Ep.37 – Body Positivity: aceitação ou resignação?

Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Publicado Março 30, 2026
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Resumo do Episódio

O que é o movimento body positivity?

O body positivity nasceu para combater o estigma à volta dos corpos que fogem ao padrão magro e defender que todas as pessoas merecem respeito e dignidade, independentemente da forma do seu corpo. Não tem de haver um corpo ideal para alguém merecer ser bem tratado. Com o body positivity vários tamanhos, formas, cores e marcas conquistaram espaço numa conversa que, até aí, só tinha lugar para um tipo de corpo. A ideia de base era que ninguém devia sentir vergonha só por ter um corpo diferente.

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Onde é que o body positivity se desviou do propósito original? 

O body positivity perdeu esta intenção inicial e deslizou para o extremo oposto, ao ponto de sugerir que qualquer estado de saúde é aceitável, aconteça o que acontecer. Foi uma mudança progressiva, mas que trouxe um risco: transformar o movimento numa desculpa para tudo. Se é para aceitar todos os corpos, começou a entender-se que também é para aceitar a inércia, a falta de mudança, a ausência de bem-estar. E aí a lógica inverte-se: “se tenho de me aceitar como sou, então não preciso de fazer nada para mudar.”

Usar o body positivity como justificação para não mexer em nada tem um preço. Quem carrega excesso de peso associado a outras doenças e se esconde atrás do movimento para não mudar nada, não está a viver a intenção original do body positivity. Perder gordura importa mais do que perder peso e o IMC não mostra tudo, mas “sentir-se bem” não é o mesmo que ter saúde.

Aceitar o corpo é o mesmo que resignar-me a ele? 

Aceitar o corpo é reconhecer onde estás agora, sem ódio nem vergonha, e ainda assim poder querer mudar. Não para caberes num padrão. Para teres mais energia num dia normal, com o trabalho, os filhos e o resto da vida a acontecer. A resignação é outra coisa: é desistir e continuar infeliz, sem energia, sem saúde, sem te sentires funcional no dia a dia, e chamar a isso paz.

A diferença está na posição em que te colocas depois de olhares para ti. Quando aceitas, percebes onde estás, mas continuas em movimento. Quando te resignas, ficas parada nesse ponto de insatisfação e finges que não estás. Este é também um tema central no episódio 38 Relação com o corpo: tu não és o teu espelho.

O que está em causa ✅ Aceitação 🚫 Resignação
Como olhas para o corpo Sem drama, reconheces onde estás Evitas olhar, foges de espelhos e fotografias
O que fazes a seguir Podes querer mudar, sem urgência de perfeição Desistes de mudar e chamas-lhe aceitação
Como te sentes por dentro Paz, mesmo com pontos que ainda queres trabalhar Insatisfação escondida atrás de um discurso de conformismo
Para onde vai a insatisfação Torna-se direção e escolhas concretas Fica guardada, sem saída

Há quem diga hoje que se queres mudar do lugar onde estás é porque não te estás mesmo a aceitar. Como se a aceitação te obrigasse a ficar. Não obriga. Podes aceitar onde estás, viver isso com mais leveza, e continuar a querer algo melhor, da mesma forma que podes estar satisfeita com o teu trabalho e ainda assim ambicionar crescer nele. Uma coisa não invalida a outra.

🚩 Os sinais da falsa aceitação no body positivity

A falsa aceitação é dizer que te aceitas, enquanto por dentro odeias o que vês. Costuma andar de mãos dadas com comportamentos concretos de evitamento:

  • Não se ver ao espelho há anos, só a cara, só para saber se está apresentável para o trabalho.
  • Esconder o corpo atrás de roupa larga e escura.
  • Não tirar fotografias e, quando alguém tira, não querer ver o resultado.
  • Inventar desculpas para não ir à praia ou não vestir um biquíni.

Nenhum destes comportamentos é aceitação, é evitamento.

O corpo importa mesmo, ou só a saúde mental é que conta? 

O teu corpo não define o teu valor como pessoa, mas define a tua saúde, a tua energia e a forma como te posicionas na tua vida. Isto é o que fica de fora quando se repete a frase “o teu corpo não define nada” sem o resto. É verdade que o corpo não te resume. Ignorar o impacto dele na tua saúde e no teu dia a dia é fingir que ele não pesa em nada, e pesa.

O ponto de equilíbrio está aqui: o corpo não deve ter mais importância do que as outras áreas da tua vida, mas também não deve ter menos. Entre cuidar de ti e abandonares-te existe uma linha muito ténue, e é aí que vale a pena procurar o meio, o equilíbrio. 

Como se pratica a aceitação sem cair na resignação? 

A aceitação começa por tratares-te com respeito sem precisares de gostar de tudo em ti, da ponta do cabelo à ponta do pé. Não precisas de amar cada detalhe para construíres uma relação mais leve com o teu corpo. Precisas só de parar de tratá-lo como inimigo.

  • Olha para o teu corpo hoje como resultado de escolhas e circunstâncias até agora, não como uma sentença. Se chegaste aqui através de escolhas, também podes escolher fazer diferente daqui para a frente, sem te culpares pelo caminho já feito.
  • Distingue desconforto de sabotagem. Sempre que investes em mudar algo importante, uma voz crítica vai aparecer. Usa-a para perceberes do que tens medo e te preparares melhor, e ela perde força. O desconforto de fazeres algo diferente não é sinal de erro. É só sinal de que estás a sair da tua rotina habitual. 
  • Cuida do corpo como forma de cuidado, não como castigo. Comer sem estares sempre a compensar a noite anterior. Mexer-te, nem que seja pouco. Dormir o suficiente para acordares com energia, não só sem sono. É o que te permite construir um corpo que é teu, talvez diferente do das outras, mas onde te sentes com saúde e satisfação. 

Podes estar em paz com o corpo que tens hoje e continuar a trabalhar para o mudar amanhã. As duas coisas cabem na mesma pessoa, ao mesmo tempo.

Ep.36 – Como não engordar no Natal?

Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Março 27, 2026
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Resumo do Episódio

Como não engordar no Natal passa por:

  • manter refeições regulares durante o dia;
  • chegar às refeições festivas sem fome acumulada;
  • escolher os alimentos de que realmente gostas;
  • comer com atenção à saciedade;
  • não usar o exercício como compensação;
  • retomar a rotina depois de uma refeição diferente;
  • interpretar a balança com algum contexto.

Para quem quer aprofundar a relação entre alimentação e emagrecimento, pode ser útil consultar também o conteúdo sobre emagrecer sem dieta.

Afinal, é possível não engordar no Natal?

Sim. É possível passar pelo Natal sem abandonar um processo de emagrecimento.

Uma refeição mais calórica pode fazer parte da alimentação sem determinar o resultado de todo o mês. O que importa é o padrão global e a capacidade de regressar aos hábitos habituais depois dos momentos festivos.

O episódio do BMFIT abordado neste artigo explora precisamente esta dificuldade: o Natal tende a ser tratado como uma exceção, quando existem desafios semelhantes noutras alturas do ano.

