Ep.74 –  Fazer dieta emagrece? A resposta honesta (e o que ela implica)

Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Junho 5, 2026
Tempo de leitura — min

Resumo do Episódio

Fazer dieta emagrece? A resposta curta

Sim. A maioria das dietas produz resultados a curto prazo. Se reduzes o que comes, o corpo responde e o peso desce. O problema não está em emagrecer com uma dieta. Está no que acontece a seguir.

E é exactamente sobre isso que raramente se fala, porque ninguém vende “o que acontece depois da dieta acabar“.

Porque é que fazer dieta emagrece no início

Qualquer redução calórica suficiente produz uma perda de peso. O corpo entra em défice calórico e começa a usar as reservas. As primeiras semanas funcionam quase sempre, e às vezes muito bem.

O que também acontece nessas primeiras semanas é que a motivação está alta, a força de vontade aguenta, e ainda não houve nenhum jantar de aniversário, nenhum fim-de-semana fora de rotina ou nenhum dia em que os miúdos ficaram doentes e o plano desmoronou todo.

A dieta funciona enquanto a vida coopera. O problema é que a vida raramente coopera durante muito tempo.

Então, se fazer dieta emagrece, porque é que quase toda a gente volta ao peso inicial?

A dieta ensina a seguir um plano. Não ensina a viver sem ele.

Enquanto há uma folha com o que comer, há segurança. Quando essa folha acaba – porque chegaste ao peso que querias, porque enjoaste, porque a rotina mudou -, fica um vazio enorme. O que é que faço agora? Incluo o quê? Tiro o quê? Quanto?

É aqui que quase toda a gente volta ao que conhecia antes. E os hábitos antigos trazem o peso de volta.

O que acontece ao corpo quando o ciclo de fazer dietas para emagrecer se repete

O organismo não é passivo nisto. Quando fica muito tempo a receber menos do que precisa, adapta-se, começa a gastar menos energia em repouso e a acumular mais reservas. É uma resposta de sobrevivência. O corpo não sabe que estás a fazer uma dieta; sabe que está a receber menos, e protege-se.

O resultado prático: a primeira vez que fizeste uma dieta, funcionou bem. Perdeste peso com alguma facilidade. Se há dez anos essa abordagem tirou 5 kg em seis semanas, a mesma abordagem hoje pode não tirar nada e a maioria das pessoas culpa a idade ou o metabolismo preguiçoso, sem perceber que foi a repetição de restrições que criou esse padrão.

O que acontece à cabeça quando a dieta falha outra vez

A parte que se vê menos é o impacto psicológico. Quando a dieta está a correr bem, tudo parece melhor. A disposição melhora, a roupa assenta melhor, há mais energia, parece que até as coisas do trabalho correm melhor, há uma sensação de controlo.

Quando a dieta começa a falhar (e falha, porque os planos rígidos partem à primeira mudança de rotina), a queda é na mesma proporção. Frustração, sensação de incapacidade, desconforto com o corpo, e quase sempre a conclusão de que o problema é a pessoa e não a abordagem.

Qual é a parte mais cruel disto? A pessoa vê outras a conseguir manter. Mas não se questiona o que é que essas pessoas estão a fazer de diferente. Assume que a diferença é ela.

E quanto mais este ciclo se repete, mais se sedimenta essa crença. Cada tentativa que falha é mais uma prova de que não é capaz.

O que fazer dieta ensina vs. o que não te ensina

O que a dieta ensina O que a dieta não ensina O que aprendes na BMFIT
Seguir um plano alimentar Comer sem plano e sem entrar em pânico ✔ Fazer escolhas conscientes em qualquer contexto
O que comer às 13h de terça O que fazer no jantar de aniversário ✔ Como adaptar sem sentir que estragas tudo
Quanto pesa cada alimento Como adaptar quando a rotina muda ✔ Comer fora de rotina sem perder o rumo
Quais os alimentos proibidos Como substituir sem perder os resultados ✔ Comer o que gostas com critério, não com culpa
Chegar ao peso desejado Ficar no peso desejado ✔ Manter os resultados porque aprendeste a decidir

O que a maioria das dietas para emagrecer não ensina

Flexibilidade. E autonomia.

Um plano alimentar ensina a seguir regras. Mas as regras são para quando a vida corre nos carris, e a vida raramente corre assim.

Uma das perguntas que fazemos sempre a quem chega até nós: “Consegues imaginar-te a fazer isto para o resto da tua vida?” Se a resposta for não, a abordagem não vai funcionar a longo prazo. 

Há dietas que não são restritivas mas que criam outro tipo de dependência: batidos, suplementos específicos, produtos com nome. A pessoa não passa fome, mas também não aprende nada. Se tira aquele produto do pequeno-almoço, entra em pânico. A lógica é a mesma: depende de algo de fora para manter os resultados, e nunca ganha a autonomia para se adaptar quando a vida muda.

E a vida muda sempre. A rotina do trabalho muda. Os filhos crescem e os horários mudam. Aparece um Covid e de repente toda a gente está em casa. Qualquer plano demasiado rígido parte exactamente nessas alturas, e é nessas alturas que as pessoas desistem, convictas de que o problema é a falta de força de vontade.

Quando fazer dieta até resulta: o momento mais perigoso

Há um cenário de que se fala muito pouco: o de quem chegou ao objetivo.

