Ep.36 – Como não engordar no Natal?

Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Março 27, 2026
Tempo de leitura — min

Resumo do Episódio

Como não engordar no Natal passa por:

  • manter refeições regulares durante o dia;
  • chegar às refeições festivas sem fome acumulada;
  • escolher os alimentos de que realmente gostas;
  • comer com atenção à saciedade;
  • não usar o exercício como compensação;
  • retomar a rotina depois de uma refeição diferente;
  • interpretar a balança com algum contexto.

Para quem quer aprofundar a relação entre alimentação e emagrecimento, pode ser útil consultar também o conteúdo sobre emagrecer sem dieta.

Afinal, é possível não engordar no Natal?

Sim. É possível passar pelo Natal sem abandonar um processo de emagrecimento.

Uma refeição mais calórica pode fazer parte da alimentação sem determinar o resultado de todo o mês. O que importa é o padrão global e a capacidade de regressar aos hábitos habituais depois dos momentos festivos.

O episódio do BMFIT abordado neste artigo explora precisamente esta dificuldade: o Natal tende a ser tratado como uma exceção, quando existem desafios semelhantes noutras alturas do ano.

A capacidade de adaptar a alimentação a estes contextos faz parte de um processo sustentável de emagrecimento.

Para aprofundar este tema, consulta também “Estilo de vida saudável”.

Porque é que tantas mulheres sentem que vão “estragar tudo” no Natal?

mulher como bolacha - como não engordar no Natal acompanhamento online BMFIT (2)

A mentalidade de tudo ou nada pode tornar uma refeição diferente num problema muito maior do que ela realmente é.

O padrão costuma ser:

  1. chega dezembro;
  2. aparecem vários jantares;
  3. surge a ideia de que será impossível manter o plano;
  4. aumenta a restrição antes das refeições;
  5. acontece uma refeição mais abundante;
  6. aparece o pensamento “já estraguei tudo”;
  7. a rotina é adiada para janeiro.

Este ciclo é semelhante ao padrão abordado no conteúdo sobre “Amanhã faço dieta, hoje já estraguei tudo”.

A armadilha do “8 ou 80”

Uma escolha alimentar diferente não precisa de determinar as escolhas seguintes.

Por exemplo:

  • jantar fora não significa perder a semana;
  • comer sobremesa não significa continuar a comer em excesso;
  • beber num jantar não significa abandonar a rotina;
  • ter vários jantares sociais não significa que dezembro esteja perdido.

A questão passa por interromper a sequência antes de ela crescer.

Refeição diferente → refeição habitual.

Dezembro não apaga os hábitos que já construíste

Se durante o ano aprendeste a:

  • organizar refeições;
  • reconhecer diferentes tipos de fome;
  • escolher alimentos de forma consciente;
  • manter atividade física;
  • lidar com refeições fora;
  • retomar a rotina depois de um desvio;

essas capacidades continuam disponíveis em dezembro.

O calendário muda, mas os hábitos aprendidos não desaparecem.

Quanto peso se pode ganhar depois de uma refeição de Natal?

Uma subida rápida na balança depois de uma refeição mais abundante não corresponde necessariamente à mesma quantidade de gordura corporal.

Durante o Natal podem mudar vários fatores:

  • quantidade de comida ingerida;
  • consumo de sal;
  • consumo de hidratos de carbono;
  • ingestão de líquidos;
  • consumo de álcool;
  • horários das refeições;
  • trânsito intestinal.

Estas alterações podem influenciar temporariamente o peso corporal.

O que observas O que pode estar a acontecer Como interpretar
Peso superior no dia seguinte Alterações de água corporal e conteúdo digestivo, entre outros fatores Não assumir automaticamente ganho equivalente de gordura
Peso a subir durante vários dias Rotina alimentar diferente e possíveis alterações de retenção de líquidos Observar a tendência depois de retomar a rotina
Peso a regressar ao valor habitual Normalização da alimentação e das condições de pesagem Comparar tendências, não apenas uma medição

O conteúdo do BMFIT sobre “Perder gordura importa mais do que perder peso” aborda precisamente a diferença entre peso corporal e gordura corporal.

Porque é que a balança pode subir no Natal?

