Ep.60 – Porque parei de emagrecer?

Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Publicado Maio 17, 2026
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Resumo do Episódio

O que significa mesmo parar de emagrecer?

Parar de emagrecer pode querer dizer duas coisas muito diferentes, e a confusão entre elas é o que leva tanta gente a desistir sem necessidade. Uma coisa é o peso estar mesmo parado, sem se mexer, durante várias semanas seguidas. Outra, bem mais comum, é o peso não estar a descer à velocidade que tinhas na cabeça.

A maioria das mulheres que chega à BMFIT já passou por isto: uma semana em que a balança não desceu foi razão suficiente para achar que estava tudo estragado. E não estava. O peso vai flutuar ao longo do mês, tendo em conta o ciclo menstrual, os níveis hormonais, a quantidade de sal ou de hidratos que comeste no dia anterior. Comeste uma refeição mais salgada ontem? É expectável que hoje retenhas mais líquido e que a balança marque mais. Isso não apaga o trabalho que fizeste na semana toda.

Porque parei de emagrecer mesmo quando estou a fazer o que é suposto?

O teu corpo está a adaptar-se ao défice calórico que lhe estás a dar, e essa adaptação também muda a velocidade a que perdes peso ao longo do processo. No início, quando o estímulo é novo, o corpo responde mais depressa. Com o tempo, ele começa a perceber que está a receber menos e ajusta-se para continuar a funcionar bem com isso. É um mecanismo de sobrevivência, não um sinal de que algo correu mal.

Há vários fatores que empurram o peso para cima ou para baixo sem que isso tenha alguma coisa a ver com gordura a mais ou a menos:

  • Ciclo menstrual e variações hormonais ao longo do mês
  • Retenção de líquidos, muitas vezes ligada a refeições com mais sal ou mais hidratos
  • Adaptação metabólica ao défice calórico, sobretudo depois das primeiras semanas
  • Trânsito intestinal mais lento nalguns dias

Nenhum destes factores, ciclo menstrual, hormonas, retenção de líquidos ou adaptação metabólica, aparece isolado na balança. Aparecem todos misturados, e é por isso que um único número, num único dia, diz muito pouco sobre o que realmente está a acontecer ao teu corpo.

Porque é que a maioria desiste exatamente quando acha que parou de emagrecer?

Precisas de sentir que o esforço está a valer a pena quase de imediato. Quando esse sinal não aparece, a vontade de continuar começa a esvair-se. É simplesmente como a nossa cabeça funciona. Culturalmente, desde pequenas que nos ensinaram que perder peso é comer pouco e mexer muito, como se houvesse uma equação simples com resposta imediata. Cria-se a expectativa de que, se hoje comeste bem e foste treinar, amanhã já devias ver diferença.

É aqui que entra aprender a tolerar a frustração. Não há atalho para isto. Ninguém consegue manter, durante muito tempo, um comportamento que sente que não está a trazer benefício nenhum. A diferença está em onde vais buscar esse benefício. Se for só na balança, vais sentir-te sempre por resolver.

“Parei de emagrecer à velocidade que queria”, e agora?

Achar que devias perder num mês aquilo que levaste anos a ganhar é uma leitura injusta do processo, e é esse pensamento de tudo-ou-nada que leva a maior parte das mulheres a desistir. Não engordaste dez ou quinze quilos de um dia para o outro. Levaste tempo a lá chegar. Faz sentido que precises de algum tempo para os perder.

Imagina que estás a subir uma escadaria com 500 andares. Todos os dias sobes um andar. E todos os dias olhas para cima e pensas: já devia estar lá em cima. No dia seguinte sobes mais um andar, e continuas a pensar: ainda faltam quase 400 e tal. Estás sempre a olhar para o topo, nunca para o andar que já subiste. É esse olhar que faz desistir, não o facto de não estares a progredir. Se começares a dividir o caminho por fases, por metas mais pequenas, o progresso fica visível de outra forma.

Como posso olhar para o progresso sem depender só da balança?

Existem sinais de progresso que aparecem muito antes do peso começar a refletir a mudança, e são precisamente esses que a maioria das mulheres ignora por estar concentrada só num número. Na BMFIT costumamos dizer que quem perdeu não tem mais para perder: no processo de recomposição corporal, perde-se gordura ao mesmo tempo que se ganha massa muscular, e a balança não distingue as duas coisas.

