Ep.66 –  Comer antes de dormir engorda?

Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Publicado Maio 23, 2026
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Resumo do Episódio

Comer antes de dormir engorda? A resposta direta

Não, comer tarde não engorda mais do que comer cedo. Não é por jantares às 18h ou às 21h que vais engordar mais ou menos. O que determina se ganhas ou perdes peso é o total de calorias que consomes ao longo do dia, comparado com o que o teu corpo gasta: o défice calórico.

Podes chegar a esse défice calórico jantando cedo ou jantando tarde. Não muda o resultado.

Este medo de comer perto da hora de deitar é algo que ouvimos constantemente das mulheres que chegam até nós. Chegam com o jantar reduzido a uma sopa e um queijinho fresco, muitas vezes depois de um dia inteiro a aguentar, só porque acham que comer tarde vai direto para a gordura.

No BodyMindFit já ajudámos mais de 300 mulheres a perder peso sem terem de trocar o jantar por uma sopa às escondidas, e este é um dos mitos que mais lhes tirava a paz. Porque a meio da noite, o corpo cobra essa conta de outra forma.

Porque é que o mito de que comer antes de dormir engorda parece fazer sentido?

A ideia de que “vou dormir, por isso não preciso de comer” nasce de uma lógica que parece óbvia mas está incompleta. Se vais ficar parada a dormir, o raciocínio diz que aquilo que comeste vai ficar ali, sem ser gasto, e vai tornar-se em gordura. Só que o corpo não desliga quando adormeces. Continua a gastar energia a noite toda: a respirar, a regular a temperatura, a reparar os tecidos, a processar tudo o que aconteceu no teu dia. O gasto calórico não acaba às 22h porque tu paraste.

O que este raciocínio esquece é o seguinte: o corpo não fecha as contas ao jantar. Fecha-as ao final do dia.

O que muda no teu corpo à noite?

O teu corpo está preparado para funcionar de forma diferente consoante a hora do dia. Durante o dia, com luz natural, tudo tende a trabalhar de forma mais eficiente. O coração bate melhor, processas os hidratos que comes de forma mais eficaz. À noite, à medida que se aproxima a hora de dormir, o corpo começa a abrandar naturalmente, e a forma como responde à insulina também muda ligeiramente.

Para perceberes a insulina de forma simples: quando comes hidratos de carbono, o açúcar entra na corrente sanguínea e a insulina é o que dá o sinal para abrir as “portinhas” das células e deixar esse açúcar entrar, em vez de ficar acumulado no sangue. Quando o corpo responde bem a esse sinal, dizemos que há boa sensibilidade à insulina.

À noite, essa resposta tende a ser um pouco mais lenta. O facto da resposta à insulina abrandar à noite não significa que uma refeição tardia se transforma automaticamente em gordura. Significa que, se uma pessoa vive anos a fio a comer sempre contra estes ritmos naturais, sem nunca respeitar horas de sono, sempre a inverter dia e noite, isso pode, ao longo do tempo, contribuir para maior resistência à insulina. Não é uma coisa que aconteça de um dia para o outro por causa de um jantar às 22h. É diferente, também, do que acontece quando é o sono em si que está destruído, e não a hora da refeição.

Porque não faz sentido comer imediatamente antes de dormir?

A maior parte dos artigos sobre este mito não faz esta distinção: comer perto da hora de deitar não altera o peso. Altera o sono e a digestão.

Se vais para a cama às 23h, comer uma refeição pesada às 22h30 não te vai engordar mais do que se a tivesses comido às 19h. Mas vai deixar o teu corpo a trabalhar na digestão precisamente na altura em que devia estar a abrandar para dormir. E isso sim, tem consequências: um sono mais leve, mais interrupções, aquela sensação de acordar cansada mesmo depois de teres dormido as horas todas.

Dar um intervalo entre a última refeição e a hora de deitar não é regra rígida nem restrição. É só dar tempo ao corpo para começar a digestão antes de o pedires para desligar.

comer antes de dormir engorda infográfico da equipa de acompanhamento online BMFIT

O que se deve fazer na prática?