A capacidade de adaptar a alimentação a estes contextos faz parte de um processo sustentável de emagrecimento.

Para aprofundar este tema, consulta também “Estilo de vida saudável”.

Porque é que tantas mulheres sentem que vão “estragar tudo” no Natal?

mulher como bolacha - como não engordar no Natal acompanhamento online BMFIT (2)

A mentalidade de tudo ou nada pode tornar uma refeição diferente num problema muito maior do que ela realmente é.

O padrão costuma ser:

  1. chega dezembro;
  2. aparecem vários jantares;
  3. surge a ideia de que será impossível manter o plano;
  4. aumenta a restrição antes das refeições;
  5. acontece uma refeição mais abundante;
  6. aparece o pensamento “já estraguei tudo”;
  7. a rotina é adiada para janeiro.

Este ciclo é semelhante ao padrão abordado no conteúdo sobre “Amanhã faço dieta, hoje já estraguei tudo”.

A armadilha do “8 ou 80”

Uma escolha alimentar diferente não precisa de determinar as escolhas seguintes.

Por exemplo:

  • jantar fora não significa perder a semana;
  • comer sobremesa não significa continuar a comer em excesso;
  • beber num jantar não significa abandonar a rotina;
  • ter vários jantares sociais não significa que dezembro esteja perdido.

A questão passa por interromper a sequência antes de ela crescer.

Refeição diferente → refeição habitual.

Dezembro não apaga os hábitos que já construíste

Se durante o ano aprendeste a:

  • organizar refeições;
  • reconhecer diferentes tipos de fome;
  • escolher alimentos de forma consciente;
  • manter atividade física;
  • lidar com refeições fora;
  • retomar a rotina depois de um desvio;

essas capacidades continuam disponíveis em dezembro.

O calendário muda, mas os hábitos aprendidos não desaparecem.

Quanto peso se pode ganhar depois de uma refeição de Natal?

Uma subida rápida na balança depois de uma refeição mais abundante não corresponde necessariamente à mesma quantidade de gordura corporal.

Durante o Natal podem mudar vários fatores:

  • quantidade de comida ingerida;
  • consumo de sal;
  • consumo de hidratos de carbono;
  • ingestão de líquidos;
  • consumo de álcool;
  • horários das refeições;
  • trânsito intestinal.

Estas alterações podem influenciar temporariamente o peso corporal.

O que observas O que pode estar a acontecer Como interpretar
Peso superior no dia seguinte Alterações de água corporal e conteúdo digestivo, entre outros fatores Não assumir automaticamente ganho equivalente de gordura
Peso a subir durante vários dias Rotina alimentar diferente e possíveis alterações de retenção de líquidos Observar a tendência depois de retomar a rotina
Peso a regressar ao valor habitual Normalização da alimentação e das condições de pesagem Comparar tendências, não apenas uma medição

O conteúdo do BMFIT sobre “Perder gordura importa mais do que perder peso” aborda precisamente a diferença entre peso corporal e gordura corporal.

Porque é que a balança pode subir no Natal?

Uma pesagem isolada pode ser influenciada por:

  • refeições maiores;
  • maior ingestão de hidratos de carbono;
  • refeições mais salgadas;
  • bebidas alcoólicas;
  • alterações na hidratação;
  • quantidade de alimentos ainda presentes no sistema digestivo.

Por isso, uma pesagem imediatamente depois de uma refeição festiva deve ser interpretada com contexto.

Se acompanhas regularmente o peso, observa também o que acontece depois de regressares à rotina.

O conteúdo “O peso da balança importa?” pode complementar esta abordagem.

Devo comer menos durante o dia para compensar o jantar de Natal?

Não é necessário passar fome durante o dia para chegar à ceia com “calorias guardadas”.

Manter refeições regulares pode ajudar a chegar ao jantar com uma fome mais previsível e facilitar uma refeição mais tranquila.

Durante o dia

Mantém uma estrutura alimentar adequada à tua rotina:

  • pequeno-almoço, se faz parte dos teus hábitos;
  • almoço;
  • lanche, quando necessário;
  • água ao longo do dia;
  • refeição normal antes do jantar festivo.

A quantidade deve ser ajustada à fome e ao contexto. O objetivo não é comer mais durante o dia para “preparar” a ceia, nem reduzir drasticamente a alimentação para a compensar.

Na refeição

Algumas estratégias simples:

  • serve primeiro aquilo que realmente queres comer;
  • come devagar;
  • faz pausas;
  • presta atenção à saciedade;
  • evita comer automaticamente só porque determinado alimento está disponível.

Como planear os jantares de Natal sem entrar em restrição

O planeamento pode ajudar a reduzir decisões impulsivas durante dezembro. Antes de uma semana com vários eventos, podes identificar:

  • quantos jantares tens;
  • quais são refeições familiares;
  • quais acontecem em restaurantes;
  • onde existe uma sobremesa que queres experimentar;
  • quais os momentos em que queres simplesmente comer de forma habitual.

Planear não significa controlar cada refeição. Significa saber o que vai acontecer e decidir previamente onde queres fazer escolhas diferentes.

Olha para dezembro como um conjunto de refeições

O episódio utiliza um exemplo baseado no número total de refeições ao longo do mês. Se fizeres quatro refeições por dia durante dezembro, são mais de 120 refeições. O número varia de pessoa para pessoa, mas a lógica mantém-se: algumas refeições diferentes não anulam todas as outras.

Em vez de pensar: “Já que comecei, agora dezembro está perdido.”, pensa no que acontece na próxima refeição.

Escolhe onde queres desfrutar mais

Nem todos os jantares precisam de ter a mesma importância.

Podes encontrar:

  • uma refeição em que queres muito experimentar o prato principal;
  • outra em que a sobremesa é o que mais te interessa;
  • outra em que não existe nada de especial para ti.

As escolhas podem variar de acordo com o contexto. Não precisas de comer uma sobremesa só porque outras pessoas estão a comer. Também não precisas de a recusar se é algo de que realmente gostas.

O que fazer durante um jantar de Natal? 🎄

Durante a refeição, o objetivo é comer com atenção e escolher aquilo que realmente queres.

Algumas estratégias:

  • 🍽️ monta o prato com os alimentos que queres;
  • 🐢 come devagar;
  • 💧 alterna bebidas alcoólicas com água, se beberes;
  • 🍰 escolhe a sobremesa que realmente te apetece;
  • 👥 partilha uma entrada ou sobremesa se fizer sentido;
  • 🛑 para quando estiveres satisfeita.

Não precisas de aplicar todas estas estratégias ao mesmo tempo.

Come aquilo de que realmente gostas

Se vais a um restaurante e preferes sopa e um prato principal simples, essa pode ser a tua escolha. Se queres provar uma sobremesa, inclui-a. A alimentação fora de casa pode continuar a fazer parte de um processo de emagrecimento.

