva a soluções que não resolvem nada porque estão a tratar a causa errada.

Comos distinguir os 3 tipos de fome?

🥐Tipo de Fome 🔍O que está a acontecer 👉🏽Como se distingue
Fome física acumulada O corpo ficou sem energia suficiente durante o dia porque saltaste refeições, comeste pouca proteína ou empurraste a fome com trabalho. Aparece sobretudo ao fim do dia; desaparece quando passas a comer regularmente ao longo do dia.
Fome hormonal Na fase lútea (2 semanas antes do período), o metabolismo acelera e o corpo precisa de mais calorias. Coincide com a fase pré-menstrual; vem com cravings por doces e alimentos calóricos; é cíclica e previsível.
Fome emocional A comida é usada para regular emoções intensas, sejam positivas ou negativas, quando não há outras estratégias disponíveis. Surge em resposta a situações emocionais; a pessoa consegue parar quando quer; vem com culpa a seguir.

A fome física que ficou acumulada gera esta sensação de fome mesmo depois de comer

A maioria das mulheres que chega até nós convicta de que “tem fome emocional” e que “não consegue controlar” simplesmente não comeu o suficiente durante o dia.

Mãe ocupada com trabalho e filho à mesa, sem tempo para comer, exemplo de fome física ligada à sensação de fome mesmo depois de comer

À noite, quando as tarefas acabam e o nível de stress desce, o corpo finalmente tem espaço para se fazer ouvir. E faz-se ouvir com força. Parece descontrolo ou fraqueza, mas é mesmo só uma acumulação de 8 horas de fome.

Tivemos uma aluna que trabalhava numa posição de chefia com uma pressão muito elevada, conta-nos a psicóloga Ana Alves. Chegava a casa e a descrição dela era sempre a mesma: “ataco o frigorífico e não consigo controlar.” Tinha a certeza de que o problema era emocional. Quando fomos ver o que tinha comido durante o dia, o quadro era claro: um almoço rápido em cima da secretária, sem proteína, e depois nada até chegar a casa.

O que fizemos foi simples: 

  • Começar a acordar 10 minutos mais cedo para preparar um smoothie que bebia no carro a caminho do trabalho;
  • Incluir proteína no almoço;
  • Fazer 2 lanches rápidos que podia comer sem parar de trabalhar: um iogurte líquido, uma barra de proteína, coisas que não implicavam sentar nem parar. 

A fome de fim de dia desapareceu sem ser necessária terapia, sem trabalho emocional. Só com nutrição.

Porque é que a sensação de fome mesmo depois de comer acontece mais à noite?

Mulher come à noite na cozinha: no acompanhamento online fitness há um maior controle da fome emocional

Aqui há 2 razões principais:

  • Durante o dia as tarefas ocupam a atenção e funcionam como distração dos sinais de fome. Quando o dia acaba, o corpo deixa de ter competição.
  • A capacidade de controlo não é ilimitada. Ao longo de um dia de trabalho, de decisões, de lidar com os filhos e com imprevistos, essa capacidade vai-se gastando. No final do dia já não tens a mesma reserva que tinhas de manhã. O impulso ganha força exactamente quando a bateria está mais baixa.

Por isso é que trabalhar “a vontade de comer à noite” é quase sempre ineficaz. O problema começou antes, mais cedo durante o dia.

Sensação de fome mesmo depois de comer? O ciclo menstrual pode ser a explicação

Durante as duas semanas antes da menstruação – a fase lútea -, o metabolismo da mulher acelera. O corpo está a preparar-se para a menstruação e gasta mais energia nesse processo.

O que acontece na prática: o corpo pede mais energia, e vai buscá-la nos alimentos mais calóricos como o chocolate, doces ou salgados. A progesterona está mais elevada, há mais retenção de líquidos, mais inchaço, e o peso sobe um pouco. É tudo normal.

O problema é quando essa fome toda é interpretada como fome emocional ou falta de controle. Não é. É o metabolismo a fazer o seu trabalho. Quando as mulheres que acompanhamos percebem isto, alguma coisa muda. Percebem que não são fracas naqueles dias. Que o corpo está a pedir o que precisa. E aí conseguem responder de forma consciente: reforçar a proteína, ter opções mais equilibradas à mão, e permitir-se comer um pouco mais sem culpa.