Uma pesagem isolada pode ser influenciada por:

  • refeições maiores;
  • maior ingestão de hidratos de carbono;
  • refeições mais salgadas;
  • bebidas alcoólicas;
  • alterações na hidratação;
  • quantidade de alimentos ainda presentes no sistema digestivo.

Por isso, uma pesagem imediatamente depois de uma refeição festiva deve ser interpretada com contexto.

Se acompanhas regularmente o peso, observa também o que acontece depois de regressares à rotina.

O conteúdo “O peso da balança importa?” pode complementar esta abordagem.

Devo comer menos durante o dia para compensar o jantar de Natal?

Não é necessário passar fome durante o dia para chegar à ceia com “calorias guardadas”.

Manter refeições regulares pode ajudar a chegar ao jantar com uma fome mais previsível e facilitar uma refeição mais tranquila.

Durante o dia

Mantém uma estrutura alimentar adequada à tua rotina:

  • pequeno-almoço, se faz parte dos teus hábitos;
  • almoço;
  • lanche, quando necessário;
  • água ao longo do dia;
  • refeição normal antes do jantar festivo.

A quantidade deve ser ajustada à fome e ao contexto. O objetivo não é comer mais durante o dia para “preparar” a ceia, nem reduzir drasticamente a alimentação para a compensar.

Na refeição

Algumas estratégias simples:

  • serve primeiro aquilo que realmente queres comer;
  • come devagar;
  • faz pausas;
  • presta atenção à saciedade;
  • evita comer automaticamente só porque determinado alimento está disponível.

Como planear os jantares de Natal sem entrar em restrição

O planeamento pode ajudar a reduzir decisões impulsivas durante dezembro. Antes de uma semana com vários eventos, podes identificar:

  • quantos jantares tens;
  • quais são refeições familiares;
  • quais acontecem em restaurantes;
  • onde existe uma sobremesa que queres experimentar;
  • quais os momentos em que queres simplesmente comer de forma habitual.

Planear não significa controlar cada refeição. Significa saber o que vai acontecer e decidir previamente onde queres fazer escolhas diferentes.

Olha para dezembro como um conjunto de refeições

O episódio utiliza um exemplo baseado no número total de refeições ao longo do mês. Se fizeres quatro refeições por dia durante dezembro, são mais de 120 refeições. O número varia de pessoa para pessoa, mas a lógica mantém-se: algumas refeições diferentes não anulam todas as outras.

Em vez de pensar: “Já que comecei, agora dezembro está perdido.”, pensa no que acontece na próxima refeição.

Escolhe onde queres desfrutar mais

Nem todos os jantares precisam de ter a mesma importância.

Podes encontrar:

  • uma refeição em que queres muito experimentar o prato principal;
  • outra em que a sobremesa é o que mais te interessa;
  • outra em que não existe nada de especial para ti.

As escolhas podem variar de acordo com o contexto. Não precisas de comer uma sobremesa só porque outras pessoas estão a comer. Também não precisas de a recusar se é algo de que realmente gostas.

O que fazer durante um jantar de Natal? 🎄

Durante a refeição, o objetivo é comer com atenção e escolher aquilo que realmente queres.

Algumas estratégias:

  • 🍽️ monta o prato com os alimentos que queres;
  • 🐢 come devagar;
  • 💧 alterna bebidas alcoólicas com água, se beberes;
  • 🍰 escolhe a sobremesa que realmente te apetece;
  • 👥 partilha uma entrada ou sobremesa se fizer sentido;
  • 🛑 para quando estiveres satisfeita.

Não precisas de aplicar todas estas estratégias ao mesmo tempo.

Come aquilo de que realmente gostas

Se vais a um restaurante e preferes sopa e um prato principal simples, essa pode ser a tua escolha. Se queres provar uma sobremesa, inclui-a. A alimentação fora de casa pode continuar a fazer parte de um processo de emagrecimento.

Come com calma

As refeições de Natal costumam prolongar-se durante bastante tempo. Comer mais devagar pode facilitar a perceção da saciedade. Não é necessário transformar a refeição numa contagem permanente de calorias. Basta prestar alguma atenção ao que estás a comer e ao modo como te estás a sentir.