Não precisas de mudar a tua rotina toda nem de arranjar um horário fixo para jantar. Olha para o total do teu dia, não para a hora da última refeição: é aí que está o défice calórico que realmente importa. E dá um intervalo razoável entre jantar e deitar sempre que a tua rotina permitir, sem cronometrar ao minuto, só para não ires da mesa direta para a cama.

O resto é deixar de trocar o jantar por uma sopa e um queijinho fresco só por medo, ou de continuar a comer os restos dos miúdos em pé, a arrumar a cozinha, só porque já não é “hora de comida a sério”. Se o resto do dia estiver equilibrado, um jantar normal à noite não estraga nada. Este é só mais um dos mitos sobre emagrecimento sustentável que vale a pena desmontar.

Comer tarde não é o problema. Comer sem noção do total do dia, sim.

Há alimentos que engordam se os comer antes de dormir?

Nenhum alimento tem um interruptor que se liga à noite e engorda mais do que de dia. O que muda é a quantidade e o contexto: se já estás no limite das tuas calorias do dia, ou se estás confortavelmente dentro delas.

Alimento Engorda mais à noite? Porquê
🍶 Iogurte Não por ser à noite Conta como qualquer refeição — o que importa é a porção e o total do dia
🥚 Ovo / ovo cozido Não por ser à noite Alimento com proteína, encaixa bem numa refeição leve à noite
🍞 Pão Não por ser à noite Os hidratos não engordam mais de noite. O problema é a quantidade, não a hora
🍌 Banana Não por ser à noite É fruta como outra qualquer. O total de calorias do dia é que conta
🍎 Fruta (em geral) Não por ser à noite Mesma lógica de qualquer outro alimento
🍏 Maçã Não por ser à noite Sem diferença por ser consumida ao jantar ou antes de deitar
🍫 Chocolate Não por ser à noite Um quadrado não é o mesmo que meia tablete. A hora não muda isso
🌾 Aveia Não por ser à noite Boa opção de lanche leve, sem "efeito noturno" especial
🍗 Frango Não por ser à noite Fonte de proteína, funciona bem num jantar tardio
🥜 Frutos secos Não por ser à noite A questão é a porção, não a hora do dia
Perguntas Frequentes

Comer antes de dormir engorda?

Comer iogurte antes de dormir engorda?

Não. Um iogurte à noite pesa exatamente o mesmo nas contas do teu dia do que um iogurte comido de manhã. O que engorda é a soma total das calorias que consomes, não a hora a que o comes.

Comer muito antes de dormir engorda?

Aqui a resposta muda um pouco, mas não por causa da hora. Se comeres muito numa única refeição à noite e isso te empurrar para lá do que o teu corpo gasta nesse dia, vais ganhar peso. O problema é a quantidade total ultrapassar o que precisas, a hora não tem nada a ver com isso. Uma refeição muito grande em cima da hora de deitar também tende a complicar a digestão e o sono.

Comer ovo cozido antes de dormir engorda?

Não. Um ovo cozido é uma fonte de proteína simples e, à noite, funciona como qualquer outra proteína. Não tem nenhum mecanismo especial que o faça “engordar mais” por seres tarde.

Comer pão antes de dormir engorda?

Não. O pão não passa a engordar mais só por ser comido à noite, tal como também não engorda mais de dia só por ser pão. O que faz diferença é a quantidade e o que já comeste no resto do dia, não a hora do relógio.

Comer banana antes de dormir engorda?

Não. A banana continua a ser fruta, com as mesmas calorias, seja comida ao pequeno-almoço ou às 22h. Não há um “modo noturno” que muda isso.

Comer fruta antes de dormir engorda?

Não. A fruta não engorda mais de noite do que de dia. O que conta é sempre o total de calorias do teu dia, e a fruta continua a ser uma escolha perfeitamente razoável ao final do dia.

Comer maçã antes de dormir engorda?

Não. Uma maçã à noite tem exatamente o mesmo impacto que uma maçã comida a qualquer outra hora. O corpo não a trata de forma diferente por ser tarde.

Comer chocolate antes de dormir engorda?

