Ep 78 – As feridas da infância na tua relação com a comida

Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Junho 29, 2026
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Resumo do Episódio

Ep.75 – Vontade de comer doces: porque acontece e o que o teu corpo está realmente a pedir

Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Publicado Junho 3, 2026
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Resumo do Episódio

O que pode ser a vontade de comer doces?

A vontade de comer doces tem 4 causas principais e raramente é só uma delas, quase sempre é uma combinação:

  1. Estrutura das refeições: se o dia correu mal a nível alimentar (saltaste o pequeno-almoço, o almoço foi leve, o lanche foi inexistente), o corpo chega ao fim do dia com um défice que vai cobrar de alguma forma.
  2. Stress: o cortisol elevado aumenta o apetite e cria uma procura ativa de alívio.
  3. Sono: dormir mal desregula as hormonas de fome e saciedade e faz o corpo compensar com comida.
  4. Emocional: quando não há nada no dia que te dê prazer ou descanso, o doce torna-se a única saída rápida que sobrou.

Cada uma destas causas tem uma solução diferente. Por isso é importante perceber qual delas (ou quais), estão a acontecer.

Porque tenho vontade de comer doces à noite? Descobre o que pode estar a acontecer no teu corpo

À noite, os níveis de serotonina descem naturalmente como parte do ritmo circadiano do corpo. A serotonina é a hormona do bem-estar. Quando desce, o corpo procura formas de a repor e o açúcar é uma das formas mais rápidas de criar essa sensação.

Se o dia foi stressante, junta-se o cortisol. Um dia com reuniões, decisões, crianças, logística e pouco espaço para respirar… e chegas ao jantar com o cortisol elevado. O cortisol elevado é sinónimo de mais apetite e uma procura ativa de alívio e de conforto. O corpo não está a pedir disciplina e resistência aos doces, está a pedir energia e alívio de uma carga que passou o dia a acumular.

E há uma razão para a vontade ser de chocolate ou bolachas e não de brócolos crus. Quando o corpo precisa de energia, vai buscar o que reconhece como mais calórico. O teu corpo não está a sabotar-te. Está só a fazer o que sempre fez: a seguir a biologia dele.

Há ainda um ponto que quase ninguém liga a esta vontade de comer doces noturna: o jantar em si. Muitas mulheres, por acharem que “já vão dormir e não precisam de comer tanto”, fazem uma sopa e um queijinho fresco. O resultado é um jantar insuficiente que não tem proteína nem hidratos suficientes. E os hidratos ao jantar são importantes precisamente porque ajudam na produção de serotonina. O corpo vai pedir mais tarde, com açúcar, o que não tiver recebido na refeição. Cortar os hidratos ao jantar para ser “mais saudável” agrava exactamente o problema que se está a tentar evitar.

Muitas vezes o problema da vontade de comer doces à noite começa de manhã

O problema que aparece às 22h30 pode ter começado às 7h da manhã.

Quando alguém chega até nós e diz que tem uma vontade de doces irresistível ao fim do dia, a primeira coisa que a nutricionista Beatriz faz é olhar para todas as refeições do dia, não só para o jantar. Começa pelo pequeno-almoço. Porque o défice acumula-se ao longo do dia, e quando o ritmo abranda à noite, quando os filhos já estão na cama e quando não há mais tarefas urgentes, o corpo tem finalmente espaço para ser ouvido. E faz-se ouvir.

Se o pequeno-almoço foi uma torrada com manteiga, o almoço foi uma salada sem proteína, e o lanche foi uma peça de fruta, o corpo passou o dia em modo de poupança. Aguenta enquanto há estímulos e tarefas a distraírem. Quando para, começa a cobrança da energia em falta.

O que deve ter cada refeição para diminuir a vontade de comer doces

Não é necessário comer de forma complicada. É importante garantir que cada refeição tem o básico:

  • Proteína — iogurte grego, ovos, queijo, frango, peixe, leguminosas. É o que mantém a saciedade por mais tempo e previne a fome que aparece horas depois.
  • Hidratos de absorção lenta — arroz, batata, massa, pão escuro, aveia. Demoram mais tempo a ser absorvidos, evitam picos de açúcar no sangue e mantêm a energia mais estável ao longo do dia.
  • Gordura insaturada — azeite, frutos secos, sementes, abacate. Contribui para a saciedade e é necessária para a absorção de vitaminas.
  • Fibra — legumes, fruta, cereais integrais. Ajuda no trânsito intestinal e prolonga a sensação de saciedade.

Dormir mal aumenta a vontade de comer doces?

Sim, dormir mal aumenta a vontade de comer doces. O corpo tem essencialmente duas fontes de energia: o sono e a alimentação. Se já começas o dia com menos energia do que devias (porque dormiste poucas horas, porque o sono foi interrompido, porque ficaste até tarde no telemóvel…), o corpo vai tentar compensar na outra fonte que tem disponível: a comida.

Dormir mal aumenta o cortisol e desregula as hormonas que controlam a fome e a saciedade. A fome aumenta, a saciedade demora mais a chegar. E o corpo vai especificamente atrás do que tem mais calorias porque é o que reconhece como energia rápida.

A era digital não ajuda. Ficamos no telemóvel até tarde, o ritmo circadiano desajusta, e o corpo não chega a entrar nas fases de sono mais profundo que restauram. No dia seguinte, é normal que a vontade de comer doces aumente.