Sinal de progresso O que observar Com que frequência olhar
📏 Medições corporais Cintura, anca, coxa — costumam mudar antes do peso A cada 2-3 semanas, sempre à mesma hora do dia
📸 Fotografias de comparação Tira uma foto por mês, com a mesma luz e roupa. Ao comparar dia a dia não se vê nada; ao comparar mês a mês, vê-se tudo Uma vez por mês
⚡ Energia ao longo do dia Sentires-te menos cansada a meio da tarde já é um resultado Repara nisto ao longo da semana, não num dia isolado
😴 Qualidade do sono Dormir melhor é um efeito direto de estares a cuidar melhor do corpo Todas as noites, sem obsessão com números
👖 Roupa Aquela peça que já não vestias Sempre que a voltares a vestir

Há uma razão para isto ser difícil de perceber ao espelho todos os dias: as mudanças acontecem em percentagens tão pequenas que, olhando diariamente, o cérebro não as regista. É como acontece com os filhos: os pais não notam que a criança cresceu, mas basta um tio que não a via há dois meses para dizer que ela cresceu imenso. A diferença fica óbvia para quem esteve ausente algum tempo, não para quem está a observar todos os dias.

O mesmo é válido para a balança. Pesares-te todos os dias e perderes 300 gramas diárias pode não te parecer quase nada, e vais chegar ao fim da semana frustrada por só teres perdido isso, todos os dias, sem conseguires fazer a soma. Sete dias a 300 gramas já é mais de dois quilos numa semana. A obsessão pelo número diário rouba a visão do conjunto.

Porque é que te comparares com outras pessoas rouba o teu progresso?

Comparares a tua semana três com o ano dois de outra pessoa distorce completamente a forma como vês o teu próprio progresso, e é uma das razões mais comuns para se desistir a meio do processo. Vês alguém que perdeu dois quilos e tu perdeste um, e a primeira pergunta que surge é: porque é que eu não perdi mais? Esquece-se, nesse momento, que conseguiste preparar as refeições da semana toda e fazer os treinos que tinhas planeado.

Essa comparação constante costuma trazer outro problema: leva a mudar de estratégia com demasiada frequência. Vês alguém a fazer algo diferente, mudas o que estavas a fazer, e pouco depois aparece outra pessoa com outra abordagem, e mudas outra vez. A consistência vem de continuares com o que já estavas a fazer, antes de veres o que a outra pessoa publicou hoje.

Perguntas Frequentes

Porque parei de emagrecer?

Uma coisa é o peso estar mesmo parado, sem se mexer, durante várias semanas seguidas. Outra, bem mais comum, é o peso não estar a descer à velocidade que tinhas na cabeça.

Quanto tempo é normal a balança ficar parada?

Uma ou duas semanas sem o peso descer, dentro de um processo de perda de peso saudável, é normal e não significa que o processo parou. O corpo está a adaptar-se, e fatores como o ciclo menstrual ou a retenção de líquidos podem esconder o resultado real durante esse período.

O peso estagnado significa que não estou a perder gordura?

Não necessariamente. Podes estar a perder gordura e a ganhar massa muscular ao mesmo tempo, o que mantém o peso semelhante na balança mesmo com mudanças reais no corpo. É por isso que medições, fotografias e a forma como a roupa assenta contam tanto quanto o número na balança.

Parei de emagrecer, quando devo preocupar-me com uma estagnação na perda de peso?

Se o peso estiver parado há várias semanas seguidas, mesmo tendo em conta o ciclo e a retenção de líquidos, e sem mudanças visíveis nas medições, energia ou roupa, faz sentido rever o plano com quem te acompanha em vez de continuar às escuras.

Ep.59 – O stress engorda mesmo?

Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Filipe Simões
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Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Publicado Maio 16, 2026
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Resumo do Episódio

Achas que o stress engorda? Se estás numa fase em que sentes que comes pior, dormes pior e já não sabes se é falta de força de vontade ou só cansaço acumulado, a resposta curta é: o stress não decide por ti, mas empurra-te sistematicamente para as piores escolhas. Não é automático e não é uma sentença. Dá para travar isto, mas primeiro é preciso perceber o mecanismo, porque a maior parte do que se diz por aí sobre “stress engorda” fica a meio caminho.