A quantidade é que faz diferença, não a hora. Um ou dois quadrados de chocolate à noite não têm impacto diferente de os comeres de tarde. O que pode pesar é comer a tablete toda, e isso acontece a qualquer hora do dia.

Comer aveia antes de dormir engorda?

Não. A aveia é uma boa opção de lanche leve à noite e não tem nenhum efeito especial por ser consumida antes de dormir.

Comer frango antes de dormir engorda?

Não. O frango é sobretudo proteína, e a proteína não “engorda mais” por seres comida ao jantar tarde. Encaixa perfeitamente numa refeição noturna.

Comer frutos secos antes de dormir engorda?

Os frutos secos são naturalmente calóricos, por isso uma mão-cheia grande pode pesar nas contas do dia. Mas isso é verdade a qualquer hora, não só à noite.

Ep.65 – Comer hidratos à noite engorda? (e outros mitos que ouves desde sempre)

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Publicado Maio 22, 2026
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Ep.64 – Planeamento alimentar para emagrecer que sobrevive a uma semana de loucos

Filipe Simões
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Publicado Maio 21, 2026
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Ep.63 – Não é falta de motivação para emagrecer. É o ambiente a empurrar-te para o erro.

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Publicado Maio 21, 2026
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Ep.62 – Porque me sinto sempre cansada?

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Publicado Maio 19, 2026
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Ep.61 – A caminhada faz emagrecer, mas não da forma que estás a fazer

Filipe Simões
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Publicado Maio 18, 2026
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Ep.60 – Porque parei de emagrecer?

Filipe Simões
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Publicado Maio 17, 2026
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Resumo do Episódio

O que significa mesmo parar de emagrecer?

Parar de emagrecer pode querer dizer duas coisas muito diferentes, e a confusão entre elas é o que leva tanta gente a desistir sem necessidade. Uma coisa é o peso estar mesmo parado, sem se mexer, durante várias semanas seguidas. Outra, bem mais comum, é o peso não estar a descer à velocidade que tinhas na cabeça.

A maioria das mulheres que chega à BMFIT já passou por isto: uma semana em que a balança não desceu foi razão suficiente para achar que estava tudo estragado. E não estava. O peso vai flutuar ao longo do mês, tendo em conta o ciclo menstrual, os níveis hormonais, a quantidade de sal ou de hidratos que comeste no dia anterior. Comeste uma refeição mais salgada ontem? É expectável que hoje retenhas mais líquido e que a balança marque mais. Isso não apaga o trabalho que fizeste na semana toda.

Porque parei de emagrecer mesmo quando estou a fazer o que é suposto?

O teu corpo está a adaptar-se ao défice calórico que lhe estás a dar, e essa adaptação também muda a velocidade a que perdes peso ao longo do processo. No início, quando o estímulo é novo, o corpo responde mais depressa. Com o tempo, ele começa a perceber que está a receber menos e ajusta-se para continuar a funcionar bem com isso. É um mecanismo de sobrevivência, não um sinal de que algo correu mal.

Há vários fatores que empurram o peso para cima ou para baixo sem que isso tenha alguma coisa a ver com gordura a mais ou a menos:

  • Ciclo menstrual e variações hormonais ao longo do mês
  • Retenção de líquidos, muitas vezes ligada a refeições com mais sal ou mais hidratos
  • Adaptação metabólica ao défice calórico, sobretudo depois das primeiras semanas
  • Trânsito intestinal mais lento nalguns dias

Nenhum destes factores, ciclo menstrual, hormonas, retenção de líquidos ou adaptação metabólica, aparece isolado na balança. Aparecem todos misturados, e é por isso que um único número, num único dia, diz muito pouco sobre o que realmente está a acontecer ao teu corpo.

Porque é que a maioria desiste exatamente quando acha que parou de emagrecer?

Precisas de sentir que o esforço está a valer a pena quase de imediato. Quando esse sinal não aparece, a vontade de continuar começa a esvair-se. É simplesmente como a nossa cabeça funciona. Culturalmente, desde pequenas que nos ensinaram que perder peso é comer pouco e mexer muito, como se houvesse uma equação simples com resposta imediata. Cria-se a expectativa de que, se hoje comeste bem e foste treinar, amanhã já devias ver diferença.