Isto não se resolve com força de vontade para resistir ao chocolate. Resolve-se com sono.

Qual a diferença entre a fome emocional e a compulsão alimentar?

Muitas mulheres que chegam até nós descrevem-se como tendo “compulsão alimentar”. Quando a psicóloga Ana vai explorar o que acontece de facto, a maioria está a descrever fome emocional. São coisas diferentes e a abordagem é diferente.

Critério Compulsão alimentar Fome Emocional
🚦Controlo Perda total — a pessoa não consegue parar sozinha Mantém-se, mesmo que sinta que "cedeu"
🛑O que pára o episódio Um factor externo: acaba a comida, alguém entra na divisão, desconforto físico A própria pessoa, quando decide parar
💥Gatilho Não há um gatilho específico Identificável: stress, cansaço, tristeza, insatisfação
🍪Alimento Qualquer um: cenouras ou bolachas, tanto faz Específico: associado a conforto
🔁Quantidade Grande Muitas vezes normal, nem sequer excessiva
❗O problema real A perda de controlo em si A frequência e o padrão, não a quantidade

O açúcar tem no cérebro um efeito semelhante ao de certas adições, liberta uma sensação de prazer que vicia. O problema é que esse efeito dura pouco. Come-se uma bolacha, a sensação de bem-estar aparece, mas em 15 ou 20 minutos desapareceu e o corpo pede outra. É esse ciclo que cria a sensação de “não consigo parar”.

Quando o doce à noite é a única coisa que ainda é tua

Este é o ponto que mais reconhecemos nas mulheres com quem trabalhamos.

Passam o dia inteiro a dar. Ao trabalho, às reuniões, aos filhos, à casa, à escola, ao supermercado, à roupa por dobrar. Chegam ao fim do dia sem ter recebido nada. Sem ter tido um momento que fosse só delas.

Quando perguntamos “o que é que fazes só para ti?”, não como mãe, não como profissional, não como companheira, só como tu, a resposta mais comum é silêncio. E depois: “há anos que não existe isso.”

Temos mulheres que nos dizem que há 10 anos adoravam pintar. Que tocavam guitarra. Que tinham um grupo de amigas com quem iam jantar uma vez por mês. Que liam. Quando foi a última vez? Pois foi.

A solução não é eliminar o doce. É criar outras fontes de satisfação para que o doce deixe de ser a única. Quanto mais fontes de prazer e descanso real existirem ao longo do dia, uma caminhada, uma chamada a uma amiga, dez minutos de livro, uma aula de algo que se gosta, menos o doce precisa de fazer esse trabalho todo sozinho.

Resolver o que está pendente e trazer de volta o que foi esquecido: é simples de dizer e leva tempo a fazer. Mas é o que muda o padrão.

O que fazer quando a vontade de comer doces aparece: estratégias concretas

O primeiro passo é perceber se é fome física ou emocional. A pergunta que a psicóloga Ana usa com as alunas BMFIT é direta: “se o que tens aqui fosse sopa, ovos ou iogurte — comias?” Se a resposta for sim, é fome física. Come, sem drama. Se a resposta for não, e se o que queres é especificamente chocolate ou bolachas, provavelmente é fome emocional.

👉🏽Se estás esgotada, a resposta é descanso, não é chocolate. Um banho enquanto o chá está a fazer, o chá, e ir dormir. Se estás triste ou irritada, pode ser uma chamada a alguém que te faz bem. Se estás insatisfeita com algo que ficou por resolver, é enfrentar isso, por mais que custe.

E se mesmo assim a vontade aparecer depois de teres feito tudo bem? A nutricionista Beatriz tem uma estratégia que gosto de usar: em vez de ceder a um doce fora das refeições, tornar o próprio jantar mais “docinho”.Uma fonte de hidratos que satisfaça mais, uma sobremesa ligeira incluída na refeição, tudo isto continua a ser uma refeição completa. E há dias em que o quadradinho de chocolate depois do jantar é exactamente o que faz sentido. Um quadradinho não estraga nada. O problema não é o chocolate em si, mas o facto do chocolate ser a única coisa disponível para gerir as emoções.

Perguntas Frequentes

Vontade de comer doces

A maior parte das vezes não é fome. É a forma que arranjaste de desligar depois de um dia inteiro a aguentar.

Porque tenho sempre vontade de comer doces?

A vontade de doces com frequência tem geralmente uma ou mais destas causas: refeições insuficientes ou sem proteína ao longo do dia, stress acumulado com cortisol elevado, sono de má qualidade, ou procura emocional de conforto quando não há outras fontes de prazer ou descanso. Raramente é só uma delas.

Porque tenho vontade de comer doces à noite mesmo depois de jantar?

À noite, os níveis de serotonina descem naturalmente. O açúcar é uma forma rápida de repor essa sensação de bem-estar. Se o dia foi stressante, o cortisol amplifica tudo. E se o jantar foi insuficiente, sem proteína ou hidratos suficientes, o corpo pede o que não recebeu.

Dormir mal provoca vontade de comer doces?

Sim. Dormir mal desregula as hormonas de fome e saciedade e aumenta o cortisol. O corpo compensa a falta de energia do sono na alimentação e vai especificamente atrás do que tem mais calorias.

O que comer para não ter vontade de comer doces?

