Ep.51 – Comida de restaurante engorda? Preciso de escolher entre sair e emagrecer?

Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Maio 4, 2025
Tempo de leitura — min

Resumo do Episódio

Então, a comida de restaurante engorda?

Uma refeição de restaurante pode aumentar a ingestão energética desse dia, mas o impacto no emagrecimento deve ser analisado no conjunto dos hábitos e não a partir de uma única refeição.

Um exemplo ajuda a colocar esta questão em perspectiva.

Se forem consideradas cerca de 32 refeições numa semana, um jantar fora corresponde a apenas uma dessas refeições. O episódio utiliza este exemplo para mostrar a diferença entre avaliar uma refeição isolada e observar aquilo que acontece de forma consistente ao longo do tempo.

🍽️ Uma refeição fora 📊 O padrão alimentar ✅ O que fazer
Pode ser diferente do habitual É construído ao longo do tempo Retomar a rotina
Pode incluir alimentos mais calóricos Inclui todas as refeições Evitar a lógica do "estraguei tudo"
Pode ser mais abundante Depende da consistência Avaliar o contexto global

A equipa BMFIT chama a atenção para esta diferença entre o momento isolado e o padrão alimentar. A psicóloga Ana Alves explica que, em algumas mulheres, o problema passa pela interpretação daquilo que aconteceu e pelo ciclo que pode surgir depois: excesso, culpa, compensação e nova restrição.

O problema começa quando uma refeição passa a ser vista como uma falha

O pensamento pode ser:

“Já comi aquilo que não devia. Agora já estraguei tudo. Mais vale aproveitar.”

A partir daqui, a refeição deixa de ser apenas uma refeição.

Surge a lógica do tudo ou nada.

O verdadeiro problema pode ser o “tudo ou nada”

O pensamento tudo ou nada pode transformar uma refeição fora da rotina num motivo para abandonar temporariamente os hábitos que estavam a funcionar.

A equipa BMFIT descreve uma lógica frequente nas dietas restritivas: “ou estás de dieta, ou é o dia do lixo”.

O raciocínio tende a oscilar entre dois extremos:

  • “Agora tenho de fazer tudo certo.”
  • “Já que saí da dieta, hoje vale tudo.”

O ciclo pode acabar por ser:

restrição → evento social → excesso → culpa → compensação → nova restrição

Este padrão aproxima-se de outros temas já abordados pelo BMFIT, como começar uma dieta na segunda-feira e “amanhã faço dieta, hoje já estraguei tudo”.

“Ou estou de dieta ou é o dia do lixo”

Quando uma mulher acredita que só existem os estados “estar de dieta” e “comer tudo”, qualquer jantar fora se pode transformar num teste de autocontrolo.

Podem surgir pensamentos como:

  • “Será que vou conseguir resistir?”
  • “E se comer sobremesa?”
  • “E se não conseguir controlar-me?”
  • “Depois tenho de compensar.”

Para quem já passou por várias dietas restritivas, esta mentalidade pode tornar qualquer alteração ao plano mais difícil.

A comida de restaurante engorda? Imagem de amigas a almoçar fora seguras da sua alimentação porque um almoço fora não estraga os resultados

Uma refeição não apaga todas as outras

Olhar para a alimentação ao longo do tempo ajuda a retirar peso a uma refeição isolada e a perceber o que realmente precisa de ser ajustado.

Se uma mulher faz cerca de 32 refeições numa semana e uma delas é diferente, continuam a existir as restantes refeições. O padrão alimentar não desaparece por causa de um jantar.

A pergunta pode passar de:

“Como é que evito estragar o jantar?”

para:

“Como é que construo uma alimentação que continue a funcionar quando há um jantar?”

Esta questão aproxima-se daquilo que está por trás de um processo de emagrecimento sustentável: criar uma estratégia que consiga acompanhar a vida real.

Porque é que algumas mulheres começam a evitar jantares e convívios?

O medo de perder o controlo com a comida pode levar algumas mulheres a evitar eventos sociais e a restringir também momentos importantes da sua vida.

No episódio, a psicóloga Ana Alves descreve mulheres que deixam de ir a jantares, aniversários e outros convívios porque antecipam a quantidade de comida, têm medo de não conseguir resistir ou já não se sentem confortáveis com a própria imagem.

O pensamento pode ser:

  • “Não vou ao jantar porque estou de dieta.”
  • “Vai haver demasiada comida.”
  • “Não vou conseguir resistir.”
  • “Depois vou sentir-me mal.”

A preocupação pode começar antes mesmo de chegar ao restaurante.

Quando emagrecer começa a ocupar demasiado espaço na vida

Ficar em casa pode evitar o jantar, mas não elimina necessariamente a preocupação.