É aqui que entra aprender a tolerar a frustração. Não há atalho para isto. Ninguém consegue manter, durante muito tempo, um comportamento que sente que não está a trazer benefício nenhum. A diferença está em onde vais buscar esse benefício. Se for só na balança, vais sentir-te sempre por resolver.

“Parei de emagrecer à velocidade que queria”, e agora?

Achar que devias perder num mês aquilo que levaste anos a ganhar é uma leitura injusta do processo, e é esse pensamento de tudo-ou-nada que leva a maior parte das mulheres a desistir. Não engordaste dez ou quinze quilos de um dia para o outro. Levaste tempo a lá chegar. Faz sentido que precises de algum tempo para os perder.

Imagina que estás a subir uma escadaria com 500 andares. Todos os dias sobes um andar. E todos os dias olhas para cima e pensas: já devia estar lá em cima. No dia seguinte sobes mais um andar, e continuas a pensar: ainda faltam quase 400 e tal. Estás sempre a olhar para o topo, nunca para o andar que já subiste. É esse olhar que faz desistir, não o facto de não estares a progredir. Se começares a dividir o caminho por fases, por metas mais pequenas, o progresso fica visível de outra forma.

Como posso olhar para o progresso sem depender só da balança?

Existem sinais de progresso que aparecem muito antes do peso começar a refletir a mudança, e são precisamente esses que a maioria das mulheres ignora por estar concentrada só num número. Na BMFIT costumamos dizer que quem perdeu não tem mais para perder: no processo de recomposição corporal, perde-se gordura ao mesmo tempo que se ganha massa muscular, e a balança não distingue as duas coisas.

Sinal de progresso O que observar Com que frequência olhar
📏 Medições corporais Cintura, anca, coxa — costumam mudar antes do peso A cada 2-3 semanas, sempre à mesma hora do dia
📸 Fotografias de comparação Tira uma foto por mês, com a mesma luz e roupa. Ao comparar dia a dia não se vê nada; ao comparar mês a mês, vê-se tudo Uma vez por mês
⚡ Energia ao longo do dia Sentires-te menos cansada a meio da tarde já é um resultado Repara nisto ao longo da semana, não num dia isolado
😴 Qualidade do sono Dormir melhor é um efeito direto de estares a cuidar melhor do corpo Todas as noites, sem obsessão com números
👖 Roupa Aquela peça que já não vestias Sempre que a voltares a vestir

Há uma razão para isto ser difícil de perceber ao espelho todos os dias: as mudanças acontecem em percentagens tão pequenas que, olhando diariamente, o cérebro não as regista. É como acontece com os filhos: os pais não notam que a criança cresceu, mas basta um tio que não a via há dois meses para dizer que ela cresceu imenso. A diferença fica óbvia para quem esteve ausente algum tempo, não para quem está a observar todos os dias.

O mesmo é válido para a balança. Pesares-te todos os dias e perderes 300 gramas diárias pode não te parecer quase nada, e vais chegar ao fim da semana frustrada por só teres perdido isso, todos os dias, sem conseguires fazer a soma. Sete dias a 300 gramas já é mais de dois quilos numa semana. A obsessão pelo número diário rouba a visão do conjunto.

Porque é que te comparares com outras pessoas rouba o teu progresso?

Comparares a tua semana três com o ano dois de outra pessoa distorce completamente a forma como vês o teu próprio progresso, e é uma das razões mais comuns para se desistir a meio do processo. Vês alguém que perdeu dois quilos e tu perdeste um, e a primeira pergunta que surge é: porque é que eu não perdi mais? Esquece-se, nesse momento, que conseguiste preparar as refeições da semana toda e fazer os treinos que tinhas planeado.

Essa comparação constante costuma trazer outro problema: leva a mudar de estratégia com demasiada frequência. Vês alguém a fazer algo diferente, mudas o que estavas a fazer, e pouco depois aparece outra pessoa com outra abordagem, e mudas outra vez. A consistência vem de continuares com o que já estavas a fazer, antes de veres o que a outra pessoa publicou hoje.