Garante que cada refeição tem proteína, hidratos de absorção lenta, gordura saudável e fibra. Não saltes refeições nem faças um jantar demasiado leve por achar que “já não é preciso comer tanto”.

A vontade de comer doces é fome emocional?

Pode ser, mas não é sempre. A fome emocional tem um gatilho identificável: stress, cansaço, tristeza ou outra emoção, e alimentos específicos que a pessoa vai buscar. A compulsão alimentar é diferente: envolve perda total de controlo e grandes quantidades sem gatilho claro. Se a vontade aparece sempre nos mesmos contextos emocionais e em alimentos específicos, provavelmente é fome emocional.

Como perder a vontade excessiva de comer doces?

Começa por garantir refeições completas ao longo do dia. Sem isso, o corpo vai buscar açúcar à noite para compensar. Depois, olha para o stress e para o sono, porque são eles que puxam os cravings mais do que a falta de força de vontade.

Tenho vontade de comer doces todos os dias, o que pode ser?

Pode ser simplesmente o teu dia a dia: pouca proteína, pouca fibra e muito stress acumulado. Antes de pensar que és tu que falhas, vale a pena olhar para o que comeste e para o que sentiste nas horas antes dessa vontade aparecer.

Como cortar a vontade de comer doces?

Não te preocupes em cortar, mas sim em perceber de onde vem. Comer bem durante o dia, dormir o suficiente e gerir o stress reduzem a vontade muito mais do que qualquer força de vontade à noite.

Tenho vontade de comer doces na TPM, é normal?

Sim, e não tem nada a ver com falta de controlo. Na fase lútea a progesterona sobe, o metabolismo acelera e o corpo pede mais calorias, o que aumenta a vontade de comer doces.

Porque sinto tanta vontade de comer doces?

Muitas vezes é o cansaço do dia a pedir alívio rápido, e o açúcar dá exatamente essa sensação de conforto. É o teu sistema nervoso a pedir uma pausa.

A menopausa aumenta a vontade de comer doces?

Sim. As oscilações hormonais desta fase mexem com a serotonina e com a forma como o corpo gere a energia, e isso traduz-se muitas vezes em mais vontade de açúcar.

Ep.71 – Sensação de fome mesmo depois de comer e a relação emocional com a comida

Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Maio 28, 2026
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Resumo do Episódio

3 razões pelas quais sentes fome mesmo depois de comer

A sensação de fome que não passa, mesmo depois de comer, tem quase sempre uma de três origens. Fome física que ficou acumulada ao longo do dia. Fome hormonal, ligada à fase do ciclo menstrual. Ou fome emocional, que é a menos comum das três, mas a que toda a gente assume ter. Confundir as três é o erro mais frequente. E leva a soluções que não resolvem nada porque estão a tratar a causa errada.

Comos distinguir os 3 tipos de fome?

🥐Tipo de Fome 🔍O que está a acontecer 👉🏽Como se distingue
Fome física acumulada O corpo ficou sem energia suficiente durante o dia porque saltaste refeições, comeste pouca proteína ou empurraste a fome com trabalho. Aparece sobretudo ao fim do dia; desaparece quando passas a comer regularmente ao longo do dia.
Fome hormonal Na fase lútea (2 semanas antes do período), o metabolismo acelera e o corpo precisa de mais calorias. Coincide com a fase pré-menstrual; vem com cravings por doces e alimentos calóricos; é cíclica e previsível.
Fome emocional A comida é usada para regular emoções intensas, sejam positivas ou negativas, quando não há outras estratégias disponíveis. Surge em resposta a situações emocionais; a pessoa consegue parar quando quer; vem com culpa a seguir.

A fome física que ficou acumulada gera esta sensação de fome mesmo depois de comer

A maioria das mulheres que chega até nós convicta de que “tem fome emocional” e que “não consegue controlar” simplesmente não comeu o suficiente durante o dia.

Mãe ocupada com trabalho e filho à mesa, sem tempo para comer, exemplo de fome física ligada à sensação de fome mesmo depois de comer

À noite, quando as tarefas acabam e o nível de stress desce, o corpo finalmente tem espaço para se fazer ouvir. E faz-se ouvir com força. Parece descontrolo ou fraqueza, mas é mesmo só uma acumulação de 8 horas de fome.

Tivemos uma aluna que trabalhava numa posição de chefia com uma pressão muito elevada, conta-nos a psicóloga Ana Alves. Chegava a casa e a descrição dela era sempre a mesma: “ataco o frigorífico e não consigo controlar.” Tinha a certeza de que o problema era emocional. Quando fomos ver o que tinha comido durante o dia, o quadro era claro: um almoço rápido em cima da secretária, sem proteína, e depois nada até chegar a casa.

O que fizemos foi simples: 

  • Começar a acordar 10 minutos mais cedo para preparar um smoothie que bebia no carro a caminho do trabalho;
  • Incluir proteína no almoço;
  • Fazer 2 lanches rápidos que podia comer sem parar de trabalhar: um iogurte líquido, uma barra de proteína, coisas que não implicavam sentar nem parar. 

A fome de fim de dia desapareceu sem ser necessária terapia, sem trabalho emocional. Só com nutrição.

Porque é que a sensação de fome mesmo depois de comer acontece mais à noite?