Pode acontecer o contrário:

  1. Evita-se o convívio para não comer.
  2. Surge tristeza por ter faltado.
  3. A pessoa sente que perdeu um momento com a família ou os amigos.
  4. A preocupação com a comida mantém-se.

A psicóloga Ana Alves aborda precisamente este impacto na vida social e no sentimento de pertença.

A relação com o corpo também pode pesar nestas decisões. Escolher roupa para um jantar, por exemplo, pode tornar-se uma fonte de ansiedade quando existe insatisfação com a imagem corporal.

O custo de restringir também pode ser social

Um processo de emagrecimento sustentável precisa de conseguir coexistir com aniversários, férias, jantares de família, fins de semana e outros momentos que fazem parte da vida.

Se uma estratégia só funciona quando todos os dias são previsíveis, qualquer alteração pode tornar-se um problema.

A equipa BMFIT defende que, se a mudança é para durar, é necessário aprender a lidar com estes momentos em vez de os evitar. A vida inclui refeições espontâneas, convívios e períodos fora da rotina. Uma estratégia alimentar precisa de ter espaço para isso.

grupo de amigos come no restaurante e mulher participa no evento social sem estar preocupada se comida de restaurante engorda

Como comer num restaurante sem transformar a refeição num problema

Para integrar refeições fora num processo de emagrecimento, a equipa BMFIT recomenda planear o dia, reajustar em vez de cortar, escolher aquilo de que realmente se gosta e regressar à rotina depois do convívio.

1. Planeia o dia, mas não passes fome

Se existe um jantar fora, faz sentido organizar o resto do dia sem chegar à refeição com fome extrema.

Imaginemos um casamento às quatro da tarde.

Passar a manhã praticamente sem comer e fazer um almoço muito pequeno pode significar chegar ao evento com uma fome muito elevada.

No episódio, o Filipe Simões dá precisamente este exemplo: um pequeno-almoço insuficiente e um almoço sem proteína nem fibra podem contribuir para uma fome muito intensa antes de uma refeição fora.

Por isso, “guardar calorias” passando fome durante o dia pode não ser a melhor estratégia 

A proposta passa por manter refeições que promovam a saciedade e adaptar o dia ao jantar.

Para quem sente que a fome condiciona frequentemente o processo de emagrecimento, o BMFIT aborda também o tema emagrecer sem passar fome.

2. Reajusta, não cortes para compensar

Reajustar significa organizar o dia tendo em conta o jantar; compensar significa restringir comida ou aumentar o exercício para tentar “pagar” a refeição.

Alguns exemplos ajudam a distinguir os dois comportamentos:

🗓️ Reajustar 🚫 Compensar 💡 Exemplo
Organizar o dia Cortar drasticamente Fazer refeições normais e adaptar o jantar
Ter em conta o jantar Passar fome Saltar refeições para "guardar calorias"
Retomar a rotina Aumentar exercício por culpa Treinar normalmente em vez de fazer cardio extra

A equipa BMFIT recomenda voltar à rotina depois do evento, em vez de passar horas a fazer cardio ou usar o treino como forma de compensação.

Este princípio também aparece no conteúdo sobre alimentação e treino para emagrecer.

3. Escolhe onde queres “apostar as fichinhas”

Num restaurante, pode ser mais útil escolher os alimentos de que realmente se gosta do que tentar comer um pouco de tudo só porque está disponível.

A expressão utilizada no episódio é “escolher onde quero apostar as minhas fichas”.

Por exemplo:

  • Se a sobremesa é aquilo de que realmente se gosta, pode ser aí que se decide desfrutar.
  • Se as entradas são a parte preferida da refeição, podem ter prioridade.
  • Se determinado alimento está disponível mas não desperta interesse, não é obrigatório comê-lo.

A ideia não é transformar o jantar numa sequência de regras. É tomar decisões conscientes sobre aquilo que realmente vale a pena incluir.

E se comeres mais do que planeavas?

Se uma refeição acabar por ser mais abundante do que o previsto, a estratégia defendida pela equipa BMFIT é aceitar o momento e voltar à rotina habitual.

Imaginemos um jantar em que houve entrada, prato principal e sobremesa.

No final, percebe-se que a refeição foi mais abundante do que um jantar normal em casa.

A refeição terminou.

O passo seguinte não precisa de ser uma tentativa de anular aquilo que aconteceu.

Não precisas de “queimar” o jantar

Depois de um evento social, não é necessário fazer horas de cardio para tentar compensar a refeição.

Se estava previsto treinar, mantém-se o treino.

Se não estava previsto, não é necessário acrescentar exercício apenas por causa do jantar.

O exercício deve continuar a fazer parte da estratégia de saúde e composição corporal, sem assumir o papel de castigo alimentar.