Monta um prato em vez de petiscar continuamente

Quando há comida disponível durante várias horas, pode ser difícil perceber quanto já foi ingerido. Uma possibilidade é:

  1. escolher o que queres;
  2. montar o prato;
  3. fazer a refeição;
  4. esperar algum tempo;
  5. decidir se ainda queres comer mais.

Partilha quando quiseres provar várias coisas

Se existem várias sobremesas que te despertam interesse, partilhar pode permitir provar mais do que uma sem teres de comer uma porção completa de cada. É uma possibilidade, não uma regra.

Se beberes álcool, alterna com água

🍷 Uma estratégia simples é alternar bebidas alcoólicas com água. Isto pode ajudar a reduzir o ritmo de consumo e a manter a hidratação. A quantidade de álcool continua a ser relevante, sobretudo porque as bebidas também podem contribuir para a ingestão energética.

E se eu comer demasiado no Natal? O que faço no dia seguinte?

Se uma refeição foi mais abundante do que esperavas, a prioridade é retomar a rotina.

No dia seguinte

  • faz as refeições habituais;
  • come de acordo com a fome;
  • mantém a hidratação;
  • retoma a atividade física habitual;
  • evita compensações;
  • não adies o regresso à rotina.

Não passes fome para compensar

Saltar refeições pode aumentar a fome mais tarde e reforçar o ciclo de restrição e excesso. O dia seguinte não precisa de ser uma “correção” da ceia.

Não uses o treino como castigo 🏃‍♀️

mãe treina com filhos frente à árvore de Natal como não engordar no Natal acompanhamento online BMFIT

O exercício pode continuar a fazer parte da rotina durante o Natal, a diferença está na razão pela qual treinas. Treinar para cuidar da saúde e manter os teus hábitos é diferente de fazer exercício porque sentes que tens de “pagar” pela comida.

Retoma na refeição seguinte

A sequência pode ser simples:

Refeição mais abundante → refeição habitual.

Não é necessário esperar por segunda-feira ou pelo dia 1 de janeiro.

O Natal pode fazer parte de um estilo de vida saudável

mulher dança com ar bem disposto como não engordar no Natal acompanhamento online BMFIT (1)

Uma alimentação sustentável precisa de funcionar também quando existem eventos sociais.

Isso inclui:

  • jantares;
  • aniversários;
  • férias;
  • refeições fora;
  • festas familiares;
  • fins de semana diferentes da rotina.

A vida social não precisa de desaparecer durante um processo de emagrecimento.

A comida é apenas uma parte do convívio

Num jantar de Natal existem outras dimensões além da refeição:

  • família;
  • amigos;
  • conversa;
  • tempo em conjunto;
  • tradições;
  • momentos que não acontecem todos os dias.

A comida faz parte do momento, mas não precisa de ocupar toda a atenção.

Não tens de comer como as outras pessoas

Podes:

  • escolher o mesmo prato;
  • escolher uma alternativa;
  • comer sobremesa;
  • não comer sobremesa;
  • beber;
  • não beber.

As escolhas alimentares das outras pessoas não precisam de determinar as tuas.

Emagrecer não significa eliminar os alimentos de que gostas

Uma estratégia alimentar difícil de manter tende a tornar os eventos sociais mais complicados. O processo pode incluir alimentos de que gostas e refeições diferentes do habitual.

O problema começa quando uma refeição passa a ser uma desistência

Uma ceia mais abundante não apaga os hábitos construídos durante os meses anteriores.

Se já aprendeste a:

  • organizar refeições;
  • reconhecer a fome;
  • fazer escolhas conscientes;
  • lidar com restaurantes;
  • manter atividade física;
  • regressar à rotina depois de uma exceção;

continua a ser possível aplicar essas competências em dezembro.

O calendário muda. A tua experiência continua. Se tiveste vários jantares numa semana, ainda existem muitas outras refeições. Se comeste mais num dia, a refeição seguinte continua disponível. Se a balança subiu, observa a evolução depois de retomares a rotina antes de tirares conclusões.E se dezembro estiver mais desorganizado do que o habitual, esse contexto também pode servir para praticar uma competência importante: manter hábitos possíveis mesmo quando as condições não são perfeitas.