Mulher come à noite na cozinha: no acompanhamento online fitness há um maior controle da fome emocional

Aqui há 2 razões principais:

  • Durante o dia as tarefas ocupam a atenção e funcionam como distração dos sinais de fome. Quando o dia acaba, o corpo deixa de ter competição.
  • A capacidade de controlo não é ilimitada. Ao longo de um dia de trabalho, de decisões, de lidar com os filhos e com imprevistos, essa capacidade vai-se gastando. No final do dia já não tens a mesma reserva que tinhas de manhã. O impulso ganha força exactamente quando a bateria está mais baixa.

Por isso é que trabalhar “a vontade de comer à noite” é quase sempre ineficaz. O problema começou antes, mais cedo durante o dia.

Sensação de fome mesmo depois de comer? O ciclo menstrual pode ser a explicação

Durante as duas semanas antes da menstruação – a fase lútea -, o metabolismo da mulher acelera. O corpo está a preparar-se para a menstruação e gasta mais energia nesse processo.

O que acontece na prática: o corpo pede mais energia, e vai buscá-la nos alimentos mais calóricos como o chocolate, doces ou salgados. A progesterona está mais elevada, há mais retenção de líquidos, mais inchaço, e o peso sobe um pouco. É tudo normal.

O problema é quando essa fome toda é interpretada como fome emocional ou falta de controle. Não é. É o metabolismo a fazer o seu trabalho. Quando as mulheres que acompanhamos percebem isto, alguma coisa muda. Percebem que não são fracas naqueles dias. Que o corpo está a pedir o que precisa. E aí conseguem responder de forma consciente: reforçar a proteína, ter opções mais equilibradas à mão, e permitir-se comer um pouco mais sem culpa.

Algumas sinais práticos de que pode ser fome hormonal:

  • A fome aumentada é cíclica e acontece sempre mais ou menos nos mesmos dias do mês;
  • Vem acompanhada de inchaço, sensibilidade mamária ou mudanças de humor;
  • Os cravings são sobretudo por doces ou por alimentos muito calóricos;
  • Passa quando começa a menstruação

Sensação de fome mesmo depois de comer? Percebe o que é (e o que não é) fome emocional

Fome emocional é usar a comida para regular emoções intensas. Quando estás ansiosa, preocupada, triste, entediada ou até muito feliz, e o impulso é ir buscar comida para aliviar ou escapar desse estado. A chave está nas emoções intensas. 

Comer um gelado quando estás cansada não é fome emocional. Petiscar umas bolachas enquanto vês televisão não é fome emocional. Isso é comer. Faz parte da vida de qualquer pessoa com uma relação razoavelmente equilibrada com a comida.

Computador com capa do ebook Fome emocional como controlar protocolo SOS, do programa de emagrecimento BodyMindFit, elaborado pela psicóloga Ana Alves OPP 26414

Fome emocional e compulsão alimentar não são a mesma coisa

A compulsão alimentar é uma perturbação clínica com características muito específicas. Na compulsão, a pessoa perde o controlo sobre o que está a comer. O comportamento começa de forma automática, muitas vezes com pouca consciência. A pessoa só para quando o alimento acaba, quando chega alguém, ou quando está desconfortavelmente cheia. A frequência e a intensidade são muito maiores do que num episódio de fome emocional.

Nas redes sociais fala-se tanto de fome emocional que toda a gente passou a achar que a tem. E há um problema com isso. Se acreditares que tens uma relação emocional perturbada com a comida, o teu cérebro vai confirmar essa crença. Sempre que sentires algo intenso, a primeira resposta vai ser a comida porque é isso que uma pessoa “com fome emocional” faz. A identidade cria o comportamento.

Quando as nossas alunas chegam com este auto-diagnóstico, a primeira coisa que fazemos é perceber se estamos mesmo a falar de fome emocional, de fome física acumulada, de fome hormonal, ou simplesmente de comer como qualquer pessoa come.

Como é que a fome emocional se desenvolve

Desde muito cedo, a comida tem um papel afetivo na nossa cultura. Quando estamos doentes comemos uma canja. Quando nos portamos bem na escola, temos direito a um gelado. Nos dias de festa é comer tudo e mais alguma coisa. O cérebro aprende, desde pequenino, que a comida traz conforto e prazer.

Quando não se constroem outras formas de regular as emoções, tais como respirar, mover o corpo, falar com alguém ou descansar, a comida fica como a estratégia principal disponível. Sempre que surge uma emoção intensa e desconfortável, o cérebro vai direto ao que aprendeu que funciona.

Aquilo que geralmente interpretamos como fraqueza, muitas vezes é só o nosso cérebro a funcionar no automático, a ir direto ao que funciona. A boa notícia é que o que se aprende pode ser desaprendido, mas precisa de ser trabalhado, não ignorado.

Infográfico

Porque ir à raiz desta sensação de fome mesmo depois de comer importa mais do que controlar o impulso

Há muitas estratégias para lidar com o impulso de comer: esconder os alimentos em sítios menos acessíveis, fazer uma pausa de dois minutos antes de ir ao frigorífico, beber água primeiro. Essas estratégias podem ajudar. Mas se a causa raiz não for tratada, o impulso volta, especialmente quando a vida se complica.