O stress engorda diretamente?

Não. O stress não se transforma diretamente em gordura no teu corpo.O que acontece é que te empurra para um conjunto de comportamentos que, esses sim, dificultam o emagrecimento.

Quando vives em stress constante, tendes a comer pior, a dormir pior, a treinar menos e, muitas vezes, a mexer-te menos ao longo do dia sem sequer dares por isso. É a soma disto tudo que trava os resultados, não o stress isolado. É uma distinção que parece pequena, mas muda a forma como resolves o problema: não adianta só “gerir o stress” em abstrato, é preciso olhar para o que ele está a mudar na tua rotina.

O que o stress crónico faz ao teu corpo

Três coisas acontecem no teu corpo quando vives em stress constante: o cortisol sobe e fica elevado, retens mais líquidos e as tuas hormonas da fome ficam descontroladas.

O cortisol é conhecido como a hormona do stress e tem o seu papel, o problema é quando fica cronicamente elevado. Nessa altura, sentes mais dificuldade em perder gordura, o sono piora e há mais tendência para acumular gordura na zona abdominal.

A par disso, o cortisol elevado está também associado a retenção de líquidos. Não é sempre gordura a mais quando a balança sobe ou quando te sentes mais inchada. Ás vezes é mesmo isto: pernas mais pesadas, sensação de inchaço, mais cansaço, sem que tenhas mudado nada na alimentação.

Porque tens vontade de comer doces e salgados quando estás stressada

Sentes mais vontade de doces e salgados porque o stress altera diretamente as hormonas da fome e da saciedade: sobe a hormona que te dá fome, desce a que te avisa que já comeste o suficiente.

Isto não é fraqueza, é fisiologia. E há uma segunda camada: o açúcar e a gordura dão uma sensação de prazer e calma que, nesses períodos, também está em falta. Não procuras só a comida, procuras alívio. É por isso que muitas vezes comes de forma emocional em vez de comer por fome física.

Há aqui uma analogia que ajuda a perceber isto: quando um bebé está muito agitado, é o movimento – a cadeirinha a balançar -, que o acalma. Contigo funciona de forma parecida: o movimento ajuda a libertar a tensão acumulada. Só que estás cansada, porque o stress desgasta, e o corpo procura o movimento mais fácil e mais imediato que existe: mastigar. É por isso que a vontade de coisas estaladiças e crocantes aparece tanto nestas fases. É uma forma de regulação emocional.

Porque tomamos piores decisões sob stress

Tomas piores decisões sob stress porque a tua capacidade de autorregulação diminui. O cérebro entra num estado mais reativo e menos reflexivo, e fica mais difícil pensar nas consequências a médio e longo prazo.

É por isso que ao fim de um dia difícil — ou até de um dia bom mas intenso, cheio de reuniões e decisões —, acabas por ir à procura de conforto na comida. Às vezes porque algo correu mal e precisas de alívio. Outras vezes porque o dia foi produtivo mas exigente, e sentes que “mereces” aquele bocado. Em nenhum dos dois casos é falta de conhecimento. É o teu sistema nervoso a fazer exatamente o que está preparado para fazer sob pressão: procurar alívio imediato, não pensar em daqui a três meses.

Os erros mais comuns em fases de stress

Os três erros que mais complicam o emagrecimento em fases de stress são saltar refeições, viver à base de café e negligenciar o sono, e cada um destes erros puxa pelos outros.

  • Saltar refeições ou fazê-las incompletas. Um copo de leite de manhã, uma saladinha ao almoço, e depois a fome acumulada de todo o dia cai em cima da noite, exatamente na altura em que já estás mais cansada e com menos capacidade de decidir bem. Juntas fome física a stress emocional, e o resultado é sempre pior do que se tivesses comido normalmente ao longo do dia. É este o padrão que faz com que comas bem o dia todo e te descontroles à noite.
  • Compensar o cansaço com café. É tentador e dá aquele pico que ajuda a aguentar o dia. O problema é o que vem depois: quando o efeito passa, o crash é pior do que o cansaço original. E se ainda bebes café a meio da tarde ou depois do jantar, por hábito, a fatura chega à noite: mesmo que consigas adormecer sem dificuldade, a qualidade do sono não é a mesma. Não sentires o efeito do café na hora de adormecer não significa que ele não esteja a afetar o teu sono.
  • Negligenciar o descanso. É o erro que junta os outros dois. Sem sono e sem pausas ao longo do dia, chegas à noite já sem reservas, e é precisamente à noite que precisas de mais capacidade para decidir bem.