Estratégias rápidas para o Natal 🎅

Se quiseres guardar apenas algumas ideias deste artigo, fica com estas:

  • 🍽️ Mantém as refeições regulares antes da ceia.
  • 🎄 Planeia os jantares que já sabes que vão acontecer.
  • 🍰 Escolhe as sobremesas de que realmente gostas.
  • 🐢 Come com calma e presta atenção à saciedade.
  • 💧 Alterna álcool com água, se beberes.
  • ⚖️ Não interpretes uma pesagem isolada como prova de ganho de gordura.
  • 🏃‍♀️ Mantém o exercício como hábito, não como castigo.
  • 🔄 Volta à rotina na refeição seguinte.
  • 📅 Não esperes por janeiro para retomar os teus hábitos.
Perguntas Frequentes

Como não engordar no Natal?

Vou engordar se comer doces no Natal?

Comer doces aumenta a ingestão energética, mas uma sobremesa isolada não determina o resultado de todo o processo.
Depois de refeições mais abundantes, a balança também pode apresentar alterações temporárias relacionadas com água corporal e conteúdo digestivo.
O mais importante é evitar que uma sobremesa seja interpretada como motivo para abandonar a rotina.

Devo pesar-me depois do Natal?

Podes pesar-te, mas o valor deve ser interpretado com contexto.

Uma subida depois das festas pode estar relacionada com alterações temporárias na alimentação, hidratação e digestão.

Se a pesagem te provoca ansiedade ou desencadeia comportamentos de compensação, a frequência das pesagens deve ser ajustada ao teu contexto, idealmente com acompanhamento profissional.

Devo fazer dieta antes da ceia de Natal?

Não é necessário passar fome durante o dia para compensar o jantar.

Mantém refeições adequadas à tua rotina e chega à ceia sem fome acumulada.

O que devo comer no dia de Natal para não engordar?

Não existe um menu obrigatório.

Podes manter as refeições habituais e, na refeição festiva, escolher os alimentos de que realmente gostas.

Algumas estratégias úteis:

  • comer devagar;
  • respeitar a saciedade;
  • evitar petiscar automaticamente;
  • escolher as sobremesas que realmente queres;
  • manter hidratação adequada.

Como voltar à rotina depois dos excessos do Natal?

Retoma a alimentação habitual na refeição seguinte.

Não precisas de esperar por segunda-feira nem pelo dia 1 de janeiro.

Evita:

  • jejum como compensação;
  • restrição alimentar excessiva;
  • exercício usado como castigo;
  • adiar o regresso à rotina.

Posso beber álcool no Natal enquanto tento emagrecer?

Podes incluir álcool numa ocasião social, se essa for uma escolha tua.

Se beberes:

  • define antecipadamente quanto queres consumir;
  • alterna bebidas alcoólicas com água;
  • evita beber apenas porque os outros estão a beber;
  • considera que o álcool também contribui para a ingestão energética.

Qual é a melhor estratégia para não perder o controlo no Natal?

A estratégia passa por evitar o pensamento de tudo ou nada.

Antes das refeições:

  • mantém uma alimentação regular;
  • planeia os eventos;
  • decide o que realmente queres comer.

Durante:

  • come com calma;
  • escolhe os alimentos de que gostas;
  • presta atenção à saciedade.

Depois:

  • retoma a rotina;
  • evita compensações;
  • não esperes por janeiro.

Ep.30 – Começar a dieta na segunda-feira: o ciclo que te mantém sempre a recomeçar

Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
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Ep.27 – O que comer no restaurante para não engordar (sem ires com fome nem com medo)

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Ep.26 – Quanto tempo demora para começar a emagrecer?

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Ep.24 – Porque não consigo emagrecer, mesmo fazendo tudo bem?

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Resumo do Episódio

Porque é que estou a fazer tudo bem e não consigo emagrecer?

Já tiveste destas semanas? Comeste bem, bebeste água, treinaste, contaste os passos todos e no dia da balança, nada. O número não desceu. Às vezes até subiu.

Isto acontece com tanta frequência nas mulheres que acompanhamos na BMFIT que já perdemos a conta às vezes que ouvimos: “estou a fazer tudo bem e o meu peso não baixou esta semana, o que é que se passou?” E a resposta, quase sempre, não tem nada a ver com teres feito alguma coisa mal.