Em consulta, o trabalho começa sempre por identificar o padrão da pessoa. Em que situações come fora das refeições? Que emoção estava a sentir? O que estava a fazer? O que tinha à volta? Este registo de automonitorização não é para julgar ninguém, é mesmo para conhecer. E quase sempre, o padrão que aparece acaba por surpreender.

Se o trabalho tivesse sido só “controla o impulso quando estiveres entediada”, iria funcionar até ao próximo momento de tédio. Como a raiz foi identificada, foi possível trabalhar algo diferente: criar atividades de autocuidado para esses momentos, coisas que ela gostava e que não fazia há anos. Os momentos de “não fazer nada” tornaram-se menos insuportáveis. O impulso de comer nesses momentos diminuiu.

Mulher a comer pão com as mãos, imagem sobre fome emocional e sensação de fome mesmo depois de comer

Há uma ferramenta que usamos com frequência neste processo: a linha da vida do corpo. Pedimos às pessoas que mapeiem os momentos da vida em que houve ganho ou perda de peso significativos. O que aparece quase sempre é um padrão: os mesmos tipos de situações, tais como as separações, mudanças de trabalho, perdas ou pressão acumulada vêm associados aos maiores ganhos de peso. Ver esse padrão muda a perspectiva. O peso deixa de parecer aleatório e passa a ter uma história. E quando tem uma história, começamos a poder encontrar as soluções.

O que podes fazer hoje para começares a identificar a causa da tua sensação de fome mesmo depois de comer

Antes de concluir que tens falta de controlo, vale a pena perceber qual das três fomes está a acontecer. Começa pelo mais simples: 

  • Faz pelo menos quatro refeições por dia, todas com proteína presente. Pequeno-almoço, almoço, lanche, jantar. Sem saltar.
  • Não saltes o lanche da tarde. Entre o almoço e o jantar há muitas vezes quatro a cinco horas. Chegar ao jantar com essa fome acumulada torna o descontrolo quase inevitável.
  • Durante uma semana, observa em que situações comes fora das refeições. Sem julgamento, observa só. Que horas são? O que sentias? O que estavas a fazer? 
  • Verifica em que fase do ciclo estás quando a fome aumenta. Se é sempre nas mesmas semanas do mês, pode ser hormonal, e saber isso muda a forma como respondes.
Perguntas Frequentes

Sensação de fome mesmo depois de comer

Porque tenho uma fome que não passa mesmo depois de comer bem?

A fome que persiste depois de comer pode ter várias causas. A mais comum é estares a comer pouca proteína. A proteína é o macronutriente que mais contribui para a saciedade, e uma refeição sem ela deixa fome mais cedo. Outra causa frequente é não comer o suficiente ao longo do dia e estar a acumular fome sem perceber. Se a fome é constante e não se resolve com refeições regulares e proteína suficiente, vale a pena avaliar com um profissional.

Porque como mais antes do período?

Durante a fase lútea (as 2 semanas antes da menstruação), o metabolismo da mulher acelera e o corpo precisa de mais energia para se preparar para a menstruação. Isso traduz-se em mais apetite, sobretudo por alimentos calóricos. Parece falta de controlo, mas é o corpo a pedir o combustível de que precisa. Saber isto permite responder de forma consciente: reforçar a proteína, ter opções equilibradas à mão, e não entrar em loops de culpa nos dias em que comes um pouco mais.

Como parar de comer à noite sem fome?

A solução para o descontrolo à noite quase nunca está à noite. Começa por perceber o que comeste durante o dia: fizeste todas as refeições? Tinhas proteína no almoço e no lanche? Se não, o corpo está a cobrar à noite o que não recebeu durante o dia. Garante quatro refeições regulares com proteína e observa se o padrão de fim de dia muda. Se mesmo assim o impulso de comer à noite persistir, sobretudo em resposta a situações emocionais, pode valer a pena trabalhar esse padrão com um profissional.

Ep.32 – Como sobreviver ao Natal em família quando estás em processo de emagrecimento

Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
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Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Filipe Simões
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Publicado Março 18, 2026
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Resumo do Episódio

Sobreviver ao Natal em família não significa controlar tudo o que comes, recusar sobremesas ou justificar cada escolha alimentar. Significa conseguir aproveitar a época, colocar limites quando necessário e voltar à tua rotina sem culpa.

O Natal pode ser desafiante quando surgem comentários sobre o teu corpo, o teu peso ou aquilo que estás a comer:

  • “Então não estavas de dieta?”
  • “Vais comer isso tudo?”
  • “Estás mais cheinha, não estás?”

Quando já existe insegurança relativamente ao corpo ou à alimentação, uma frase de poucos segundos pode ficar na cabeça durante horas.

A solução não é evitar a família nem transformar cada refeição numa batalha. Para sobreviver ao Natal com mais tranquilidade, podes preparar respostas, estabelecer limites e lembrar-te de que uma refeição diferente não apaga os hábitos construídos ao longo do tempo. ❤️

5 ideias para sobreviver ao Natal sem culpa

  • 🗣️ Não tens de justificar tudo o que comes.
  • 🚧 Podes estabelecer limites sobre comentários ao teu corpo.
  • 🍰 Uma sobremesa não significa que “estragaste tudo”.
  • 🔄 Podes voltar à tua rotina na refeição seguinte.
  • ❤️ O Natal é sobre convívio, não apenas sobre comida.

Porque é que os comentários da família nos afectam?