O descanso ao telemóvel não alivia o stress

Passar meia hora no sofá a fazer scroll no telemóvel não regula o teu sistema nervoso. O corpo está parado, mas a mente continua tão ativa como estava.

O resultado é uma frustração dupla: tiraste tempo para descansar e continuas cansada. Um descanso a sério precisa de te tirar do estado de alerta, não só de te tirar do movimento. Um banho quente, um chá, escrever sobre o que te preocupa, falar com alguém, mesmo cinco minutos assim valem mais do que meia hora de sofá com o telemóvel na mão. E não precisa de ser no fim do dia todo de uma vez: pequenas pausas ao longo do dia, mesmo que sejam só os cinco minutos que já paras para ir à casa de banho que ajudam a não deixar o stress acumular até picos.

O stress engorda? Infográfico com a explicação pela equipa de acompanhamento online BMFIT

Como o treino ajuda a controlar o stress (e quando piora)

O treino de força e as atividades que exigem atenção ajudam a libertar stress porque te obrigam a estar presente naquele momento, mas treinar a mais tem o efeito oposto e aumenta o stress no corpo. É esta a relação entre exercício físico e saúde mental que muitas vezes fica de fora quando se fala só em queimar calorias.

Há uma exceção interessante: correr sem música pode ter o efeito contrário, porque deixa espaço para os pensamentos entrarem, e nesse silêncio, muitas vezes voltas às preocupações do dia. Não é mau, só é diferente: é uma forma de treino que exige menos logística (vestes-te e sais), mas não te tira necessariamente da cabeça.

O outro lado da moeda, mais raro, é o overtraining: treinar demasiado, com intensidade alta todos os dias, às vezes duas vezes por dia. O treino em si é uma agressão controlada ao corpo: coloca-te numa zona desconfortável de propósito, para ganhares capacidade cardiovascular e muscular, e isso sobe o cortisol de forma boa e temporária. Mas se não há recuperação suficiente, deixa de ser temporário.

Quando estes sinais aparecem, a solução não é parar completamente, é uma semana de deload: reduzir o volume e a intensidade sem cortar o movimento por completo. Na prática, isto pode significar reduzir a corrida habitual, ou, no treino de força, passar para um treino por semana com a carga reduzida. É um descanso ativo, e costuma funcionar melhor do que parar de vez. O medo de “perder tudo” ao reduzir o treino não se confirma na prática, pelo contrário, é normalmente o que falta para o corpo dar o tal upzinho depois de uma fase estagnada.

Para a maioria das mulheres que acompanhamos, o problema não é o excesso de treino, é a falta dele. No entanto, é uma das ferramentas mais eficazes que existem para regular stress. Há alunas que começam sem grande vontade de treinar e que, meses depois, dizem precisamente o contrário: que precisam de treinar para se abstraírem, para sair de casa ou para desligar de tudo o resto do dia.

Perguntas Frequentes

O stress engorda?

O stress faz mesmo engordar?

Não diretamente. O stress altera a forma como comes, dormes e te mexes e é essa combinação que dificulta a perda de peso, não o stress isolado.

Porque é que como mais quando estou stressada?

Porque o stress altera as tuas hormonas da fome e saciedade, aumentando a vontade de comer, e porque a comida traz um alívio imediato que ajuda a reduzir a tensão do momento.

O café afeta o sono mesmo que eu durma bem?

Sim. Mesmo sem sentires dificuldade em adormecer, o café pode reduzir a qualidade do sono ao longo da noite, especialmente se for tomado à tarde ou depois do jantar.

Ver televisão ou estar no telemóvel no sofá conta como descanso?

Não costuma ser um descanso de qualidade. O corpo fica parado, mas a mente continua ativa, o que não ajuda a regular o sistema nervoso da mesma forma que uma verdadeira pausa.