O passo seguinte é voltar à rotina

Depois de uma refeição mais abundante, a decisão seguinte pode ser simplesmente retomar os hábitos que já estavam a ser construídos.

O episódio resume esta ideia através de uma mensagem simples: foi um dia diferente, está tudo bem, e depois regressa-se à rotina.

Não é necessário:

  • fazer jejum para compensar;
  • cortar drasticamente na alimentação;
  • aumentar o treino por culpa;
  • passar o dia seguinte a pensar no jantar anterior.

O foco passa para a próxima refeição e para o padrão alimentar habitual.

O objetivo não é evitar restaurantes: é conseguir incluí-los

Um processo de emagrecimento pensado para durar precisa de incluir os momentos sociais que continuarão a existir ao longo da vida.

Continuarão a existir aniversários, jantares de família, casamentos, férias, fins de semana fora da rotina e restaurantes.

A equipa BMFIT defende precisamente esta ideia: se a mudança é para a vida, estes momentos precisam de caber na estratégia.

A alimentação portuguesa está muitas vezes ligada a convívios e momentos familiares. Evitar permanentemente determinados pratos ou situações sociais dificilmente constitui uma estratégia prática para toda a vida.

No episódio surge um exemplo concreto: em vez de procurar sempre uma versão “fit” de um prato tradicional, como um “bacalhau com natas fit”, é possível aprender a incluir o bacalhau com natas da mãe e enquadrar esse momento na alimentação.

A pergunta passa a ser:

“Consigo comer este prato, desfrutar e depois continuar a minha vida normalmente?”

Esta capacidade de flexibilizar a alimentação é também relevante quando se pretende evitar o ciclo de dietas sucessivas. O BMFIT aborda esta questão em conteúdos sobre fazer dieta para emagrecer e emagrecer sem dieta.

Perguntas Frequentes

A comida de restaurante engorda?

Comer fora não te vai fazer engordar. Comer fora sem pensar no que pedes, pode.

A comida de restaurante engorda mais do que feita em casa?

Sair para jantar não te tira o controlo. Só o desloca para outro sítio: da cozinha para a ementa.

Um prato de peixe grelhado com legumes e batata cozida tem uma composição parecida com o que farias em casa. Já uma massa com molho cremoso, frita em azeite abundante, ou um prato “saudável” cheio de molhos e crocantes, pode facilmente ter o dobro das calorias de uma refeição caseira equivalente, sem que dês por isso.

Sair para comer não é o problema. O problema é que em casa controlas a quantidade de azeite, de açúcar, de sal. No restaurante isso foge-te das mãos, e normalmente usam mão pesada nesses ingredientes.

A pergunta certa nem é se o restaurante engorda mais. É se sabes escolher o que pedir, mesmo sem controlares a cozinha. Dá para ir buscar proteína, vegetais, evitar exageros de molhos e fritos, e ainda aproveitar a refeição fora. Não precisas de recusar convites nem de pedir sempre a opção mais chata do menu. Precisas é de olhar para a ementa com outros olhos. Se precisas de saber mais sobre este assunto, temos um guia gratuito sobre isso.

Tenho muitas refeições fora nos próximos tempos, é possível emagrecer mesmo assim?

Sim, é possível. E provavelmente vais ter de aceitar que ter refeições fora não é o fim do mundo, é só mais uma variável para gerir.

O erro mais comum aqui é tratar essas refeições como um “descontrolo total” e depois compensar com dias super restritos antes ou depois. Isso é que costuma sabotar os resultados, não a refeição em si.

Uma abordagem que costuma resultar: nas refeições que consegues controlar, mantém o que já funciona para ti. Nas refeições fora, escolhe proteína, vegetais, e não te preocupes tanto com o resto. Uma refeição com mais calorias, num contexto de semana equilibrada, não te tira os resultados. O que tira é viveres seis semanas seguidas a fazer isso, sem nenhum plano por trás.

Também vale a pena não ires para o jantar cheia de fome, com a ideia de que “hoje é dia de comer tudo”. Comer normalmente antes ajuda a manter alguma noção do que estás a pedir e a quanto.

No fim, a pergunta não é se dá para emagrecer com refeições fora. É se consegues encontrar um equilíbrio que aguentes manter, sem entrares no ciclo de restrição-descontrolo a cada vez que sais de casa.

Viajo muito em trabalho e como fora. Como posso emagrecer nestas condições?

Dá para emagrecer viajando muito, mas vais ter de deixar cair a ideia de plano perfeito. Quando és tu a controlar cada refeição, é fácil seguir à risca. Em viagem, isso simplesmente não existe, e insistir nesse modelo é o que costuma levar à desistência ao fim de duas semanas de trabalho.