Come com calma

As refeições de Natal costumam prolongar-se durante bastante tempo. Comer mais devagar pode facilitar a perceção da saciedade. Não é necessário transformar a refeição numa contagem permanente de calorias. Basta prestar alguma atenção ao que estás a comer e ao modo como te estás a sentir.

Monta um prato em vez de petiscar continuamente

Quando há comida disponível durante várias horas, pode ser difícil perceber quanto já foi ingerido. Uma possibilidade é:

  1. escolher o que queres;
  2. montar o prato;
  3. fazer a refeição;
  4. esperar algum tempo;
  5. decidir se ainda queres comer mais.

Partilha quando quiseres provar várias coisas

Se existem várias sobremesas que te despertam interesse, partilhar pode permitir provar mais do que uma sem teres de comer uma porção completa de cada. É uma possibilidade, não uma regra.

Se beberes álcool, alterna com água

🍷 Uma estratégia simples é alternar bebidas alcoólicas com água. Isto pode ajudar a reduzir o ritmo de consumo e a manter a hidratação. A quantidade de álcool continua a ser relevante, sobretudo porque as bebidas também podem contribuir para a ingestão energética.

E se eu comer demasiado no Natal? O que faço no dia seguinte?

Se uma refeição foi mais abundante do que esperavas, a prioridade é retomar a rotina.

No dia seguinte

  • faz as refeições habituais;
  • come de acordo com a fome;
  • mantém a hidratação;
  • retoma a atividade física habitual;
  • evita compensações;
  • não adies o regresso à rotina.

Não passes fome para compensar

Saltar refeições pode aumentar a fome mais tarde e reforçar o ciclo de restrição e excesso. O dia seguinte não precisa de ser uma “correção” da ceia.

Não uses o treino como castigo 🏃‍♀️

mãe treina com filhos frente à árvore de Natal como não engordar no Natal acompanhamento online BMFIT

O exercício pode continuar a fazer parte da rotina durante o Natal, a diferença está na razão pela qual treinas. Treinar para cuidar da saúde e manter os teus hábitos é diferente de fazer exercício porque sentes que tens de “pagar” pela comida.

Retoma na refeição seguinte

A sequência pode ser simples:

Refeição mais abundante → refeição habitual.

Não é necessário esperar por segunda-feira ou pelo dia 1 de janeiro.

O Natal pode fazer parte de um estilo de vida saudável

mulher dança com ar bem disposto como não engordar no Natal acompanhamento online BMFIT (1)

Uma alimentação sustentável precisa de funcionar também quando existem eventos sociais.

Isso inclui:

  • jantares;
  • aniversários;
  • férias;
  • refeições fora;
  • festas familiares;
  • fins de semana diferentes da rotina.

A vida social não precisa de desaparecer durante um processo de emagrecimento.

A comida é apenas uma parte do convívio

Num jantar de Natal existem outras dimensões além da refeição:

  • família;
  • amigos;
  • conversa;
  • tempo em conjunto;
  • tradições;
  • momentos que não acontecem todos os dias.

A comida faz parte do momento, mas não precisa de ocupar toda a atenção.

Não tens de comer como as outras pessoas

Podes:

  • escolher o mesmo prato;
  • escolher uma alternativa;
  • comer sobremesa;
  • não comer sobremesa;
  • beber;
  • não beber.

As escolhas alimentares das outras pessoas não precisam de determinar as tuas.

Emagrecer não significa eliminar os alimentos de que gostas

Uma estratégia alimentar difícil de manter tende a tornar os eventos sociais mais complicados. O processo pode incluir alimentos de que gostas e refeições diferentes do habitual.

O problema começa quando uma refeição passa a ser uma desistência

Uma ceia mais abundante não apaga os hábitos construídos durante os meses anteriores.

Se já aprendeste a:

  • organizar refeições;
  • reconhecer a fome;
  • fazer escolhas conscientes;
  • lidar com restaurantes;
  • manter atividade física;
  • regressar à rotina depois de uma exceção;

continua a ser possível aplicar essas competências em dezembro.

O calendário muda. A tua experiência continua. Se tiveste vários jantares numa semana, ainda existem muitas outras refeições. Se comeste mais num dia, a refeição seguinte continua disponível. Se a balança subiu, observa a evolução depois de retomares a rotina antes de tirares conclusões.E se dezembro estiver mais desorganizado do que o habitual, esse contexto também pode servir para praticar uma competência importante: manter hábitos possíveis mesmo quando as condições não são perfeitas.

Estratégias rápidas para o Natal 🎅

Se quiseres guardar apenas algumas ideias deste artigo, fica com estas:

  • 🍽️ Mantém as refeições regulares antes da ceia.
  • 🎄 Planeia os jantares que já sabes que vão acontecer.
  • 🍰 Escolhe as sobremesas de que realmente gostas.
  • 🐢 Come com calma e presta atenção à saciedade.
  • 💧 Alterna álcool com água, se beberes.
  • ⚖️ Não interpretes uma pesagem isolada como prova de ganho de gordura.
  • 🏃‍♀️ Mantém o exercício como hábito, não como castigo.
  • 🔄 Volta à rotina na refeição seguinte.
  • 📅 Não esperes por janeiro para retomar os teus hábitos.
Perguntas Frequentes

Como não engordar no Natal?

Vou engordar se comer doces no Natal?

Comer doces aumenta a ingestão energética, mas uma sobremesa isolada não determina o resultado de todo o processo.
Depois de refeições mais abundantes, a balança também pode apresentar alterações temporárias relacionadas com água corporal e conteúdo digestivo.
O mais importante é evitar que uma sobremesa seja interpretada como motivo para abandonar a rotina.

Devo pesar-me depois do Natal?

Podes pesar-te, mas o valor deve ser interpretado com contexto.

Uma subida depois das festas pode estar relacionada com alterações temporárias na alimentação, hidratação e digestão.

Se a pesagem te provoca ansiedade ou desencadeia comportamentos de compensação, a frequência das pesagens deve ser ajustada ao teu contexto, idealmente com acompanhamento profissional.

Devo fazer dieta antes da ceia de Natal?

Não é necessário passar fome durante o dia para compensar o jantar.

Mantém refeições adequadas à tua rotina e chega à ceia sem fome acumulada.

O que devo comer no dia de Natal para não engordar?

Não existe um menu obrigatório.

Podes manter as refeições habituais e, na refeição festiva, escolher os alimentos de que realmente gostas.

Algumas estratégias úteis:

  • comer devagar;
  • respeitar a saciedade;
  • evitar petiscar automaticamente;
  • escolher as sobremesas que realmente queres;
  • manter hidratação adequada.

Como voltar à rotina depois dos excessos do Natal?

Retoma a alimentação habitual na refeição seguinte.

Não precisas de esperar por segunda-feira nem pelo dia 1 de janeiro.

Evita:

  • jejum como compensação;
  • restrição alimentar excessiva;
  • exercício usado como castigo;
  • adiar o regresso à rotina.

Posso beber álcool no Natal enquanto tento emagrecer?

Podes incluir álcool numa ocasião social, se essa for uma escolha tua.