Treinar ajuda a reduzir o stress ou pode piorar?

Ajuda, principalmente treino de força e atividades que exigem atenção ao momento. Mas treinar em excesso, sem recuperação suficiente, tem o efeito oposto e aumenta o stress no corpo.

Ep.58 – Porque como pouco e engordo?

Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Filipe Simões
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Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Publicado Maio 15, 2026
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Resumo do Episódio

Já ouvi esta frase centenas de vezes, de mulheres completamente diferentes umas das outras: “Filipe, eu como pouco e mesmo assim não consigo perder peso.” E a primeira coisa que digo é sempre a mesma: o problema quase nunca é a quantidade de alimentos, mas sim a sua densidade calórica.

Perder peso exige défice calórico: consumir menos energia do que aquela que gastas. E isto pode acontecer a comer duas vezes por dia ou a comer dez. O que a maioria das pessoas não pensa é que pouco volume não é sinónimo de poucas calorias. E é aqui que a coisa desanda: achas que estás a comer pouco, mas a nível calórico continuas acima daquilo que precisavas. 

Porque como pouco e engordo? Estás a comer pouco ou a comer mal?

Comer pouco volume não significa estar em défice calórico. O problema costuma estar na densidade calórica do que comes, não na quantidade que comes.

Isto significa que dá para comer “pouco” e continuar a ultrapassar aquilo que o teu corpo gasta. Acontece com frequência ao pequeno-almoço: bebes um galão e um pão de sementes com queijo. Parece pouco, parece leve. Só que essa fatia de queijo tem quase só gordura. De proteína, tem menos de 5 gramas. E é assim que muitas mulheres chegam ao final do dia com metade da proteína que deviam ter comido, sem perceber onde é que as coisas fugiram.

O ponto de partida é sempre este: perceber se aquilo que estás a comer está mesmo a criar o défice que precisas para perder peso. Sem isso, vais continuar a cortar cada vez mais, e isso não é sustentável.

Um volume baixo não significa poucas calorias

Uma refeição pequena pode ter mais calorias do que um prato bem maior, dependendo do que a compõe.

Vamos comparar uma merenda mista com um pequeno-almoço com ovos, pão e fruta. A merenda parece a opção “mais leve”: cabe na mão, come-se em dois minutos. Só que, em calorias, costuma ultrapassar o prato completo. E o prato completo, esse, sacia muito mais, porque tem volume, proteína e fibra.

O mesmo acontece com os frutos secos. Num pacote de 100 gramas, uma coisa que se come rápido, quase sem dar por isso, vão facilmente 600 calorias. Não é a mesma coisa que 600 calorias em fruta ou legumes, que enchem o prato e o estômago de forma completamente diferente.

Comer pouco e depois compensar: o ciclo que faz engordar

Restringir demasiado durante o dia costuma levar a episódios de excesso à noite, e a maior parte das mulheres deixa de os contar, sem sequer perceber que os faz.

Infelizmente é muito comum. Muitas mulheres comem muito menos do que precisam durante o dia, e à noite acabam a comer mais do que deviam. Só que, no dia seguinte, se lhe perguntares o que comeram, elas vão dizer: “pequeno-almoço não tomei, almoço foi uma salada.” E os snacks daquela noite? Esses não entram na conta. Não porque estejam a mentir. Ficam envergonhadas, frustradas consigo próprias, e o mecanismo de defesa é fingir que aquilo não aconteceu.

O problema é que sem essa consciência não há como quebrar o padrão. A pessoa continua a achar que “come pouco” e não percebe porque é que os resultados não aparecem. Porque, na cabeça dela, aquele momento à noite simplesmente não contou.

Infográfico: porque como pouco e engordo? Explica como a densidade calórica, a saciedade e os hábitos influenciam o peso.

Saltar refeições ajuda ou atrapalha?

Saltar refeições costuma aumentar a fome acumulada e dificultar o controle mais tarde no dia.

É como querer andar o dia todo com o carro na reserva. Consegues aguentar até ao almoço sem comer nada, aguentas mais um bocado à tarde e depois chegas a casa com a reserva a zero. É aí que começa o “cabo dos trabalhos”: vais beliscando enquanto fazes o jantar, um bocadinho aqui, outro ali, coisas que nem entram na conta porque parecem pequenas demais para contar. E de repente já lá vão quase 900 calorias em coisinhas que “sem importância”.