O que costuma funcionar melhor é teres 3 ou 4 regras simples que consegues aplicar em qualquer sítio, hotel, aeroporto, restaurante de cliente. Por exemplo: proteína em quase todas as refeições, vegetais quando existem à disposição, e água em vez de sumos e refrigerantes ao longo do dia.

O pequeno-almoço costuma ser a refeição mais fácil de controlar, mesmo em hotel: ovos, iogurte, fruta, já dá para montar algo decente na maioria dos buffets. Isso ajuda a compensar quando o almoço ou jantar de trabalho foge um pouco mais ao que gostarias.

Outro ponto: em viagem também podes dormir pior e mexes-te menos, e isso pesa tanto ou mais do que a comida em si. Se conseguires manter alguma caminhada, subir escadas em vez de elevador, ou um treino curto no quarto, já estás a compensar parte do que perdes por estares sentada em aviões e reuniões o dia todo.

No fim, a meta em viagem não é perder peso rápido. É não sabotar o que já construíste, e voltar a casa sem teres de recomeçar do zero.

Comer fast food faz engordar?

Faz, se for o teu padrão. Um fast food isolado, de vez em quando, não te tira resultados nem estraga nada.

O problema do fast food não é ser fast food. É a combinação de muitas calorias num espaço pequeno de comida, pouca proteína a sério, e quase nenhuma fibra. Comes um menu inteiro e passadas duas horas já tens fome outra vez, porque aquilo não te sacia como uma refeição com mais volume e mais proteína.

No fundo, o que faz emagrecer é o défice calórico, comeres menos energia do que gastas ao longo do tempo. O fast food em si não te engorda por magia, engorda porque é fácil ultrapassares as tuas necessidades calóricas num prato só, sem dares por isso. É perfeitamente possível incluir um fast food dentro de um dia ou de uma semana em défice, desde que o resto das escolhas compense essa refeição.

Há formas de gerir isto sem drama. Escolher o hambúrguer simples em vez do duplo com bacon e molhos extra. Trocar as batatas fritas por uma salada, quando existe essa opção. Beber água em vez de refrigerante. Pequenos ajustes que cortam uma boa fatia de calorias sem tirares o prazer da refeição.

O que realmente pesa na balança, no fim do mês, é quantas vezes isto acontece por semana, não se aconteceu ou não. Um fast food ao fim de semana, dentro de uma rotina que no resto da semana tem proteína, vegetais e alguma estrutura, não te vai impedir de emagrecer. Três ou quatro vezes por semana, sim, provavelmente vai.

A comida de empresa engorda?

A comida da empresa não engorda ninguém sozinha. O problema é quando se soma ao resto das calorias do dia e ultrapassas o que gastas. Aí sim, engordas. Sabemos que há pratos cheios de molhos e extras calóricos à espreita. Mas em qualquer sítio há sempre uma opção melhor para escolher.

Se é um almoço pontual, um evento da empresa, um jantar de Natal, aproveita sem culpa. Isso representa uma fatia mínima do que comes num ano. O teu resultado não se decide ali.

Agora, se sais para almoçar ou vais à cantina com os colegas todos os dias da semana, isso já é rotina. Por isso, aqui as escolhas pesam mais do que num jantar de aniversário.

 

A maior parte das cantinas funciona em sistema de balcão ou bufet, e isso muda a forma como decides. Quando vês tudo à tua frente ao mesmo tempo – arroz, batata frita, três tipos de carne, sobremesas -, a tendência é ires servindo um bocadinho de cada coisa, sem perceberes bem o total até estares sentada com o prato cheio.

Algumas coisas que ajudam:

  • Serve-te uma vez, com calma, e afasta-te. Não fiques a rondar o balcão a ir buscar mais um bocadinho de cada vez. Isso é o que mais dificulta perceber quanto realmente comeste.
  • Prioriza o prato do dia grelhado ou cozido, se houver. E se não houver, pergunta. Muitas cantinas têm sempre uma opção mais simples, mesmo que não esteja destacada no quadro.
  • Não saltes a sopa nem a salada. Servem para ires com o prato principal mais cheia e comeres menos do resto sem dares por isso.
  • Troca o sumo ou o refrigerante por água. É a bebida que menos costuma ser questionada e a que mais calorias líquidas acrescenta sem te dar saciedade nenhuma.
  • A sobremesa não é obrigatória só porque está incluída no preço. Se não te apetece mesmo, não comas só porque “já pagaste por ela”.

E se a cantina não tiver opções boas nenhum dia da semana, vale a pena pensar em levar comida de casa dois ou três dias, não os cinco. Não precisas de resolver isto tudo de uma vez. Precisas de mudar o suficiente para que a tua semana normal deixe de te sabotar.