Perguntas Frequentes

Porque parei de emagrecer?

Uma coisa é o peso estar mesmo parado, sem se mexer, durante várias semanas seguidas. Outra, bem mais comum, é o peso não estar a descer à velocidade que tinhas na cabeça.

Quanto tempo é normal a balança ficar parada?

Uma ou duas semanas sem o peso descer, dentro de um processo de perda de peso saudável, é normal e não significa que o processo parou. O corpo está a adaptar-se, e fatores como o ciclo menstrual ou a retenção de líquidos podem esconder o resultado real durante esse período.

O peso estagnado significa que não estou a perder gordura?

Não necessariamente. Podes estar a perder gordura e a ganhar massa muscular ao mesmo tempo, o que mantém o peso semelhante na balança mesmo com mudanças reais no corpo. É por isso que medições, fotografias e a forma como a roupa assenta contam tanto quanto o número na balança.

Parei de emagrecer, quando devo preocupar-me com uma estagnação na perda de peso?

Se o peso estiver parado há várias semanas seguidas, mesmo tendo em conta o ciclo e a retenção de líquidos, e sem mudanças visíveis nas medições, energia ou roupa, faz sentido rever o plano com quem te acompanha em vez de continuar às escuras.

Ep.58 – Porque como pouco e engordo?

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Publicado Maio 15, 2026
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Resumo do Episódio

Já ouvi esta frase centenas de vezes, de mulheres completamente diferentes umas das outras: “Filipe, eu como pouco e mesmo assim não consigo perder peso.” E a primeira coisa que digo é sempre a mesma: o problema quase nunca é a quantidade de alimentos, mas sim a sua densidade calórica.

Perder peso exige défice calórico: consumir menos energia do que aquela que gastas. E isto pode acontecer a comer duas vezes por dia ou a comer dez. O que a maioria das pessoas não pensa é que pouco volume não é sinónimo de poucas calorias. E é aqui que a coisa desanda: achas que estás a comer pouco, mas a nível calórico continuas acima daquilo que precisavas. 

Porque como pouco e engordo? Estás a comer pouco ou a comer mal?

Comer pouco volume não significa estar em défice calórico. O problema costuma estar na densidade calórica do que comes, não na quantidade que comes.

Isto significa que dá para comer “pouco” e continuar a ultrapassar aquilo que o teu corpo gasta. Acontece com frequência ao pequeno-almoço: bebes um galão e um pão de sementes com queijo. Parece pouco, parece leve. Só que essa fatia de queijo tem quase só gordura. De proteína, tem menos de 5 gramas. E é assim que muitas mulheres chegam ao final do dia com metade da proteína que deviam ter comido, sem perceber onde é que as coisas fugiram.

O ponto de partida é sempre este: perceber se aquilo que estás a comer está mesmo a criar o défice que precisas para perder peso. Sem isso, vais continuar a cortar cada vez mais, e isso não é sustentável.

Um volume baixo não significa poucas calorias

Uma refeição pequena pode ter mais calorias do que um prato bem maior, dependendo do que a compõe.

Vamos comparar uma merenda mista com um pequeno-almoço com ovos, pão e fruta. A merenda parece a opção “mais leve”: cabe na mão, come-se em dois minutos. Só que, em calorias, costuma ultrapassar o prato completo. E o prato completo, esse, sacia muito mais, porque tem volume, proteína e fibra.

O mesmo acontece com os frutos secos. Num pacote de 100 gramas, uma coisa que se come rápido, quase sem dar por isso, vão facilmente 600 calorias. Não é a mesma coisa que 600 calorias em fruta ou legumes, que enchem o prato e o estômago de forma completamente diferente.

Comer pouco e depois compensar: o ciclo que faz engordar

Restringir demasiado durante o dia costuma levar a episódios de excesso à noite, e a maior parte das mulheres deixa de os contar, sem sequer perceber que os faz.