Algumas sinais práticos de que pode ser fome hormonal:

  • A fome aumentada é cíclica e acontece sempre mais ou menos nos mesmos dias do mês;
  • Vem acompanhada de inchaço, sensibilidade mamária ou mudanças de humor;
  • Os cravings são sobretudo por doces ou por alimentos muito calóricos;
  • Passa quando começa a menstruação

Sensação de fome mesmo depois de comer? Percebe o que é (e o que não é) fome emocional

Fome emocional é usar a comida para regular emoções intensas. Quando estás ansiosa, preocupada, triste, entediada ou até muito feliz, e o impulso é ir buscar comida para aliviar ou escapar desse estado. A chave está nas emoções intensas. 

Comer um gelado quando estás cansada não é fome emocional. Petiscar umas bolachas enquanto vês televisão não é fome emocional. Isso é comer. Faz parte da vida de qualquer pessoa com uma relação razoavelmente equilibrada com a comida.

Computador com capa do ebook Fome emocional como controlar protocolo SOS, do programa de emagrecimento BodyMindFit, elaborado pela psicóloga Ana Alves OPP 26414

Fome emocional e compulsão alimentar não são a mesma coisa

A compulsão alimentar é uma perturbação clínica com características muito específicas. Na compulsão, a pessoa perde o controlo sobre o que está a comer. O comportamento começa de forma automática, muitas vezes com pouca consciência. A pessoa só para quando o alimento acaba, quando chega alguém, ou quando está desconfortavelmente cheia. A frequência e a intensidade são muito maiores do que num episódio de fome emocional.

Nas redes sociais fala-se tanto de fome emocional que toda a gente passou a achar que a tem. E há um problema com isso. Se acreditares que tens uma relação emocional perturbada com a comida, o teu cérebro vai confirmar essa crença. Sempre que sentires algo intenso, a primeira resposta vai ser a comida porque é isso que uma pessoa “com fome emocional” faz. A identidade cria o comportamento.

Quando as nossas alunas chegam com este auto-diagnóstico, a primeira coisa que fazemos é perceber se estamos mesmo a falar de fome emocional, de fome física acumulada, de fome hormonal, ou simplesmente de comer como qualquer pessoa come.

Como é que a fome emocional se desenvolve

Desde muito cedo, a comida tem um papel afetivo na nossa cultura. Quando estamos doentes comemos uma canja. Quando nos portamos bem na escola, temos direito a um gelado. Nos dias de festa é comer tudo e mais alguma coisa. O cérebro aprende, desde pequenino, que a comida traz conforto e prazer.

Quando não se constroem outras formas de regular as emoções, tais como respirar, mover o corpo, falar com alguém ou descansar, a comida fica como a estratégia principal disponível. Sempre que surge uma emoção intensa e desconfortável, o cérebro vai direto ao que aprendeu que funciona.

Aquilo que geralmente interpretamos como fraqueza, muitas vezes é só o nosso cérebro a funcionar no automático, a ir direto ao que funciona. A boa notícia é que o que se aprende pode ser desaprendido, mas precisa de ser trabalhado, não ignorado.

Infográfico

Porque ir à raiz desta sensação de fome mesmo depois de comer importa mais do que controlar o impulso

Há muitas estratégias para lidar com o impulso de comer: esconder os alimentos em sítios menos acessíveis, fazer uma pausa de dois minutos antes de ir ao frigorífico, beber água primeiro. Essas estratégias podem ajudar. Mas se a causa raiz não for tratada, o impulso volta, especialmente quando a vida se complica.

Em consulta, o trabalho começa sempre por identificar o padrão da pessoa. Em que situações come fora das refeições? Que emoção estava a sentir? O que estava a fazer? O que tinha à volta? Este registo de automonitorização não é para julgar ninguém, é mesmo para conhecer. E quase sempre, o padrão que aparece acaba por surpreender.

Se o trabalho tivesse sido só “controla o impulso quando estiveres entediada”, iria funcionar até ao próximo momento de tédio. Como a raiz foi identificada, foi possível trabalhar algo diferente: criar atividades de autocuidado para esses momentos, coisas que ela gostava e que não fazia há anos. Os momentos de “não fazer nada” tornaram-se menos insuportáveis. O impulso de comer nesses momentos diminuiu.

Mulher a comer pão com as mãos, imagem sobre fome emocional e sensação de fome mesmo depois de comer

Há uma ferramenta que usamos com frequência neste processo: a linha da vida do corpo. Pedimos às pessoas que mapeiem os momentos da vida em que houve ganho ou perda de peso significativos. O que aparece quase sempre é um padrão: os mesmos tipos de situações, tais como as separações, mudanças de trabalho, perdas ou pressão acumulada vêm associados aos maiores ganhos de peso. Ver esse padrão muda a perspectiva. O peso deixa de parecer aleatório e passa a ter uma história. E quando tem uma história, começamos a poder encontrar as soluções.