O peso na balança oscila por razões que não têm relação nenhuma com gordura acumulada: retenção de líquidos, a fase em que estás no ciclo menstrual, construção de músculo, trânsito intestinal. Qualquer um destes fatores move o número 1 a 2 kg num único dia, sem que tenhas mudado nada na tua rotina. A balança mostra a tua massa total naquele momento. Não te diz o que mudou. Muito menos te diz para onde o teu corpo está a ir.

Mulher na balança a gerir o peso com a ajuda do acompanhamento online fitness BMFIT

A balança mostra o peso todo. Não mostra o que mudou.

Quando te pesas, está tudo misturado ali dentro: água, músculo, gordura, o que ainda não digeriste do jantar de ontem. É um número bruto. Não separa nada disto e sozinho não chega para saber se estás mesmo a perder peso.

Esta oscilação de 1 a 2 kg num único dia é normal. Não é sinal de nada errado. O problema começa quando usamos esse número, sozinho, como prova de progresso ou de fracasso.

Achas que não consegues emagrecer mas o que está a acontecer pode ser outra coisa

Retenção de líquidos

É, sem dúvida, o fator com maior peso nas oscilações diárias, sobretudo nas mulheres. O corpo retém mais água quando comes mais sódio do que o habitual, quando bebes menos água, quando há stress (físico ou emocional), ou depois de um treino mais intenso do que o normal, porque o músculo inflama como parte do processo de recuperação, e essa inflamação também retém líquido.

Repara nisto: podes acordar com mais 1 a 2 kg sem teres comido nada fora do que planeaste. E esse peso desaparece sozinho. Não precisas de fazer nada de diferente para o “perder”, porque nunca foi gordura, para começar.

O ciclo menstrual 

A grande maioria das mulheres que chegam até nós nunca fez tracking do próprio ciclo. Não o conhecem com detalhe suficiente para perceber como ele influencia o peso. E isto, sozinho, já é uma fonte constante de frustração.

Na fase lútea (os dias antes da menstruação), a progesterona sobe. Essa subida aumenta a retenção de água de forma considerável. Há mulheres que variam de peso 2 a 3 kg só nesta fase. 

O erro mais comum é comparares o teu peso desta semana, em fase lútea, com o da semana passada, em fase folicular. São dois contextos hormonais completamente diferentes. À partida, a comparação já não faz sentido nenhum.

A solução é simples, ainda que peça alguma disciplina no início: começa a registar o ciclo. Uma aplicação básica já chega. Ao fim de dois ou três ciclos, começas a ver o padrão, sabes em que fase o peso costuma subir, e deixas de interpretar isso como um retrocesso. 

Recomposição corporal: o peso igual que esconde uma grande mudança

Isto acontece com muito mais frequência do que se imagina. Estás a perder gordura e a ganhar músculo ao mesmo tempo: os dois processos correm em paralelo. Se num mês perdes 100 gramas de gordura e ganhas 100 gramas de músculo, a balança fica exatamente igual.

Mas o teu corpo não fica igual.

O músculo é mais denso do que a gordura, ocupa bastante menos espaço para o mesmo peso. Duas pessoas com o mesmo número na balança podem ter corpos visualmente muito diferentes, consoante a composição. Mais definição, outra distribuição, a roupa a assentar de outra forma. Se a balança for o único indicador que usas, vais achar que não aconteceu nada. E aconteceu, só que não está a ser medido.

Filipe Simões Fundador e CEO do BMFIT e personal trainer online especializado em emagrecimento para mulheres +30 a explicar como funciona a perda de gordura

Vale a pena esclarecer uma coisa: músculo e gordura não se transformam um no outro. São tecidos diferentes, com processos diferentes. O que acontece é que perdes um e constróis o outro em paralelo, e a velocidade a que isso acontece depende do treino, da alimentação e também da genética. Já agora: défices calóricos muito agressivos, sem treino de força, tendem a fazer o oposto do que queres: perdes músculo antes de perderes gordura. 

Trânsito intestinal

É um fator que quase ninguém menciona, mas que qualquer pessoa com experiência clínica conhece bem. Uma semana com o trânsito mais lento por stress, menos fibra, menos água, qualquer alteração de rotina, pode fazer o peso subir de forma percetível na balança, sem relação nenhuma com gordura ou com o que comeste.

Nas mulheres, o trânsito intestinal costuma ser mais sensível a alterações hormonais, o que o liga, mais uma vez, ao ciclo. Mais uma razão para não tirares conclusões de um número isolado.