Infelizmente é muito comum. Muitas mulheres comem muito menos do que precisam durante o dia, e à noite acabam a comer mais do que deviam. Só que, no dia seguinte, se lhe perguntares o que comeram, elas vão dizer: “pequeno-almoço não tomei, almoço foi uma salada.” E os snacks daquela noite? Esses não entram na conta. Não porque estejam a mentir. Ficam envergonhadas, frustradas consigo próprias, e o mecanismo de defesa é fingir que aquilo não aconteceu.

O problema é que sem essa consciência não há como quebrar o padrão. A pessoa continua a achar que “come pouco” e não percebe porque é que os resultados não aparecem. Porque, na cabeça dela, aquele momento à noite simplesmente não contou.

Infográfico: porque como pouco e engordo? Explica como a densidade calórica, a saciedade e os hábitos influenciam o peso.

Saltar refeições ajuda ou atrapalha?

Saltar refeições costuma aumentar a fome acumulada e dificultar o controle mais tarde no dia.

É como querer andar o dia todo com o carro na reserva. Consegues aguentar até ao almoço sem comer nada, aguentas mais um bocado à tarde e depois chegas a casa com a reserva a zero. É aí que começa o “cabo dos trabalhos”: vais beliscando enquanto fazes o jantar, um bocadinho aqui, outro ali, coisas que nem entram na conta porque parecem pequenas demais para contar. E de repente já lá vão quase 900 calorias em coisinhas que “sem importância”.

Não saltar refeições é provavelmente a estratégia mais simples e mais eficaz para conseguires gerir melhor a fome ao longo do dia. 

Não comas menos. Se não queres engordar, come mais e melhor.

A saciedade constrói-se com o que comes, não com o que deixas de comer, e há estratégias concretas que fazem essa diferença.

  • Aumenta a proteína em cada refeição. É o nutriente que mais sacia, e o teu corpo gasta mais energia a digeri-la. A maioria das mulheres começa o dia com 5 gramas de proteína ao pequeno-almoço, quando o ideal andaria mais perto das 25-30.
  • Não descures a fibra, mas junta-lhe água. A fibra atrasa o esvaziamento gástrico, dá mais saciedade e ajuda a regular o trânsito intestinal. Sem água suficiente, faz o efeito contrário: cria uma massa densa que não desce.
  • Escolhe boas fontes de gordura. Na quantidade certa ajudam muito na saciedade.
  • Não saltes refeições. Planeia o número que faz sentido para ti – sejam quatro ou sete -, e cumpre-as.
  • Come devagar e com atenção. Sem ecrã e sem estar a trabalhar ao mesmo tempo. O cérebro demora a perceber que já estás saciada, e se comeres em piloto automático a sensação de fome mantém-se mesmo depois de já teres comido o suficiente.

O objetivo não é apertares mais o cinto. É comeres de forma que te aguente até à refeição seguinte, sem estares a contar os minutos para a próxima vez que “podes ir comer”.

Perguntas Frequentes

Porque como pouco e engordo?

Comes pouco e mesmo assim não emagreces? Vamos perceber porquê.

Como pouco e engordo, o que pode ser?

Normalmente é uma questão de densidade calórica: comes pouco volume, mas de alimentos com muitas calorias. Ou então tens episódios de excesso que acabam por não ser contabilizados, mesmo sem intenção.

Comer pouco emagrece?

Não necessariamente. Emagrecer depende de estares em défice calórico, e isso não é garantido só por comeres pouca quantidade. Podes comer pouco volume e continuar acima do que o teu corpo precisa.

Porque tenho sempre fome mesmo comendo pouco?

Provavelmente as tuas refeições não têm proteína, fibra ou gordura suficiente para te sentires saciada, mesmo que o volume pareça razoável.

Saltar refeições ajuda a emagrecer?

Não costuma ajudar. Saltar refeições tende a aumentar a fome acumulada e a dificultar o controle mais tarde no dia, o que muitas vezes leva a comer mais do que se pretendia.

Ep.54 – Como a tua mania da perfeição faz com que não percas peso

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Publicado Maio 12, 2026
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Ep.53 – “Hoje já estraguei tudo, amanhã faço dieta”

Filipe Simões
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Publicado Maio 8, 2025
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