O que podes fazer hoje para começares a identificar a causa da tua sensação de fome mesmo depois de comer

Antes de concluir que tens falta de controlo, vale a pena perceber qual das três fomes está a acontecer. Começa pelo mais simples: 

  • Faz pelo menos quatro refeições por dia, todas com proteína presente. Pequeno-almoço, almoço, lanche, jantar. Sem saltar.
  • Não saltes o lanche da tarde. Entre o almoço e o jantar há muitas vezes quatro a cinco horas. Chegar ao jantar com essa fome acumulada torna o descontrolo quase inevitável.
  • Durante uma semana, observa em que situações comes fora das refeições. Sem julgamento, observa só. Que horas são? O que sentias? O que estavas a fazer? 
  • Verifica em que fase do ciclo estás quando a fome aumenta. Se é sempre nas mesmas semanas do mês, pode ser hormonal, e saber isso muda a forma como respondes.
Perguntas Frequentes

Sensação de fome mesmo depois de comer

Porque tenho uma fome que não passa mesmo depois de comer bem?

A fome que persiste depois de comer pode ter várias causas. A mais comum é estares a comer pouca proteína. A proteína é o macronutriente que mais contribui para a saciedade, e uma refeição sem ela deixa fome mais cedo. Outra causa frequente é não comer o suficiente ao longo do dia e estar a acumular fome sem perceber. Se a fome é constante e não se resolve com refeições regulares e proteína suficiente, vale a pena avaliar com um profissional.

Porque como mais antes do período?

Durante a fase lútea (as 2 semanas antes da menstruação), o metabolismo da mulher acelera e o corpo precisa de mais energia para se preparar para a menstruação. Isso traduz-se em mais apetite, sobretudo por alimentos calóricos. Parece falta de controlo, mas é o corpo a pedir o combustível de que precisa. Saber isto permite responder de forma consciente: reforçar a proteína, ter opções equilibradas à mão, e não entrar em loops de culpa nos dias em que comes um pouco mais.

Como parar de comer à noite sem fome?

A solução para o descontrolo à noite quase nunca está à noite. Começa por perceber o que comeste durante o dia: fizeste todas as refeições? Tinhas proteína no almoço e no lanche? Se não, o corpo está a cobrar à noite o que não recebeu durante o dia. Garante quatro refeições regulares com proteína e observa se o padrão de fim de dia muda. Se mesmo assim o impulso de comer à noite persistir, sobretudo em resposta a situações emocionais, pode valer a pena trabalhar esse padrão com um profissional.

Ep.70 –  Ozempic e Mounjaro para emagrecer: o que fazem, os riscos e o que acontece quando paras

Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Maio 27, 2026
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Resumo do Episódio

O que são o Ozempic e o Mounjaro?

O Ozempic, o Mounjaro e os seus equivalentes são fármacos agonistas da GLP-1: imitam uma hormona que o corpo já produz sozinho no intestino quando comemos, e que influencia tanto o sistema digestivo como o sistema cognitivo. Não inventam nada de novo, amplificam algo que já existe.

Foram desenvolvidos originalmente para a diabetes tipo 2, para ajudar a regular os picos de açúcar no sangue. Foi com o uso que se percebeu o efeito secundário: as pessoas emagreciam. Daí nasceu o interesse em estudar estes fármacos também para o tratamento da obesidade.

Ozempic vs. Mounjaro: em que é que são diferentes?

Características Ozempic Mounjaro
Princípio ativo Semaglutida Tirzepatida
Recetores que ativa GLP-1 GLP-1 + GIP (duplo)
Indicação original Diabetes tipo 2 Diabetes tipo 2
Perda de massa magra associada Parte considerável do peso perdido, em média Tendencialmente semelhante ou um pouco superior

O que é a GLP-1 e como afeta o apetite?

A GLP-1 tem três funções principais:

  • Regula o açúcar no sangue
  • Aumenta o tempo de esvaziamento gástrico: a comida demora mais tempo a sair do estômago e a passar para o intestino
  • Aumenta a saciedade e reduz a sensação de fome

Estes fármacos imitam essa hormona e potenciam os três efeitos ao mesmo tempo. A pessoa acaba a comer menos calorias do que gasta, quase sem esforço consciente, e isso é o tão desejado défice calórico: a lei da termodinâmica não muda. O fármaco não derrete gordura nem acelera o metabolismo, apenas cria as condições para comer menos.