Não consegues emagrecer e comparas-te com o teu marido? Não faças isso, a sério

“O meu marido cortou umas cervejas e perdeu 5 kg num instante. Eu ando aqui a fazer tudo e mais alguma coisa e não acontece nada.”

Ouvimos esta frase, ou uma parecida, com bastante regularidade. E a fisiologia de um homem e de uma mulher acima dos 30 anos são diferentes em vários pontos que interessam diretamente ao emagrecimento: massa muscular de base, sensibilidade hormonal, ciclo menstrual, até a microbiota intestinal tende a ser mais estável nos homens. A comparação não é justa nem útil para ti.

Não é um problema teu. É biologia.

O mesmo vale para o treino: fazer exatamente o mesmo volume que o teu marido faz, sem adaptar à tua fisiologia, costuma resultar em mais cansaço e menos resultado. Não porque estás a fazer alguma coisa mal, mas porque a estratégia nunca foi pensada para o teu corpo.

Não consegues emagrecer? Mede outras coisas para além do peso

A balança pode continuar a fazer parte do processo, desde que tenha contexto à volta. Sozinha, não chega. Estas são as métricas que usamos com as mulheres que acompanhamos na BMFIT:

Métrica Frequência O que saber
⚖️ Peso na balança 2x por semana, mesma hora Mede água, músculo, gordura e conteúdo intestinal — tudo junto. Oscila muito de dia para dia, por isso o que interessa é a média da semana, não o número isolado.
📏 Perímetros (cintura, anca, coxa, braço) 1x por mês Mostram a distribuição de gordura e a evolução muscular. Mudam devagar, mas são dos indicadores mais fiáveis que existem.
📸 Fotos de progresso 1x por mês Captam o aspeto visual e a composição corporal. No dia a dia é quase impossível notar a diferença — mas ao comparar mês a mês, salta à vista.
👖 Como a roupa assenta Contínuo Reflete a composição corporal percebida. Não é uma medida exata, mas conta muito: a calça que volta a fechar diz muitas vezes mais do que a balança.
💪 Progressão no treino A cada sessão Mostra força e adaptação muscular. Levantar mais peso ou fazer mais repetições é sinal direto de que o corpo está a mudar.
🔋 Energia e disposição Diário / semanal Mede o impacto real no teu dia a dia. É subjetivo, mas sentires-te diferente ao fim do dia também é progresso.

Perímetros. como interpretá-los

Os quatro pontos que medimos: braço, cintura, anca e coxa. A cintura é o único ponto onde nunca vais construir o músculo: qualquer redução ali é, sempre, perda de gordura. Se a cintura desce e a anca ou a coxa sobem ligeiramente, ou ficam iguais, é um sinal positivo: estás a perder gordura e a construir músculo exatamente onde interessa.

Fotos de progresso

São desconfortáveis para muita gente, sabemos disso. Mas são, de todas as métricas disponíveis, das mais honestas. A recomposição corporal que a balança não mostra, as fotos mostram quase sempre. Tira sempre nas mesmas condições: mesma luz, mesma roupa e mesmo horário, e compara com um mês de intervalo, nunca semana a semana.

Resultados Reais

Mulheres reais. Transformações reais.

Sem photoshop. Sem promessas. Histórias de quem decidiu cuidar de si com apoio.

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Nídia
-10,3kg
Peso

Ganhei anos de vida, sinto me bem, mais leve. Gosto de olhar me ao espelho, sinto me muito mais confiante. Aprendi que tenho de cuidar de mim.

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Joana
-9,5kg
Peso
-9cm
Cintura

Foram muito mais do que profissionais, foram presença constante, motivação diária e cuidado genuíno. Nos momentos em que a força falhava, vocês estavam lá. Nos dias bons, celebravam comigo. Nos dias difíceis, literalmente levaram-me ao colo.

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Ana
-6,2kg
Peso
-14cm
Cintura

Uma equipa muito jovem mas que terá certamente um sucesso incrível pela forma humana e personalizada como tratam cada uma de nós, sempre presentes, sempre prontos a ajudar. A diferença que os destaca.