Os comentários familiares podem atingir uma insegurança que já existe.

Se alguém diz “estás mais gorda?” quando já estás preocupada com o teu corpo, é natural que a frase tenha mais impacto. Isto não significa que o comentário seja aceitável — significa apenas que pode ter encontrado uma vulnerabilidade que já existia.

Também é possível que alguns comentários revelem mais sobre a relação da outra pessoa com o corpo e a alimentação do que sobre ti.

Não precisas de transformar a opinião de alguém numa verdade sobre o teu corpo.

Como responder a comentários incómodos?

Situação Resposta possível Estratégia
“Come mais um bocadinho.” “Obrigada, mas já estou satisfeita.” Agradece e muda de assunto.
“Então não estavas de dieta?” “Prefiro não falar disso.” Não justifiques a tua alimentação.
“Estás mais cheinha.” “Prefiro não falar sobre o meu corpo.” Estabelece um limite.
“Vais comer isso tudo?” “Vou comer aquilo que me apetecer.” Responde sem entrar em discussão.

Quanto mais explicares uma decisão, mais espaço podes estar a dar para que a outra pessoa discuta contigo. Uma resposta curta pode ser suficiente.

Porque é que insistem tanto para comermos?🍽️

Em muitas famílias portuguesas, comida é sinónimo de carinho, hospitalidade e celebração.

A pessoa que diz “come mais um bocadinho, fiz isto para ti” pode estar a demonstrar afecto. Mas isso não significa que tenhas de comer quando já estás satisfeita.

A intenção pode ser boa e, ainda assim, o impacto pode ser desconfortável.

Podes agradecer, recusar e seguir a conversa.

Como recusar comida sem dizer que estás de dieta?

Não precisas de dizer que estás de dieta para recusar uma sobremesa.

Podes simplesmente dizer:

“Não, obrigada. Já estou satisfeita.”

Ou:

“Agora não, obrigada.”

Se quiseres comer, também podes comer. Se não quiseres, não tens de apresentar uma justificação nutricional.

Evitar transformar cada escolha alimentar numa conversa sobre peso pode ajudar-te a sobreviver ao Natal com menos pressão.

Uma refeição de Natal pode estragar o teu progresso?🎄

Uma refeição diferente não significa que perdeste todo o progresso.

O problema surge quando uma refeição passa rapidamente de:

“Comi uma rabanada.”

para:

“Já estraguei tudo.”

e depois:

“Agora só volto a cuidar de mim em Janeiro.”

Este pensamento de tudo ou nada pode transformar uma refeição especial em vários dias fora da rotina.

Em vez disso, aproveita o jantar e volta à tua alimentação habitual na refeição seguinte.

  • Não precisas de compensar.
  • Não precisas de restringir.
  • Não precisas de esperar por Janeiro. 🔄

Como sobreviver ao Natal quando tens vários jantares?

Dezembro pode ter jantares da empresa, encontros com amigos e refeições familiares.

Isso não significa que o mês inteiro tenha de ser uma excepção.

Se tens um jantar especial na sexta-feira, aproveita-o. No sábado, volta à tua rotina habitual. Se houver outro jantar na terça, desfruta novamente e continua normalmente depois.

O objectivo é evitar a ideia de:

“É Dezembro, por isso agora já não interessa.”

A flexibilidade é importante porque uma alimentação sustentável precisa de conseguir incluir aniversários, férias, jantares, festas e Natal. 🎅

Como comer sobremesas sem transformar o Natal numa batalha?🍰

Não precisas de excluir todos os alimentos de que gostas.

Se existem várias sobremesas, podes:

  • escolher as que realmente te apetecem;
  • servir pequenas quantidades para provar várias;
  • escolher apenas a tua preferida;
  • repetir se ainda quiseres comer mais.

O mais importante é conseguires fazer escolhas sem transformar cada alimento numa avaliação do teu sucesso ou fracasso.

Servir o próprio prato pode ajudar?

Sim. Servires o teu próprio prato permite-te escolher as quantidades que realmente queres comer.

Em vez de alguém decidir por ti, podes olhar para a refeição como um todo e incluir aquilo que te apetece.

Não precisas de escolher entre “comer tudo” e “não comer nada”.

Como evitar o petiscar constante?

No Natal, a comida pode ficar disponível durante horas. Se as sobremesas e travessas permanecem constantemente à tua frente, é mais fácil comer automaticamente enquanto conversas ou vês televisão.

Uma estratégia simples é retirar a comida da zona de convívio depois da refeição. Guardar as sobremesas na cozinha cria uma pequena pausa entre o impulso e a decisão de comer. Não é uma punição nem uma proibição. É apenas uma forma de diminuir o petiscar automático.

Também podes prestar mais atenção à conversa, aos jogos e às pessoas que estão contigo.

Como fazer com que o Natal não gire apenas à volta da comida?

A comida faz parte do Natal, mas não precisa de ser o único foco.

Depois do jantar, podem:

  • 🎲 jogar um jogo;
  • 🚶 fazer uma caminhada;
  • ☕ ficar a conversar;
  • 🎬 ver um filme;
  • 🎵 ouvir música.

Criar momentos longe da mesa ajuda a que o convívio não fique limitado à comida.

E não precisas de organizar um programa elaborado. Às vezes, basta perguntar:

“Vamos dar uma volta?”

ou

“Vamos jogar qualquer coisa?”