Não saltar refeições é provavelmente a estratégia mais simples e mais eficaz para conseguires gerir melhor a fome ao longo do dia. 

Não comas menos. Se não queres engordar, come mais e melhor.

A saciedade constrói-se com o que comes, não com o que deixas de comer, e há estratégias concretas que fazem essa diferença.

  • Aumenta a proteína em cada refeição. É o nutriente que mais sacia, e o teu corpo gasta mais energia a digeri-la. A maioria das mulheres começa o dia com 5 gramas de proteína ao pequeno-almoço, quando o ideal andaria mais perto das 25-30.
  • Não descures a fibra, mas junta-lhe água. A fibra atrasa o esvaziamento gástrico, dá mais saciedade e ajuda a regular o trânsito intestinal. Sem água suficiente, faz o efeito contrário: cria uma massa densa que não desce.
  • Escolhe boas fontes de gordura. Na quantidade certa ajudam muito na saciedade.
  • Não saltes refeições. Planeia o número que faz sentido para ti – sejam quatro ou sete -, e cumpre-as.
  • Come devagar e com atenção. Sem ecrã e sem estar a trabalhar ao mesmo tempo. O cérebro demora a perceber que já estás saciada, e se comeres em piloto automático a sensação de fome mantém-se mesmo depois de já teres comido o suficiente.

O objetivo não é apertares mais o cinto. É comeres de forma que te aguente até à refeição seguinte, sem estares a contar os minutos para a próxima vez que “podes ir comer”.

Perguntas Frequentes

Porque como pouco e engordo?

Comes pouco e mesmo assim não emagreces? Vamos perceber porquê.

Como pouco e engordo, o que pode ser?

Normalmente é uma questão de densidade calórica: comes pouco volume, mas de alimentos com muitas calorias. Ou então tens episódios de excesso que acabam por não ser contabilizados, mesmo sem intenção.

Comer pouco emagrece?

Não necessariamente. Emagrecer depende de estares em défice calórico, e isso não é garantido só por comeres pouca quantidade. Podes comer pouco volume e continuar acima do que o teu corpo precisa.

Porque tenho sempre fome mesmo comendo pouco?

Provavelmente as tuas refeições não têm proteína, fibra ou gordura suficiente para te sentires saciada, mesmo que o volume pareça razoável.

Saltar refeições ajuda a emagrecer?

Não costuma ajudar. Saltar refeições tende a aumentar a fome acumulada e a dificultar o controle mais tarde no dia, o que muitas vezes leva a comer mais do que se pretendia.

Ep.50 – Exercício físico e saúde mental

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Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
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Publicado Maio 1, 2025
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Resumo do Episódio

Ep.47 – Quero emagrecer, mas ando à espera do momento certo. Spoiler: ele não vai chegar

Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Publicado Abril 22, 2026
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Resumo do Episódio

Quero emagrecer, mas…existe mesmo um momento certo para começar a emagrecer?

Esperar pelo momento ideal para começar a emagrecer é um erro comum, e a verdade é que esse momento nunca vai chegar, porque a vida nunca vai ter todas as áreas alinhadas ao mesmo tempo.

Há sempre qualquer coisa. Um filho muda de escola e a rotina toda se desfaz. Um familiar adoece. Surge um prazo de entrega em cima da hora. Isto não é falta de sorte, é a vida a acontecer, como acontece a qualquer pessoa. E enquanto estiveres à espera de uma fase sem nenhum destes obstáculos, vais continuar a adiar. Quanto mais tempo passa nessa espera, maior a frustração de continuar no mesmo sítio, sem te sentires bem contigo própria.

Porque é que a motivação não chega para emagrecer?

A motivação não chega para sustentar uma mudança porque é um sentimento instável: está presente nalguns dias e ausente noutros, e basear o início numa coisa que vai e vem deixa-te sempre a zero quando ela desaparece.

Acordas motivada, decides começar. No dia seguinte já não estás motivada e já não fazes nada. Não é uma questão de caráter, é a natureza da própria motivação. Se dependes dela para agir, ficas refém de um estado emocional que não controlas.