Se beberes:

  • define antecipadamente quanto queres consumir;
  • alterna bebidas alcoólicas com água;
  • evita beber apenas porque os outros estão a beber;
  • considera que o álcool também contribui para a ingestão energética.

Qual é a melhor estratégia para não perder o controlo no Natal?

A estratégia passa por evitar o pensamento de tudo ou nada.

Antes das refeições:

  • mantém uma alimentação regular;
  • planeia os eventos;
  • decide o que realmente queres comer.

Durante:

  • come com calma;
  • escolhe os alimentos de que gostas;
  • presta atenção à saciedade.

Depois:

  • retoma a rotina;
  • evita compensações;
  • não esperes por janeiro.

Ep.35 – Como emagrecer sem ter tempo para fazer exercícios? Não precisas de 1 hora por dia

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Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
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Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
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Publicado Março 25, 2026
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Resumo do Episódio

Porque é que sinto sempre que não tenho tempo para treinar? 

Quando sentes que não tens tempo para treinar, muitas vezes o problema está na forma como o treino entra na tua semana. Se fica para o fim do dia, acaba por competir com tudo o resto: trabalho, filhos, jantar, banho, casa e aquele computador que ainda tens de abrir “só mais um bocadinho”.

Quando alguém liga a pedir ajuda, normalmente encontras maneira de encaixar esse pedido no dia. Com o treino pode acontecer o mesmo. Se fica reservado na agenda como um compromisso, deixa de depender do tempo que sobra.

Isto também acontece com a alimentação. Quando chegas a casa sem saber o que vais fazer para o jantar, é muito mais fácil escolher a solução mais rápida. Mas sim, é possível aprender como organizar a alimentação numa semana de loucos.

Qual é o erro que faz a maioria dos treinos falhar? 

Não planear a semana deixa o treino dependente do que acontecer nesse dia.

Imagina uma terça-feira normal. Chegas a casa, abres o frigorífico e ficas ali especada a pensar no jantar. O mais novo está a chorar porque caiu e bateu com a testa, ainda falta o banho e tens trabalho para acabar. O treino que tinhas pensado fazer fica para amanhã. O problema é que amanhã pode trazer outra coisa qualquer.

Por isso, em vez de decidires todos os dias se vais treinar, decide antes da semana começar. Escolhe os dias, define uma hora e trata o treino como tratarias qualquer outro compromisso que não queres falhar.

É a mesma lógica que aplicamos quando ajudamos as nossas alunas a organizar as refeições antes de uma semana de loucos: quanto menos decisões tiveres de tomar no momento, mais fácil é cumprir.

Como emagrecer sem ter tempo para fazer exercícios? Mulher treina em casa

Porque é que treinar de manhã pode ajudar quem sente que não tem tempo? 

Treinar de manhã pode ser uma boa solução quando o exercício falha quase sempre ao fim do dia.

Às 8 da noite podes estar cansada, os miúdos já gastaram grande parte da tua energia e ainda tens coisas do trabalho por acabar. Nessa altura, até um treino curto pode parecer uma tarefa enorme.

De manhã, o treino fica feito antes de o resto do dia começar. Não precisas de gostar particularmente de acordar cedo. Se reparares que os teus treinos desaparecem sempre ao final do dia, vale a pena experimentar outra hora.

E não precisas de reservar uma manhã inteira. Um treino de 20 minutos pode ser suficiente para manter a rotina de exercício quando tens uma agenda apertada.

Treinar em casa também pode facilitar esta rotina. Sem deslocação para o ginásio, consegues aproveitar melhor esses minutos e treinar em casa pode dar resultado.

Porque é que querer o treino perfeito te pode deixar a treinar zero minutos? 

Se só consideras que um treino vale a pena quando tens uma hora disponível, vais acabar por adiar muitos treinos.

Tens 20 minutos? Faz 20. Só tens tempo para metade? Faz metade. O dia está completamente caótico? Faz alguns minutos de movimento e retoma a rotina no dia seguinte.

Se não conseguires fazer… Experimenta… O objetivo é…
O treino completo de 1 hora Fazer uma parte do treino Manter a rotina
Metade do treino Fazer o aquecimento e alguns exercícios Continuar a aparecer
Nem o aquecimento Vestir a roupa e mexer-te durante 5 minutos Evitar que um dia difícil se transforme numa semana parada

Um treino mais curto continua a ser movimento e ajuda-te a manter o hábito. O que interessa é conseguires repetir a rotina ao longo das semanas.

É também uma forma de não deixares que o perfeccionismo te faça desistir. Já falámos sobre isso no episódio sobre a mania da perfeição e o emagrecimento.

como emagrecer sem ter tempo para o exercício? - Infográfico BMFIT

Como parar de depender da motivação para treinar? 

Haverá dias em que não te apetece treinar. Se o exercício depender sempre da tua disposição, esses dias acabam por decidir por ti.

Quando o treino tem um horário definido, já não precisas de fazer a pergunta “será que hoje me apetece?”. Sabes que é aquele o momento reservado para treinar.

Isso não significa obrigar-te a fazer sempre o treino completo. Significa teres uma rotina à qual consegues voltar mesmo depois de um dia mau.

É essa diferença entre esperar pela motivação e criar uma rotina que explorámos no episódio sobre motivação vs. disciplina.

Perguntas Frequentes

Como emagrecer sem ter tempo para fazer exercícios?

Não precisas de 1 hora por dia

Preciso mesmo de treinar todos os dias para ver resultados?

Não. Não precisas de treinar todos os dias. O mais importante é manter uma rotina de exercício que consigas cumprir durante várias semanas e meses.

Vinte minutos chegam mesmo para perder peso?

Vinte minutos podem fazer parte de uma estratégia de perda de peso, sobretudo quando consegues mantê-los regularmente. O exercício é apenas uma parte do processo: a alimentação, o gasto energético diário e a consistência também contam.

E se eu não for uma pessoa da manhã?

Não há problema. A melhor hora para treinar é aquela que consegues manter. Mas se os treinos falham quase sempre ao fim do dia, experimenta durante algumas semanas fazê-los de manhã. Pode ser a hora que melhor encaixa na tua rotina.

O que faço nos dias em que realmente não sobra tempo nenhum?

Faz o que conseguires. Uma caminhada de dez minutos, alguns exercícios em casa ou cinco minutos de movimento são opções melhores do que desistir completamente da rotina. No dia seguinte, voltas ao teu horário habitual.

Como posso encaixar o exercício numa semana muito ocupada?

Começa por escolher dois ou três horários realistas e coloca-os na agenda antes da semana começar. Se conseguires fazer mais, ótimo. Se a semana complicar, tens pelo menos os momentos que já estavam reservados.

Ep.32 – Como sobreviver ao Natal em família quando estás em processo de emagrecimento

Ana Alves
Ana Alves Psicóloga, Coordenadora e Fundadora BMFIT Cédula Profissional OPP 26414 Ver bio
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Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
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Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Março 18, 2026
Tempo de leitura — min

Resumo do Episódio

Sobreviver ao Natal em família não significa controlar tudo o que comes, recusar sobremesas ou justificar cada escolha alimentar. Significa conseguir aproveitar a época, colocar limites quando necessário e voltar à tua rotina sem culpa.