Como lidar com a culpa depois de comer mais?

Se comeste mais do que planeavas, tenta não transformar uma refeição num julgamento sobre todo o teu processo.

Em vez de pensar:

“Perdi o controlo.”

podes simplesmente reconhecer:

“Hoje comi mais do que queria. Na próxima refeição, continuo normalmente.”

Uma refeição não precisa de determinar as escolhas dos dias seguintes.

Evita entrar no ciclo de restrição → culpa → compensação → nova perda de controlo.

Voltar à rotina é suficiente.

como sobreviver ao Natal em família acompanhamento online fitness BMFIT

Afinal, como sobreviver ao Natal?🎄

Sobreviver ao Natal não significa controlar tudo o que comes.

Significa conseguir desfrutar das refeições, dizer “não” quando não queres comer, colocar limites aos comentários sobre o teu corpo e continuar a tua rotina sem culpa.

  • Podes comer uma rabanada.
  • Podes repetir a sobremesa.
  • Podes recusar comida.
  • Podes ter vários jantares de Natal.

Nenhuma destas escolhas precisa de transformar Dezembro num mês de “tudo ou nada”.

O Natal é uma parte da tua vida. Não precisa de ser uma interrupção daquilo que estás a construir. Feliz Natal!❤️

Perguntas Frequentes

Como sobreviver ao Natal?

O que responder quando comentam o meu peso?

Podes dizer: “Prefiro não falar sobre o meu corpo.” Não precisas de justificar o teu peso, a tua alimentação ou o teu progresso.

Como dizer não à comida sem parecer mal-educada?

Agradece e diz que estás satisfeita: “Obrigada, mas já estou satisfeita.” Se insistirem, podes repetir a resposta e mudar de assunto.

Uma refeição de Natal pode estragar a perda de peso?

Uma refeição diferente não significa automaticamente que perdeste todo o progresso. O mais importante é evitar o pensamento de “já estraguei tudo” e retomar a tua rotina habitual.

Devo fazer dieta antes ou depois do Natal?

Não precisas de compensar as refeições de Natal com restrição. Mantém uma rotina equilibrada nos restantes dias e encara as refeições especiais como parte da vida.

Tenho vários jantares de Natal. Como mantenho a rotina?

Trata cada jantar como um evento específico. Aproveita a refeição e continua normalmente nos restantes dias, sem transformar Dezembro inteiro numa excepção.

Preciso de recusar sobremesas para manter os meus hábitos?

Não. Podes provar uma sobremesa, escolher uma pequena porção, comer aquilo de que realmente gostas ou não comer se não te apetecer.

Ep.27 – O que comer no restaurante para não engordar (sem ires com fome nem com medo)

Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Março 9, 2026
Tempo de leitura — min

Resumo do Episódio

Como comer no restaurante e não engordar?

Uma refeição fora de casa não tem poder para deitar por terra semanas de trabalho. Ainda assim, é assim que a maioria das mulheres a trata: como um teste em que se pode reprovar. Vais a um jantar já decidida a pedir só salada, já a jurar que não bebes vinho, com a cabeça no “não posso, não posso, não posso”. Chegas lá, alguém pergunta “só vais comer isso?”, sentes-te mal, cedes um bocadinho e a partir daí é tudo ou nada. Comeste a sobremesa? Então mais vale comer o resto também, porque “já estragaste”.

É a mentalidade de tudo ou nada que transforma um jantar normal num momento de tensão, muito mais do que a comida em si. Uma salada isolada não te faz emagrecer. Um jantar fora isolado não te faz engordar. O que decide é o que fazes na maior parte dos dias, não o que pediste numa sexta-feira à noite. É o mesmo ciclo que descrevemos em Amanhã faço dieta, hoje já estraguei tudo: raramente é a comida que desfaz um processo. É o pensamento que vem a seguir.

Comer fora por rotina ou por ocasião especial pede a mesma estratégia?

Não pede a mesma estratégia. Comer fora por rotina, o almoço de trabalho, o dia em que não levaste comida de casa, pede escolhas mais cuidadas, porque acontece muitas vezes por semana. Comer fora numa ocasião especial pede o oposto: aproveitar sem entrar em modo de restrição.

Quando é rotina (trabalho, dia a dia)

Se comes fora várias vezes por semana porque é assim que a tua vida está organizada, isto já não é uma exceção. Vale a pena escolher com mais cuidado: grelhados ou cozidos, garantir que há vegetais no prato (mesmo que seja preciso pedir uma sopa ou uma salada à parte), água em vez do copo de vinho automático, e evitar molhos e frituras sempre que possível.

Foi isto que fizemos com a Patrícia, uma das alunas que acompanhámos, que trabalhava com eventos e tinha jantares constantes por causa da profissão. Não lhe dissemos para evitar essas situações, isso era impossível, fazia parte do trabalho dela. Ensinámos-lhe a escolher as melhores opções dentro do que estava disponível em cada jantar, com o mesmo tipo de planeamento que usamos com quem tem a semana cheia de trabalho e sem tempo para parar.

mulher no restaurante a ler ebook que explica o que comer no restaurante para não engordar

Quando é esporádico (celebrações, convívio)

Se é um jantar de aniversário, um almoço de família ao domingo, uma saída pontual com amigas, a orientação muda por completo: aproveita. Desfruta da comida e da companhia sem entrar em modo de restrição. Não é uma refeição fora da rotina que vai desfazer o teu processo, e insistir em pedir só a saladinha, em não comer o bolo, em estar ali tensa a controlar tudo, normalmente traz mais frustração do que resultado. É o que vemos repetidamente com as alunas do programa: quem se permite aproveitar estes momentos sem culpa mantém a consistência muito melhor do que quem tenta controlar tudo. Já falámos sobre este equilíbrio em Vida social vs. vida fit: convívio e emagrecimento não competem entre si.