Uma das razões pelas quais estes fármacos resultam tão bem é a motivação constante. Num processo de emagrecimento, os primeiros três meses costumam ser onde mais gente desiste, precisamente quando a motivação inicial se esgota antes dos resultados aparecerem. Com o apetite reduzido pelo fármaco, a perda de peso é mais constante, e isso sustenta a motivação de uma forma que fazer tudo sozinha, só com mudança de hábitos, normalmente não consegue no mesmo ritmo. Não torna o processo fácil, continua a haver efeitos a gerir, mas ajuda a manter a pessoa no processo.

Quais são os efeitos secundários do Ozempic e do Mounjaro?

Os mais comuns e mais relatados são gastrointestinais, sobretudo no início do tratamento:

  • Náuseas
  • Vómitos
  • Diarreia
  • Obstipação

Há mulheres que não sentem praticamente nada disto. Há outras que reportam que, com elas, o tratamento simplesmente não resultou, ou que o abandonaram exatamente por causa destes efeitos, porque são demasiados para gerir no dia a dia.

Há ainda um risco indireto: o de ficar dependente do fármaco sem nunca ter respondido à pergunta “o que é que vai sustentar estes resultados quando eu parar?”. Se a resposta não existir, o problema só está adiado.

Qual o maior risco conhecido do Ozempic e Mounjaro?

A perda de massa muscular.

Quando a perda de peso é rápida, o corpo vai buscar energia a tudo o que tem, não só à gordura. Uma parte considerável do peso perdido tende a ser massa muscular, sobretudo sem acompanhamento nutricional ou treino de força. Essa perda acontece de qualquer forma, mesmo com acompanhamento, só que é maior sem ele.

Vale a pena separar os dois números: o peso na balança e a gordura em si não são a mesma coisa. Uma pessoa com 80 ou 90 kg não tem 80 ou 90 kg de gordura. Tem massa muscular, órgãos, água retida, muito mais do que só tecido adiposo. O que interessa perder é gordura, não peso a direito, e a balança ou o IMC nem sempre mostram essa diferença.

Treino de força em casa, alternativa a Ozempic e Mounjaro para emagrecer

Para a mulher, depois dos 30, isto pesa muito além da estética:

  • A massa muscular já se perde a um ritmo mais acelerado do que nos homens a partir desta idade;
  • Esse ritmo agrava-se na perimenopausa e na menopausa, com a sarcopenia;
  • Menos massa muscular aumenta o risco de doenças cardiovasculares, e também de Alzheimer e Parkinson;
  • Ter mais massa muscular ajuda a prevenir estas doenças, além de dar mais força e vitalidade no dia a dia.

O Filipe Simões comenta: “Tenho pensado muito nisto desde que li sobre o Chuck Norris. Morreu aos 86 anos, mas aos 85 ainda fez uma das caminhadas mais exigentes dos Estados Unidos. Um ano antes de morrer, tinha essa capacidade física. Isso não acontece por acaso, acontece quando se passa a vida toda a preservar e a trabalhar o músculo. Depois olho para a minha avó, praticamente da mesma idade. Há seis ou sete anos que se move muito pouco e já depende de outras pessoas para o dia a dia. É a mesma faixa etária, mas a qualidade de vida é completamente diferente.”

Não se trata só de chegar mais longe. Trata-se de como se vai chegar lá.

O que reduz este risco durante o tratamento é o treino de força e proteína suficiente na alimentação. Se a ingestão de proteína for baixa, a perda muscular que já é esperada, torna-se ainda mais difícil de travar.

Porque é que a maioria recupera o peso quando termina o tratamento com Ozempic ou Mounjaro?

Há ainda poucos estudos de longo prazo sobre estes fármacos, exatamente porque são recentes. Mas os que existem apontam na mesma direção: uma grande percentagem das pessoas recupera o peso depois de terminar o tratamento, com valores citados a rondar os 60% num ano.

O tratamento elimina o sintoma – o excesso de peso -, mas não vai à causa que levou a pessoa a chegar à obesidade. Essa causa pode ser:

Se nenhum destes aspetos for trabalhado em paralelo com o tratamento, é quase garantido que o peso volta assim que o medicamento termina, porque as causas continuam lá. Os alimentos que são gatilhos continuam no mesmo sítio em casa. Enquanto o fármaco está ativo, a pessoa não sente vontade de lhes tocar, mas eles não desaparecem só porque o apetite está suprimido.