O Natal pode ser desafiante quando surgem comentários sobre o teu corpo, o teu peso ou aquilo que estás a comer:

  • “Então não estavas de dieta?”
  • “Vais comer isso tudo?”
  • “Estás mais cheinha, não estás?”

Quando já existe insegurança relativamente ao corpo ou à alimentação, uma frase de poucos segundos pode ficar na cabeça durante horas.

A solução não é evitar a família nem transformar cada refeição numa batalha. Para sobreviver ao Natal com mais tranquilidade, podes preparar respostas, estabelecer limites e lembrar-te de que uma refeição diferente não apaga os hábitos construídos ao longo do tempo. ❤️

5 ideias para sobreviver ao Natal sem culpa

  • 🗣️ Não tens de justificar tudo o que comes.
  • 🚧 Podes estabelecer limites sobre comentários ao teu corpo.
  • 🍰 Uma sobremesa não significa que “estragaste tudo”.
  • 🔄 Podes voltar à tua rotina na refeição seguinte.
  • ❤️ O Natal é sobre convívio, não apenas sobre comida.

Porque é que os comentários da família nos afectam?

Os comentários familiares podem atingir uma insegurança que já existe.

Se alguém diz “estás mais gorda?” quando já estás preocupada com o teu corpo, é natural que a frase tenha mais impacto. Isto não significa que o comentário seja aceitável — significa apenas que pode ter encontrado uma vulnerabilidade que já existia.

Também é possível que alguns comentários revelem mais sobre a relação da outra pessoa com o corpo e a alimentação do que sobre ti.

Não precisas de transformar a opinião de alguém numa verdade sobre o teu corpo.

Como responder a comentários incómodos?

Situação Resposta possível Estratégia
“Come mais um bocadinho.” “Obrigada, mas já estou satisfeita.” Agradece e muda de assunto.
“Então não estavas de dieta?” “Prefiro não falar disso.” Não justifiques a tua alimentação.
“Estás mais cheinha.” “Prefiro não falar sobre o meu corpo.” Estabelece um limite.
“Vais comer isso tudo?” “Vou comer aquilo que me apetecer.” Responde sem entrar em discussão.

Quanto mais explicares uma decisão, mais espaço podes estar a dar para que a outra pessoa discuta contigo. Uma resposta curta pode ser suficiente.

Porque é que insistem tanto para comermos?🍽️

Em muitas famílias portuguesas, comida é sinónimo de carinho, hospitalidade e celebração.

A pessoa que diz “come mais um bocadinho, fiz isto para ti” pode estar a demonstrar afecto. Mas isso não significa que tenhas de comer quando já estás satisfeita.

A intenção pode ser boa e, ainda assim, o impacto pode ser desconfortável.

Podes agradecer, recusar e seguir a conversa.

Como recusar comida sem dizer que estás de dieta?

Não precisas de dizer que estás de dieta para recusar uma sobremesa.

Podes simplesmente dizer:

“Não, obrigada. Já estou satisfeita.”

Ou:

“Agora não, obrigada.”

Se quiseres comer, também podes comer. Se não quiseres, não tens de apresentar uma justificação nutricional.

Evitar transformar cada escolha alimentar numa conversa sobre peso pode ajudar-te a sobreviver ao Natal com menos pressão.

Uma refeição de Natal pode estragar o teu progresso?🎄

Uma refeição diferente não significa que perdeste todo o progresso.

O problema surge quando uma refeição passa rapidamente de:

“Comi uma rabanada.”

para:

“Já estraguei tudo.”

e depois:

“Agora só volto a cuidar de mim em Janeiro.”

Este pensamento de tudo ou nada pode transformar uma refeição especial em vários dias fora da rotina.

Em vez disso, aproveita o jantar e volta à tua alimentação habitual na refeição seguinte.

  • Não precisas de compensar.
  • Não precisas de restringir.
  • Não precisas de esperar por Janeiro. 🔄

Como sobreviver ao Natal quando tens vários jantares?

Dezembro pode ter jantares da empresa, encontros com amigos e refeições familiares.

Isso não significa que o mês inteiro tenha de ser uma excepção.

Se tens um jantar especial na sexta-feira, aproveita-o. No sábado, volta à tua rotina habitual. Se houver outro jantar na terça, desfruta novamente e continua normalmente depois.

O objectivo é evitar a ideia de:

“É Dezembro, por isso agora já não interessa.”

A flexibilidade é importante porque uma alimentação sustentável precisa de conseguir incluir aniversários, férias, jantares, festas e Natal. 🎅

Como comer sobremesas sem transformar o Natal numa batalha?🍰

Não precisas de excluir todos os alimentos de que gostas.

Se existem várias sobremesas, podes:

  • escolher as que realmente te apetecem;
  • servir pequenas quantidades para provar várias;
  • escolher apenas a tua preferida;
  • repetir se ainda quiseres comer mais.

O mais importante é conseguires fazer escolhas sem transformar cada alimento numa avaliação do teu sucesso ou fracasso.

Servir o próprio prato pode ajudar?

Sim. Servires o teu próprio prato permite-te escolher as quantidades que realmente queres comer.

Em vez de alguém decidir por ti, podes olhar para a refeição como um todo e incluir aquilo que te apetece.

Não precisas de escolher entre “comer tudo” e “não comer nada”.

Como evitar o petiscar constante?

No Natal, a comida pode ficar disponível durante horas. Se as sobremesas e travessas permanecem constantemente à tua frente, é mais fácil comer automaticamente enquanto conversas ou vês televisão.

Uma estratégia simples é retirar a comida da zona de convívio depois da refeição. Guardar as sobremesas na cozinha cria uma pequena pausa entre o impulso e a decisão de comer. Não é uma punição nem uma proibição. É apenas uma forma de diminuir o petiscar automático.

Também podes prestar mais atenção à conversa, aos jogos e às pessoas que estão contigo.

Como fazer com que o Natal não gire apenas à volta da comida?

A comida faz parte do Natal, mas não precisa de ser o único foco.

Depois do jantar, podem:

  • 🎲 jogar um jogo;
  • 🚶 fazer uma caminhada;
  • ☕ ficar a conversar;
  • 🎬 ver um filme;
  • 🎵 ouvir música.

Criar momentos longe da mesa ajuda a que o convívio não fique limitado à comida.

E não precisas de organizar um programa elaborado. Às vezes, basta perguntar:

“Vamos dar uma volta?”

ou

“Vamos jogar qualquer coisa?”

Como lidar com a culpa depois de comer mais?

Se comeste mais do que planeavas, tenta não transformar uma refeição num julgamento sobre todo o teu processo.

Em vez de pensar:

“Perdi o controlo.”

podes simplesmente reconhecer:

“Hoje comi mais do que queria. Na próxima refeição, continuo normalmente.”

Uma refeição não precisa de determinar as escolhas dos dias seguintes.