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Andreia
-4,7kg
Peso
-9cm
Cintura

Obrigada por tudo, por toda a ajuda, força, aprendizagens. Sinto-me cada vez mais independente, não me sinto refém dos meus baixos mesmo quando os tenho, sinto-me mais forte, mais orgulhosa, mais capaz, mais confiante, mais vaidosa e saudável que também é muito importante.

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Margarida
-15,7kg
Peso
-16cm
Cintura

Um agradecimento enorme! Life changing mesmo, o que vocês conseguiram comigo foi incrível. Obrigada obrigada obrigada!

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Verónica
-11,6kg
Peso

O melhor disto tudo é que foi feito sem sacrifício. O que é muito prazeroso. Já uso camisolas por dentro das calças. E as calças que tinha guardado também já estão a ficar largas.

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Susana
-9,6kg
Peso
-11cm
Cintura

Obrigada por me darem as ferramentas para eu ser uma melhor versão de mim mesma, por mim e pela minha filha.

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Vera
-4,7kg
Peso
-18,2cm
Cintura

Mudaram a minha vida para melhor, mudou tudo, mudou peso, mudou corpo mas o mais importante mudou a minha relação comigo mesma.

ANTES DEPOIS
Transformação
ALUNA
Ana
-14kg
Peso

Se pudesse dava nota 20! Como se meteu o Natal, foi muito em torno disso que estivemos a trabalhar… graças à Ana, passei um Natal mais tranquilo do que pensava que ia ser, obrigado.

Progressão no treino

Se consegues levantar mais peso do que há um mês, ou fazer mais repetições com a mesma carga, o teu corpo está a adaptar-se. Está a construir músculo. O processo está a funcionar, seja o que for que a balança diga naquele dia, ainda que sintas que treinas e treinas e não vês resultados.

Como usar a balança sem que ela te estrague a semana

Pesa-te pelo menos duas vezes por semana, sempre à mesma hora: de manhã, em jejum, antes de comeres ou beberes qualquer coisa. A diferença entre pesagens tem mais a ver com hidratação e ciclo do que com o que fizeste de errado.

  • Usa sempre a média semanal. Nunca o valor de um único dia.
  • Soma os valores que registaste e divide pelo número de pesagens. Essa média é muito mais estável e diz-te muito mais do que qualquer leitura isolada.
  • Compara médias de semanas equivalentes. Não faz sentido comparares a tua semana lútea com a folicular. Compara a lútea desta semana com a lútea do mês passado. É a única comparação com sentido fisiológico.

Procura a tendência, não o número. O peso não desce em linha reta, sobe, desce, oscila. Mas olhando para 6 a 8 semanas de dados, dá para ver se a linha geral está a descer. É isso que importa. Uma semana em que o peso subiu, dentro de uma tendência a descer, não é um problema.

Quando é normal o peso não baixar:

  • Na fase lútea do ciclo menstrual
  • Depois de uma refeição com mais sódio ou menos água
  • Quando o treino foi mais intenso (recuperação muscular)
  • Quando o trânsito intestinal está mais lento
  • Quando começaste a treinar há pouco tempo (recomposição corporal)

“Não consigo emagrecer”: quando é que faz sentido ajustar alguma coisa?

Uma ou duas semanas sem mudança na balança não chegam para mudares de plano. É pouco tempo, e há demasiados fatores que podem explicar essa estagnação aparente.

Quatro a seis semanas de dados consistentes, sem tendência nenhuma, aí sim, vale a pena rever. Mas antes de mexeres em qualquer coisa, há uma ordem lógica a seguir.

1 – Ingestão calórica

A diferença entre o que achamos que comemos e o que comemos de facto é uma das causas mais comuns de estagnação, e uma das mais subestimadas. Aquele petiscar enquanto cozinhas. A fatia de queijo que não contaste. O azeite que nunca mediste. Isoladamente, cada coisa parece insignificante. Somadas ao longo do dia, facilmente chegam a 400 ou 600 calorias que não aparecem no teu registo, mas que o corpo recebe na mesma.

2 – Intensidade do treino

Há uma diferença grande entre mexer o corpo e treinar com intenção. Se estás sempre a fazer as mesmas repetições, com a mesma carga, sem progressão nenhuma, o estímulo que estás a dar ao músculo deixa de ser suficiente para o obrigar a adaptar-se. O treino precisa de um objetivo e precisa de te desafiar o suficiente para o atingir.