A pessoa fez a dieta, perdeu os quilos que queria, chegou ao peso que tinha em mente. E depois? Larga tudo. Os hábitos restritivos não se mantêm por definição: eram temporários, custavam esforço, e agora que o objetivo foi atingido, parece que já não são precisos.

Passados uns meses, o peso volta. Às vezes volta tudo. Às vezes volta mais do que havia antes.

É irónico: a dieta “bem-sucedida”, aquela que funcionou, que deu os resultados que se queriam, pode ser o maior gatilho para o próximo ciclo de ioiô. Porque fazer dieta ensinou a pessoa a chegar ao objetivo, mas não a ensinou a ficar lá.

Infográfico em português com o título “Fazer dieta emagrece? A resposta honesta (e o que ela implica)”, explicando que fazer dieta pode levar à perda de peso no curto prazo, mas que resultados sustentáveis dependem de hábitos alimentares, consistência, sono, atividade física e bem-estar mental.

O que muda quando deixas de fazer dieta para emagrecer

A diferença está em aprender a comer em vez de aprender a seguir uma folha.

Quando perguntas a alguém que conseguiu manter os resultados como é que gere um jantar fora de casa, a resposta não é “não vou” nem “peço só uma salada”. É: sabe o que vai escolher, sabe como equilibrar, e no dia a seguir continua exatamente na mesma.

Vamos ver o exemplo da Joana: ela chegou até nós desacreditada. Era “mais uma tentativa”. Tinha tentado antes, tinha falhado antes, e estava no ponto em que a maioria das pessoas já desistiu de tentar. O que a fez reconsiderar foi perceber que o que fazíamos era diferente: não era um plano para seguir, era ensinar a decidir. Hoje não segue nenhum plano alimentar. Sabe fazer escolhas, sabe adaptar, e come uma pizza quando quer, sem culpa e sem desfazer nada.

É isto que muda. A comida deixa de ser um campo minado. A pessoa consegue sair para jantar sem entrar em pânico, consegue lidar com uma semana de loucos sem sentir que perdeu tudo, e consegue manter os resultados porque percebeu como funciona, não porque seguiu uma folha até conseguir.

Perguntas Frequentes

Fazer dieta emagrece?

Fazer dieta para emagrecer funciona a longo prazo?

A maioria das dietas produz resultados a curto prazo, mas como fazer a manutenção desses resultados Quando a dieta acaba, voltam os hábitos antigos e o peso volta com eles. O que funciona a longo prazo é aprender a comer de forma flexível, sem depender de um plano rígido que não aguenta os imprevistos do dia-a-dia.

Por que volto sempre ao peso que tinha depois da dieta?

Porque a dieta ensinou-te a seguir regras, não a viver sem elas. Assim que o plano acaba, não sabes o que fazer e voltas ao que conhecias. A única forma de ficar nos resultados é perceber como funciona a alimentação para ti e conseguires adaptar em qualquer contexto, não só quando tudo está controlado.

O efeito ioiô estraga mesmo o metabolismo?

Repetir ciclos de restrição faz com que o corpo se adapte a gastar menos energia em repouso, é uma resposta de sobrevivência normal. O que isto significa na prática é que a mesma abordagem que funcionou há cinco ou dez anos pode já não ter o mesmo efeito. O organismo aprendeu a viver com menos. Não é o fim do mundo, mas é um bom argumento para parar de andar neste ciclo.

É possível emagrecer sem fazer dieta?

Depende do que entendes por dieta. Se significa restrição, proibições e uma folha para seguir à risca, sim, é possível emagrecer sem isso. Se significa comer de forma consciente e equilibrada, aprender a fazer escolhas, e saber adaptar quando a rotina muda: isso é o único caminho que funciona a longo prazo.

Só fazer dieta emagrece?

A curto prazo, sim. A longo prazo, raramente. Emagrecer só com base numa dieta rígida costuma funcionar enquanto a força de vontade aguenta, e depois falha assim que a rotina muda, quando aparece o stress ou simplesmente quando a pessoa se cansa de estar sempre a controlar tudo. É por isso que tantas mulheres perdem peso, recuperam, perdem outra vez, e sentem que o problema são elas. O problema é depender só de uma dieta. Treino, hábitos que se sustentam no tempo e trabalho sobre a relação com a comida é o que faz a diferença entre perder peso uma vez e nunca mais teres de “recomeçar”.

Fazer dieta sem exercício emagrece?

Sim, é possível perder peso só com alimentação. O défice calórico é o que determina se perdes gordura, e isso consegue-se só pela comida. Mas há uma diferença grande entre perder peso e perder peso bem. Sem treino, perdes massa muscular junto com a gordura, o que deixa o corpo mais “mole”, o metabolismo mais lento, e torna muito mais fácil recuperar o peso a seguir. O treino, principalmente o de força, é o que garante que aquilo que perdes é gordura e não o músculo que tanto custou a manter.

Fazer dieta só durante a semana emagrece?

Pode até fazer-te perder peso durante uns tempos, mas raramente é sustentável. O problema não é comeres melhor de segunda a sexta. É o fim de semana ser tão descontrolado que anula o que fizeste durante a semana toda. Muitas mulheres vivem neste ciclo: rigidez de segunda a sexta, descontrolo ao sábado e domingo, e depois a sensação de estar sempre a recomeçar. Não tens de escolher entre ser rígida ou ser descontrolada. É possível construir hábitos que aguentem os sete dias, incluindo o fim de semana, sem ser preciso viver em modo de sobrevivência.