E há aqui um ponto que passa despercebido: as circunstâncias perfeitas, quando existem, tornam tudo mais fácil: ter tempo para treinar, para preparar refeições, para descansar. O problema é achar que a vida vai ficar assim de forma permanente. Vai haver fases em que os miúdos andam numa escola perto de casa e há tempo de sobra, e outras em que mudam de escola e a rotina inteira desmorona. Ficar à mercê dessas condições, em vez de aprender a adaptar-te a elas, é o que prende a maioria das mulheres num ciclo de paragens e recomeços.

quero emagrecer diz a mãe com filhos pequenos e faz treino na sala com filha

Quero emagrecer mas não tenho força de vontade: será mesmo isso?

Na maior parte dos casos não é falta de força de vontade, é o hábito de querer começar a 100%, que cria uma expectativa de esforço e de resultado que ninguém consegue sustentar.

As redes sociais alimentam esta expectativa. Mostram sempre o início e o fim, nunca o processo, e criam a sensação de que a mudança acontece de forma rápida e sem esforço. Há também o efeito da comparação: ver alguém a treinar às 4 da manhã, a preparar refeições para a família toda e a gerir tudo com aparente facilidade, sem saber nada sobre o apoio que essa pessoa tem em casa. Uma influencer conhecida, mãe de gémeos, chegou a gravar um vídeo a avisar as seguidoras: “não se comparem a mim, eu tenho duas amas que cuidam dos meus bebés para eu conseguir treinar tranquila.” Foi honesta sobre isso. Mas é rara essa honestidade, e a maioria continua a comparar-se com uma realidade que não é a sua.

Quero emagrecer com saúde: porque funciona melhor começar aos poucos?

Começar com passos pequenos funciona melhor do que mudar tudo de uma vez, porque reduz a distância entre a tua rotina atual e o que estás a pedir ao teu corpo e à tua cabeça para sustentarem.

Em vez de decidir treinar seis vezes por semana, dormir nove horas e mudar a alimentação toda no mesmo dia, o primeiro passo pode ser treinar uma vez por semana. Ou beber 1,5 litros de água por dia. O primeiro passo pode ser pequeno, só o suficiente para conseguires manter na semana seguinte, e na seguinte a essa.

Definir bem o que significa “começar” é, muitas vezes, o primeiro trabalho a fazer.

Quero emagrecer, mas a vida complica-se: o que fazer?

Definir um mínimo garantido para os dias e semanas más, em vez de uma única meta de sucesso, é o que evita que uma semana caótica se transforme em desistência total.

Quando o objetivo é só um (por exemplo, quatro treinos por semana), qualquer coisa abaixo disso é vivida como falhanço. Três treinos, dois treinos, zero treinos, tanto faz, a sensação é a mesma: falhei. Este é o ponto onde a maioria das mulheres desiste, mesmo tendo feito mais de metade do que se propôs.

A alternativa é definir dois números em vez de um: o teto, que é o objetivo quando tudo está alinhado, e o mínimo não negociável, que é aquilo que garantes mesmo numa semana em que o marido não pode ir buscar os miúdos, há prazos de entrega no trabalho e o stress está no limite. Se o teto são quatro treinos no ginásio, o mínimo pode ser dois treinos em casa. Nessa semana difícil, cumprir os dois treinos em casa conta como sucesso, sem reduções nem “mas”.

Critérios Teto Mínimo não negociável
Quando se aplica Semanas normais, com rotina alinhada Semanas caóticas, com imprevistos
Exemplo (treino) 4 treinos no ginásio 2 treinos em casa
O que garante Progresso mais rápido Consistência, sem quebrar o hábito

O mesmo princípio aplica-se a caminhadas, a refeições, a qualquer hábito que estejas a tentar construir. A ideia central é sempre a mesma: ter sempre um ponto de sucesso possível, mesmo quando a vida não coopera.

quero emagrecer mais ainda não é o momento infografico BMFIT

Quero emagrecer urgente: porque é que essa pressa costuma sabotar o processo?

Querer resultados imediatos aumenta a exigência que colocas sobre ti própria: quanto maior a pressa, maior o risco de desistires ao primeiro sinal de que os resultados não vêm ao ritmo que esperavas.