3 – Atividade física ao longo do dia

Exercício físico e atividade física são coisas diferentes. Exercício é o treino programado, as tuas sessões da semana. Atividade física é tudo o resto: subir escadas, caminhar, limpar a casa, ir a pé às compras. Dá para treinar três vezes por semana e continuar sedentária o resto do tempo todo. O gasto calórico fora do treino, o que a literatura chama de NEAT (Non-Exercise Activity Thermogenesis), tem um impacto enorme no total de calorias que gastas por dia e é uma das variáveis mais fáceis de melhorar sem te custar tempo extra nenhum. 

infográfico do acompanhamento online BMFIT que explica as razões a uma mulher que pergunta porque não consigo emagrecer?

Consistência não é a mesma coisa que perfeição

O corpo não está a contar quantos dias seguidos fizeste tudo certo. Está a somar o total de escolhas ao longo do tempo. Uma semana difícil, dentro de meses de consistência, não desfaz nada. Uma semana perfeita, seguida de desistência, também não constrói nada sozinha.

A motivação vai e vem, isso é normal. Nos dias em que não te apetece nada, o que te mantém em movimento é a estrutura: saber o que fazer, ter dados que te mostrem que está a funcionar, e não estares sozinha neste processo.

Há uma razão para tantas mulheres chegarem até nós a dizer que já tentaram tudo e que nada resulta. Não é que o corpo delas não responda. É que estiveram a usar as métricas erradas, a comparar as semanas erradas, e a desistir exatamente no momento em que o processo estava a funcionar, só que a balança ainda não o mostrava.

Perguntas Frequentes

Porque não consigo emagrecer, mesmo fazendo tudo bem?

Fiz tudo bem esta semana e o peso não baixou. O que se passou?

Provavelmente nada de errado. Retenção de líquidos, fase do ciclo menstrual, construção muscular e trânsito intestinal são os fatores mais comuns. O peso numa semana isolada não é um indicador fiável de progresso, a tendência ao longo de 4 a 8 semanas é.

Quantas vezes me devo pesar por semana?

Pelo menos duas, sempre à mesma hora, de manhã, em jejum. Usa a média das pesagens, nunca o valor de um único dia.

A balança subiu 2 kg do dia para a noite. É possível que não seja gordura?

Sim, é perfeitamente possível. Este tipo de variação é quase sempre retenção de líquidos, sódio a mais na refeição anterior, pouca água ou uma fase do ciclo. Ao fim de um ou dois dias, com a hidratação normal, o peso volta ao ponto anterior.

Estou a treinar há um mês e o peso não mexeu. Devo mudar o plano?

Um mês é pouco tempo para concluíres que o plano não está a funcionar. Antes de mudares, verifica: em que fase do ciclo estás? Estás a registar o que comes com rigor? O treino tem progressão real? Se tudo isso estiver alinhado, e ao fim de 4 a 6 semanas continuar sem qualquer tendência, aí sim, faz sentido rever.

Porque é que o meu marido emagrece mais depressa do que eu, mesmo fazendo menos?

A fisiologia é diferente. Os homens têm, em média, mais massa muscular de base, o que significa um metabolismo basal mais elevado. Não têm ciclo menstrual, logo não têm as oscilações hormonais que afetam o peso e a retenção de água. A comparação não é justa nem útil, o emagrecimento feminino acima dos 30 tem especificidades próprias e precisa de ser tratado como tal.

O que são perímetros e como os meço em casa?

São medições de circunferência feitas com uma fita métrica simples. Os pontos que recomendamos: braço (a meio entre o ombro e o cotovelo), cintura (no ponto mais estreito, acima do umbigo), anca (no ponto mais largo) e coxa (a um terço do caminho entre o joelho e a anca). Mede sempre nas mesmas condições, de manhã, com o mesmo estado de hidratação. Uma vez por mês é suficiente.

Quando é que a estagnação é real e preciso de ajuda?

Quando tens quatro a seis semanas de dados consistentes — peso registado, treino feito, alimentação registada com rigor — e não há tendência de descida nenhuma. Nesse ponto, faz sentido rever o plano com acompanhamento, porque há algo no conjunto que precisa de ajuste.

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