Evita entrar no ciclo de restrição → culpa → compensação → nova perda de controlo.

Voltar à rotina é suficiente.

como sobreviver ao Natal em família acompanhamento online fitness BMFIT

Afinal, como sobreviver ao Natal?🎄

Sobreviver ao Natal não significa controlar tudo o que comes.

Significa conseguir desfrutar das refeições, dizer “não” quando não queres comer, colocar limites aos comentários sobre o teu corpo e continuar a tua rotina sem culpa.

  • Podes comer uma rabanada.
  • Podes repetir a sobremesa.
  • Podes recusar comida.
  • Podes ter vários jantares de Natal.

Nenhuma destas escolhas precisa de transformar Dezembro num mês de “tudo ou nada”.

O Natal é uma parte da tua vida. Não precisa de ser uma interrupção daquilo que estás a construir. Feliz Natal!❤️

Perguntas Frequentes

Como sobreviver ao Natal?

O que responder quando comentam o meu peso?

Podes dizer: “Prefiro não falar sobre o meu corpo.” Não precisas de justificar o teu peso, a tua alimentação ou o teu progresso.

Como dizer não à comida sem parecer mal-educada?

Agradece e diz que estás satisfeita: “Obrigada, mas já estou satisfeita.” Se insistirem, podes repetir a resposta e mudar de assunto.

Uma refeição de Natal pode estragar a perda de peso?

Uma refeição diferente não significa automaticamente que perdeste todo o progresso. O mais importante é evitar o pensamento de “já estraguei tudo” e retomar a tua rotina habitual.

Devo fazer dieta antes ou depois do Natal?

Não precisas de compensar as refeições de Natal com restrição. Mantém uma rotina equilibrada nos restantes dias e encara as refeições especiais como parte da vida.

Tenho vários jantares de Natal. Como mantenho a rotina?

Trata cada jantar como um evento específico. Aproveita a refeição e continua normalmente nos restantes dias, sem transformar Dezembro inteiro numa excepção.

Preciso de recusar sobremesas para manter os meus hábitos?

Não. Podes provar uma sobremesa, escolher uma pequena porção, comer aquilo de que realmente gostas ou não comer se não te apetecer.

Ep.28 – Hábitos saudáveis de vida: o que muda quando paras de tentar ser perfeita

Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Publicado Março 11, 2026
Tempo de leitura — min

Resumo do Episódio

A maior parte das mulheres que nos procuram já tentaram de tudo. Já cortaram hidratos, já treinaram todos os dias durante uma semana e meia, já seguiram planos alimentares rígidos até ao grama. E o que aconteceu sempre foi o mesmo: duas ou três semanas depois, já não conseguiam continuar. Não porque lhes faltasse força de vontade. Porque a rotina que criaram nunca ia sobreviver ao contacto com a vida real delas.

Este artigo explica porque é que isto acontece e o que fazer de diferente, sem regras impossíveis de manter e sem promessas vazias.

agenda com lista de hábitos de vida saudáveis

Porque é que as regras rígidas nunca duram?

As regras rígidas nascem da ideia de que, se não for perfeito, não vale a pena fazer.

É este pensamento que leva uma mulher a decidir, de um dia para o outro, treinar todos os dias, cortar os hidratos, deixar de tomar o pequeno-almoço e inscrever-se no ginásio com a intenção de ir sempre. O problema não é a vontade de mudar. É a exigência que se cria a seguir a essa decisão, para uma pessoa que tem hábitos enraizados há anos e uma rotina que nunca foi pensada para aguentar uma mudança tão brusca.

Há também outro fator, que passa mais despercebido: quando alguém pede um objetivo grande logo no início, cinco treinos por semana, por exemplo, e só consegue cumprir três, sente que falhou. Mesmo que essas três sessões sejam, na prática, um resultado excelente para quem não treinava há cinco anos. A cabeça da pessoa não vê isso assim. Vê uma meta não cumprida, e isso gera frustração a cada semana que passa, até que desiste de vez.

Consistência ou perfeição: o que traz mais resultados?

A consistência bate sempre a perfeição, mesmo quando os números parecem menores.

Na experiência da equipa BMFIT, é sempre o mesmo padrão: uma aluna que treina três vezes por semana, sem falhar, durante dez anos, tem resultados muito melhores do que outra que treina cinco vezes por semana durante um mês, para depois passar um mês sem treinar, voltar com força durante mais um mês, e assim sucessivamente. No papel, a segunda parece mais dedicada. Na prática, é a primeira que ganha, porque o corpo responde à repetição ao longo do tempo, não a picos de esforço intercalados com paragens longas. 

O mesmo acontece com a alimentação. Uma semana perfeita seguida de duas ou três semanas de desistência total, repetida ao longo de anos, traz muito menos resultado do que cinco dias por semana com uma alimentação equilibrada, mantidos de forma consistente durante anos.

Quando se muda este pensamento, os resultados aparecem com muito menos esforço mental, porque deixa de haver aquele prazo apertado a pressionar cada refeição e cada treino, e passa a haver só um hábito que já faz parte de quem és.

Porque é que copiar a rotina de outra pessoa nunca funciona?

As rotinas que vês nas redes sociais raramente foram pensadas para a tua vida, e copiá-las costuma sabotar-te mais do que ajudar.

Há um tipo de conteúdo muito comum no fitness: vídeos onde parece que passou meia hora e a pessoa já acordou às quatro da manhã, já treinou, já comeu, já meditou e já fez journaling. Há até vídeos a gozar com isto: “quatro da manhã, acorda; quatro e um, já está a treinar; quatro e dois, já está a comer”. É engraçado porque todos reconhecemos aquela sensação de comparação instantânea: “eu ainda estou a abrir os olhos e ela já fez tudo isto”.

O problema é que, quando vemos estes corpos e estas rotinas com regularidade, é quase impossível não nos compararmos. E a comparação leva a querer replicar exatamente o que se vê, sem perceber que aquela rotina foi construída para outra vida, com outras responsabilidades e, muitas vezes, outra prioridade de tempo.

Mesmo quem trabalha nesta área já caiu neste erro. Há quem tenha copiado o treino de pessoas com o físico que ambicionava, sem perceber que o treino tinha de ser adaptado à sua própria realidade. O resultado foi sempre o mesmo: não funcionava, e a frustração aumentava. A rotina que funciona é a que se constrói a pensar em ti, não a que se copia de outra pessoa.

Filtra aquilo que segues online. Pergunta-te: isto ajuda-me a manter o rumo ou está só a criar expectativas que não tenho como cumprir?

agenda para planificar hábitos de vida saudável

É melhor treinar com mais frequência ou com mais intensidade?

No início de uma mudança, treinar com mais frequência e menos intensidade cria o hábito mais depressa do que sessões esporádicas e exigentes.

Uma sessão de treino de duas horas, seguida de cinco dias sem tocar em nada, é muito mais difícil de transformar em hábito do que sessões mais curtas e mais frequentes. Quanto mais vezes repetes uma ação, mais depressa o cérebro a incorpora como parte da rotina. E maior é a probabilidade de encontrares uma forma de treinar de que realmente gostas, porque tiveste mais oportunidades para experimentar.