Mas afinal, o que comer no restaurante para não engordar?

A regra mais simples é esta: quanto mais parecido com comida caseira, feita na hora, melhor a escolha.

Categoria Prefere Evita
🍴 Tipo de restaurante Restaurantes tradicionais, grelhados, cozinha mediterrânica Cadeias de fast food
🥩 Confeção Carne ou peixe grelhado, cozido ou assado Fritos e panados
🥦 Acompanhamento Legumes, sopa, salada como acompanhamento Molhos pesados e cremosos
🍓 Sobremesa Fruta na sobremesa Refeições muito processadas

Muitas mulheres acham que quando vão a um restaurante têm de escolher exatamente o que está no menu, sem margem nenhuma. Não é verdade. Se pedires um bife e ele vier frito, podes perguntar se conseguem fazer grelhado, em qualquer restaurante tradicional, eles fazem. Não há problema nenhum nisso, e não há razão para teres vergonha de pedir. É estares a cuidar da tua saúde, nada mais do que isso.

O mesmo vale para a sobremesa. Muitos restaurantes de rotina têm sempre fruta na carta. E se não te apetecer comer ali, também podes pedir para levar e comer mais tarde, no lanche. Se quiseres uma lista mais completa de opções por tipo de restaurante e situação, temos um guia dedicado a isto: Como jantar fora e continuar a emagrecer.

Que estratégias usar à mesa para não comer a mais?

  • Antes de saíres de casa, garante que bebeste água suficiente ao longo do dia. A desidratação pode dar uma sensação parecida com a fome, e se já vais para o restaurante com vontade de aproveitar tudo, misturar sede com fome só torna mais difícil parar a tempo.
  • À mesa, uma tática simples funciona bem: olha para o prato assim que chega e decide logo até onde vais comer, em vez de ires comendo sem pensar até dares por ti a acabar tudo. Visualmente já se percebe quando um prato tem mais do que precisas, não precisas de o terminar só porque está ali.
  • Come devagar. Faz pausas entre garfadas, conversa, larga os talheres de vez em quando. Quem come muito depressa, muitas vezes porque poupou calorias antes e não lanchou, acaba a comer mais do que precisava, porque o corpo ainda não teve tempo de perceber que já está satisfeito. A comida não vai a lado nenhum. Não precisas de correr.
  • E se sobrar comida boa, podes pedir para levar. Não é preciso decidir entre desperdiçar ou comer a mais.

E se “já estraguei tudo”? Como sair da mentalidade de tudo ou nada

Uma refeição fora não apaga o que fizeste na semana, no mês ou nos últimos meses. O que costuma pesar mais é a ansiedade à volta do prato: o stress de pensar nisso antes, durante e depois muitas vezes faz mais mal do que a própria refeição.

Comeste uma sobremesa? Tudo bem. Soube-te bem, aproveitaste, era mesmo o que te apetecia, agora voltas à tua rotina normal, sem precisar de castigo nem de compensar a dobrar no dia seguinte. É esse vaivém entre dias de restrição extrema e dias sem controlo nenhum que dificulta os resultados, muito mais do que comer um doce a meio da semana. É o mesmo padrão que explicamos em Dieta ioió: o problema nunca é a refeição isolada, é a montanha-russa que vem depois dela.

Uma refeição não estraga um processo inteiro. O que decide tudo é o que decides fazer no dia a seguir.

Perguntas Frequentes

O que comer no restaurante para não engordar?

O que comes no restaurante não estraga o teu emagrecimento por si só.

Posso beber vinho quando saio para jantar?

Podes. O importante é não decidires à partida que “hoje não posso beber nada”, porque isso é que costuma disparar a mentalidade de restrição. Modera, escolhe se realmente te apetece, e segue em frente sem drama.

E se não houver nenhuma opção saudável no menu?

Quase sempre há. Mesmo num restaurante tradicional português, consegues pedir um grelhado, uma sopa, uma salada como acompanhamento. Se realmente não houver mesmo nada, é um imprevisto pontual, não é motivo para desistir do resto do dia.

Com que frequência posso comer fora sem prejudicar o emagrecimento?

Depende se é rotina ou exceção. Se comes fora todos os dias por causa do trabalho, vale a pena escolher com mais cuidado, porque isso já faz parte do teu padrão habitual. Se é uma vez pontual, um jantar de aniversário, um convívio, aproveita sem peso na consciência. É o conjunto da semana que conta, não uma refeição isolada.

Faz mal comer rápido quando saio para jantar?

Comer muito depressa faz sentir menos a saciedade e leva a comer mais do que precisavas. Não é proibido, mas se costumas sair de um jantar a sentir que exageraste outra vez, experimenta abrandar o ritmo. Muitas vezes o problema não é o que pediste, é a velocidade a que comeste.