Desistir, no fundo, é voltar ao ponto de partida. Imagina uma autoestrada: não conseguires ir a 120 km/h não significa que tenhas de fazer marcha atrás e voltar para casa. Podes ir a 80, a 100, mais devagar do que gostarias, mas ainda a avançar. Continuas a chegar lá.

Uma aluna passou por um momento de exagero alimentar numa noite. No dia seguinte, sentiu que estava “a voltar à versão inicial” dela própria. Mas essa versão inicial já não existia, porque no dia seguinte a esse exagero, ela treinou na mesma, tentou dormir cedo na mesma, manteve os hábitos que já tinha construído. Um deslize não apaga o caminho percorrido, a não ser que se decida que apaga.

O momento perfeito para começar é sempre uma decisão, nunca uma condição que apareça sozinha. É o momento em que decides cuidar de ti, ainda que de forma imperfeita, ainda que com menos tempo do que gostarias.

Perguntas Frequentes

Quero emagrecer, mas ando à espera do momento certo

Quanto mais tempo passa nessa espera, maior a frustração de continuar no mesmo sítio, sem te sentires bem contigo própria.

Quero emagrecer mas sinto que nunca tenho força de vontade. É esse o problema?

Na maioria dos casos, não. O que costuma faltar não é força de vontade, é um ponto de sucesso realista. Quando o único objetivo é “perfeito ou nada”, qualquer semana imperfeita é vivida como falhanço, mesmo que tenhas feito a maior parte do caminho.

Quero emagrecer, mas não sei por onde começar. Existe um primeiro passo certo?

Não há um primeiro passo universal, mas há um erro comum a evitar: querer mudar tudo ao mesmo tempo. Começar por um hábito pequeno e sustentável — um treino por semana, por exemplo — funciona melhor do que uma mudança radical que dura duas semanas e depois desaparece.

Quero emagrecer com saúde, sem dietas radicais. Como faço?

Evitando decidir tudo de forma extrema desde o início. Cortar hidratos, açúcar e tudo o resto ao mesmo tempo cria uma perceção de esforço tão grande que, quando os resultados não acompanham esse esforço, a tendência é desistir por completo. Mudanças pequenas e mantidas ao longo do tempo pesam mais do que restrições rígidas de curta duração.

Quero emagrecer, como fazer isso de forma que realmente resulte a longo prazo?

Definindo um mínimo que consigas cumprir mesmo nas semanas más, em vez de uma única meta de “tudo ou nada”. Quando o único objetivo é a versão perfeita da semana, qualquer imprevisto — um prazo de trabalho, um filho doente — é vivido como falhanço total, mesmo que tenhas feito a maior parte do que tinhas planeado.

Quero emagrecer urgente. Existe alguma forma rápida e segura?

Não há um atalho seguro para resultados rápidos. Quanto maior a pressa, maior a exigência que se coloca sobre o próprio corpo e sobre a própria cabeça e maior o risco de desistir ao primeiro sinal de que os resultados não vêm ao ritmo desejado. Consistência ao longo do tempo costuma pesar mais do que velocidade inicial.

Quero emagrecer 20 kg urgente. É possível fazer isso rápido?

Um objetivo desta dimensão pede tempo, não pressa. Tentar acelerar um processo assim costuma levar a restrições demasiado rígidas para durar e quando a motivação inicial passa, o risco de desistir por completo é maior do que se o ritmo tivesse sido mais realista desde o início.

Quero emagrecer 10 kg. Isso é possível sem passar fome?

É possível, e sem cortar por completo os alimentos de que gostas. O erro mais comum, quando o objetivo é maior, é começar com restrições muito rígidas o que aumenta a vontade daquilo que se corta e torna a mudança mais difícil de manter do que se fosse feita aos poucos.

Quero emagrecer 5 kg e não voltar a engordar. O que tenho de fazer?

Para perder 5 kg e não voltar a engordar, aposta numa perda gradual e sustentável: cria um défice calórico moderado, privilegia alimentos nutritivos e ricos em proteína, mantém uma rotina de atividade física e dorme bem. Evita dietas muito restritivas. Depois de atingires o peso desejado, mantém os hábitos adquiridos e ajusta a alimentação gradualmente para estabilizar o peso.

Ep.46 – Suplementos para emagrecer funcionam ou só tratam o sintoma?

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