Treinar com mais frequência não significa que a intensidade não importe. Significa que, a construir um hábito do zero, a repetição pesa mais do que o esforço de cada sessão isolada.

Quais são os pilares de uma rotina que aguenta a vida real?

Vê-se isto em três frentes: como planeias a semana, o que garantes nos piores dias e o ambiente que tens à tua volta.

Planeamento

Planear a semana com antecedência é o que evita chegar a terça-feira sem saber o que vais comer ou quando vais treinar.

Ao domingo, vale a pena tirar um tempo (não precisa de ser uma hora, pode ser vinte minutos) para olhar para a agenda da semana inteira. Marcar quando vais treinar, planear algumas refeições, fazer a lista de compras, escrever o que precisa de ser feito. Ferramentas simples como o Google Calendar, o Google Tasks ou o Google Keep ajudam a manter tudo num só sítio, com lembretes e listas partilhadas, para não teres de andar com isto tudo na cabeça.

Muita gente acha que planear é perder tempo, mas acontece o oposto: quando a semana já está organizada, não se perde tempo a decidir tudo em cima da hora, nem se anda perdida quando surge um imprevisto.

Não negociáveis: o teu chão e o teu teto

Os não negociáveis são o mínimo que cumpres mesmo numa semana má, e servem para garantir que nunca ficas a zero.

Esse mínimo e esse máximo criam aquilo que se pode chamar um “chão” e um “teto”. O chão é o mínimo que nunca falha. O teto é a semana perfeita, quando tudo corre bem. Entre os dois, há um intervalo de sucesso, e não apenas um único objetivo no topo que é impossível de atingir sempre.

Treino / Alimentação Chão (mínimo não negociável) Teto (semana perfeita)
💪Treino 2 treinos em casa 3 treinos no ginásio
🍽 Alimentação Plano B: refeições simples e realistas Todas as refeições planeadas e cumpridas

Começar a semana a garantir o chão dá logo uma sensação de vitória cumprida. A partir daí, tudo o que consegues fazer a mais é lucro.

Ambiente

O ambiente que te rodeia tem mais peso na tua rotina do que a força de vontade que consegues reunir num dia difícil.

Se o teu ambiente está constantemente a testar-te, a despensa cheia dos alimentos que estás a tentar reduzir, por exemplo, é muito mais difícil manter uma mudança do que se o ambiente estiver a favor dela. Um exercício simples é organizar os alimentos que tens em casa em três grupos: os que deves ter em maior quantidade, em quantidade média e em menor quantidade. Depois, olhar para essa organização e perceber se o que tens disponível está mesmo a ajudar-te a atingir o que queres, ou se está a dificultar.

Não se trata de proibir nada. Trata-se de tornar o caminho mais fácil naquilo que já decidiste que queres para ti.

Como lidar com os dias em que nada corre como planeado?

Nos dias em que nada corre como planeado, o objetivo é fazer o mínimo possível, nunca zero.

A armadilha está em pensar “hoje já não vai ser como eu queria, então não vale a pena fazer nada”. É esse pensamento que transforma um dia complicado numa semana perdida. Fazer uma parte, por menor que seja, mantém o hábito vivo e evita o ciclo de recomeçar sempre do zero.

Perguntas Frequentes

Hábitos saudáveis de vida

Quanto tempo demora a criar um hábito saudável?

Não há um número fixo de dias que sirva para toda a gente. O que sabemos é que a repetição regular, mesmo em pequena escala, cria o hábito mais depressa do que sessões esporádicas e intensas.

O que são "não negociáveis" na alimentação e no treino?

São o mínimo que garantes cumprir mesmo numa semana má, por exemplo, dois treinos em casa em vez dos quatro que farias numa semana boa. Servem para nunca ficares a zero, mesmo quando a vida não corre como planeado.

É normal falhar dias na rotina e ainda assim ter resultados?

Sim. Os resultados vêm da consistência ao longo de meses e anos, não de semanas perfeitas isoladas. Alguém que treina três vezes por semana sem falhar, ao longo de dez anos, tem resultados muito melhores do que alguém que treina cinco vezes por semana em fases e depois passa meses sem treinar.

É melhor treinar todos os dias ou poucas vezes com regularidade?

Depende da tua rotina, mas, no início, é normalmente mais eficaz treinar com mais frequência e menos intensidade do que arriscar tudo em sessões muito exigentes e espaçadas. Isso ajuda a criar o hábito mais depressa e reduz o risco de desistência.

Como sei qual é o meu mínimo não negociável?

Pergunta-te, de forma realista, o que consegues garantir mesmo numa semana difícil, não o que gostavas de conseguir, mas o que sabes que consegues cumprir sempre. Esse é o teu chão. A partir daí, tudo o resto é o teto a que vais tentando chegar.

Ep.27 – O que comer no restaurante para não engordar (sem ires com fome nem com medo)

Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Publicado Março 9, 2026
Tempo de leitura — min

Resumo do Episódio

Como comer no restaurante e não engordar?

Uma refeição fora de casa não tem poder para deitar por terra semanas de trabalho. Ainda assim, é assim que a maioria das mulheres a trata: como um teste em que se pode reprovar. Vais a um jantar já decidida a pedir só salada, já a jurar que não bebes vinho, com a cabeça no “não posso, não posso, não posso”. Chegas lá, alguém pergunta “só vais comer isso?”, sentes-te mal, cedes um bocadinho e a partir daí é tudo ou nada. Comeste a sobremesa? Então mais vale comer o resto também, porque “já estragaste”.

É a mentalidade de tudo ou nada que transforma um jantar normal num momento de tensão, muito mais do que a comida em si. Uma salada isolada não te faz emagrecer. Um jantar fora isolado não te faz engordar. O que decide é o que fazes na maior parte dos dias, não o que pediste numa sexta-feira à noite. É o mesmo ciclo que descrevemos em Amanhã faço dieta, hoje já estraguei tudo: raramente é a comida que desfaz um processo. É o pensamento que vem a seguir.

Comer fora por rotina ou por ocasião especial pede a mesma estratégia?

Não pede a mesma estratégia. Comer fora por rotina, o almoço de trabalho, o dia em que não levaste comida de casa, pede escolhas mais cuidadas, porque acontece muitas vezes por semana. Comer fora numa ocasião especial pede o oposto: aproveitar sem entrar em modo de restrição.

Quando é rotina (trabalho, dia a dia)

Se comes fora várias vezes por semana porque é assim que a tua vida está organizada, isto já não é uma exceção. Vale a pena escolher com mais cuidado: grelhados ou cozidos, garantir que há vegetais no prato (mesmo que seja preciso pedir uma sopa ou uma salada à parte), água em vez do copo de vinho automático, e evitar molhos e frituras sempre que possível.