A Ana Alves, psicóloga da equipa BMFIT, costuma explicar isto através da questão da identidade. A pessoa sabe, lá dentro, que é o fármaco que está a sustentar a perda de peso, e continua a ver-se como “a pessoa que não sabe controlar-se com a alimentação“, porque essa identidade nunca foi trabalhada. Ela prefere não chamar a isto estabilidade: estabilidade é ter estrutura e segurança próprias. Estar sob o efeito do fármaco sem mudar mais nada é mais parecido com estar dentro de uma redoma: protegida, com os problemas lá fora, sem lhe chegarem. Quando se sai da redoma, está tudo exatamente igual.

Quando é que faz sentido usar o Ozempic ou o Mounjaro?

A obesidade é uma doença. Em casos de obesidade mórbida, com morbilidades associadas e risco de vida, pode fazer todo o sentido recorrer a estes fármacos desde o início, para reduzir esse risco enquanto se constrói o resto.

Enquanto o apetite está reduzido, é a janela de oportunidade ideal para aprender a comer bem, sobretudo para quem tem impulsos alimentares difíceis de gerir. É o momento certo para introduzir proteína na quantidade certa, estruturar as refeições e começar a mexer mais o corpo, sem o esforço parecer tão grande.

Fora destes casos, para quem só quer perder alguns quilos, sem obesidade nem risco de saúde associado, os riscos tendem a pesar mais do que o benefício de curto prazo:

  • Perda de massa muscular;
  • Reganho de peso quando o tratamento termina;
  • Ficar dependente do fármaco sem nunca ter mudado o que trouxe a pessoa até ali.
Infográfico Ozempic e Mounjaro: como atuam no organismo, efeito no apetite e risco de perda de massa muscular

O que fazer se estás a considerar o Ozempic ou o Mounjaro

Se estás a pensar nestes fármacos, a pergunta mais honesta que podes fazer é: o que está por resolver na tua relação com a alimentação?

É essa relação, os gatilhos, os padrões de comportamento, que vai determinar o resultado a longo prazo, com o fármaco ou sem ele. O fármaco pode reduzir o apetite. Mas não resolve:

  • O hábito de comer por stress quando chegas a casa destruída depois de um dia de trabalho e filhos
  • O piloto automático à noite
  • A culpa que vem a seguir

É com mais de 300 mulheres que já acompanhámos que vemos este padrão repetir-se: quem trabalha a relação com a comida mantém os resultados. Quem só suprime o apetite, volta ao ponto de partida quando o efeito passa. Não é fácil, mas é o único caminho com resultados que ficam.

Este artigo tem fins informativos e não substitui aconselhamento médico. Qualquer decisão sobre medicação deve ser tomada com um médico.

Perguntas Frequentes

Ozempic e Mounjaro

O Ozempic funciona mesmo para emagrecer?

Funciona. O mecanismo está comprovado: imita uma hormona que regula o açúcar no sangue, abranda a digestão e aumenta a saciedade, e a pessoa cria um défice calórico ao comer menos. O que não faz é queimar gordura diretamente ou alterar o metabolismo.

Quais são os efeitos secundários do Ozempic?

Os mais comuns são náuseas, vómitos, diarreia e obstipação, sobretudo no início do tratamento. O risco mais conhecido é a perda de massa muscular, que tende a agravar-se sem treino de força nem proteína suficiente na alimentação.

O que acontece quando se para de tomar Ozempic?

O apetite regressa. Se durante o tratamento não houve mudança de hábitos ou da relação com a comida, o peso tende a voltar. Os dados disponíveis, ainda escassos por ser um fármaco recente, apontam para uma grande percentagem de pessoas a recuperar o peso perdido dentro de um ano.

Posso tomar Ozempic sem ser diabética?

A indicação original é para diabetes tipo 2. A aprovação para obesidade veio depois. A decisão de prescrever ou não o medicamento deve ser sempre tomada por um médico, nunca uma escolha para tomar sozinha.

O Ozempic causa perda de músculo?

Sim, há esse risco, especialmente em perdas de peso rápidas e sem acompanhamento. O que reduz esse risco é treino de força durante o tratamento e ingestão adequada de proteína.

Ep.67 –  A verdade sobre manter a dieta ao fim de semana (e porque falha tantas vezes)

Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Publicado Maio 24, 2026
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Resumo do Episódio