Foi isto que fizemos com a Patrícia, uma das alunas que acompanhámos, que trabalhava com eventos e tinha jantares constantes por causa da profissão. Não lhe dissemos para evitar essas situações, isso era impossível, fazia parte do trabalho dela. Ensinámos-lhe a escolher as melhores opções dentro do que estava disponível em cada jantar, com o mesmo tipo de planeamento que usamos com quem tem a semana cheia de trabalho e sem tempo para parar.

mulher no restaurante a ler ebook que explica o que comer no restaurante para não engordar

Quando é esporádico (celebrações, convívio)

Se é um jantar de aniversário, um almoço de família ao domingo, uma saída pontual com amigas, a orientação muda por completo: aproveita. Desfruta da comida e da companhia sem entrar em modo de restrição. Não é uma refeição fora da rotina que vai desfazer o teu processo, e insistir em pedir só a saladinha, em não comer o bolo, em estar ali tensa a controlar tudo, normalmente traz mais frustração do que resultado. É o que vemos repetidamente com as alunas do programa: quem se permite aproveitar estes momentos sem culpa mantém a consistência muito melhor do que quem tenta controlar tudo. Já falámos sobre este equilíbrio em Vida social vs. vida fit: convívio e emagrecimento não competem entre si.

Mas afinal, o que comer no restaurante para não engordar?

A regra mais simples é esta: quanto mais parecido com comida caseira, feita na hora, melhor a escolha.

Categoria Prefere Evita
🍴 Tipo de restaurante Restaurantes tradicionais, grelhados, cozinha mediterrânica Cadeias de fast food
🥩 Confeção Carne ou peixe grelhado, cozido ou assado Fritos e panados
🥦 Acompanhamento Legumes, sopa, salada como acompanhamento Molhos pesados e cremosos
🍓 Sobremesa Fruta na sobremesa Refeições muito processadas

Muitas mulheres acham que quando vão a um restaurante têm de escolher exatamente o que está no menu, sem margem nenhuma. Não é verdade. Se pedires um bife e ele vier frito, podes perguntar se conseguem fazer grelhado, em qualquer restaurante tradicional, eles fazem. Não há problema nenhum nisso, e não há razão para teres vergonha de pedir. É estares a cuidar da tua saúde, nada mais do que isso.

O mesmo vale para a sobremesa. Muitos restaurantes de rotina têm sempre fruta na carta. E se não te apetecer comer ali, também podes pedir para levar e comer mais tarde, no lanche. Se quiseres uma lista mais completa de opções por tipo de restaurante e situação, temos um guia dedicado a isto: Como jantar fora e continuar a emagrecer.

Que estratégias usar à mesa para não comer a mais?

  • Antes de saíres de casa, garante que bebeste água suficiente ao longo do dia. A desidratação pode dar uma sensação parecida com a fome, e se já vais para o restaurante com vontade de aproveitar tudo, misturar sede com fome só torna mais difícil parar a tempo.
  • À mesa, uma tática simples funciona bem: olha para o prato assim que chega e decide logo até onde vais comer, em vez de ires comendo sem pensar até dares por ti a acabar tudo. Visualmente já se percebe quando um prato tem mais do que precisas, não precisas de o terminar só porque está ali.
  • Come devagar. Faz pausas entre garfadas, conversa, larga os talheres de vez em quando. Quem come muito depressa, muitas vezes porque poupou calorias antes e não lanchou, acaba a comer mais do que precisava, porque o corpo ainda não teve tempo de perceber que já está satisfeito. A comida não vai a lado nenhum. Não precisas de correr.
  • E se sobrar comida boa, podes pedir para levar. Não é preciso decidir entre desperdiçar ou comer a mais.

E se “já estraguei tudo”? Como sair da mentalidade de tudo ou nada

Uma refeição fora não apaga o que fizeste na semana, no mês ou nos últimos meses. O que costuma pesar mais é a ansiedade à volta do prato: o stress de pensar nisso antes, durante e depois muitas vezes faz mais mal do que a própria refeição.

Comeste uma sobremesa? Tudo bem. Soube-te bem, aproveitaste, era mesmo o que te apetecia, agora voltas à tua rotina normal, sem precisar de castigo nem de compensar a dobrar no dia seguinte. É esse vaivém entre dias de restrição extrema e dias sem controlo nenhum que dificulta os resultados, muito mais do que comer um doce a meio da semana. É o mesmo padrão que explicamos em Dieta ioió: o problema nunca é a refeição isolada, é a montanha-russa que vem depois dela.

Uma refeição não estraga um processo inteiro. O que decide tudo é o que decides fazer no dia a seguir.

Perguntas Frequentes

O que comer no restaurante para não engordar?

O que comes no restaurante não estraga o teu emagrecimento por si só.

Posso beber vinho quando saio para jantar?

Podes. O importante é não decidires à partida que “hoje não posso beber nada”, porque isso é que costuma disparar a mentalidade de restrição. Modera, escolhe se realmente te apetece, e segue em frente sem drama.

E se não houver nenhuma opção saudável no menu?

Quase sempre há. Mesmo num restaurante tradicional português, consegues pedir um grelhado, uma sopa, uma salada como acompanhamento. Se realmente não houver mesmo nada, é um imprevisto pontual, não é motivo para desistir do resto do dia.

Com que frequência posso comer fora sem prejudicar o emagrecimento?

Depende se é rotina ou exceção. Se comes fora todos os dias por causa do trabalho, vale a pena escolher com mais cuidado, porque isso já faz parte do teu padrão habitual. Se é uma vez pontual, um jantar de aniversário, um convívio, aproveita sem peso na consciência. É o conjunto da semana que conta, não uma refeição isolada.

Faz mal comer rápido quando saio para jantar?

Comer muito depressa faz sentir menos a saciedade e leva a comer mais do que precisavas. Não é proibido, mas se costumas sair de um jantar a sentir que exageraste outra vez, experimenta abrandar o ritmo. Muitas vezes o problema não é o que pediste, é a velocidade a que comeste.

Ep.15 – Dormir emagrece ou engorda? O impacto do sono na tua gordura abdominal

Filipe Simões
Filipe Simões CEO e fundador do BMFIT, Personal Trainer Ver bio
Beatriz Jorge
Beatriz Jorge Nutricionista e Fundadora BMFIT Cédula Profissional 5266N Ver bio
Publicado Fevereiro 16, 2026
Tempo de leitura — min

Resumo do Episódio

Porque é que dormir mal te faz ganhar peso?

Dormir mal mexe com as tuas hormonas do apetite, sobe o teu nível de stress e baixa as calorias que o teu corpo gasta só por estares viva.

Indicadores Sono suficiente e de qualidade Sono insuficiente ou de má qualidade
Grelina (fome) Regulada Aumenta: sentes mais fome
Leptina (saciedade) Regulada Diminui: sentes menos saciedade
Cortisol (stress) Desce durante a noite, normaliza Não recupera: mantém-se elevado
Gordura abdominal Sem sinal de “alerta” para acumular O corpo acumula mais gordura abdominal, como proteção
Metabolismo basal Mantém-se Reduz o metabolismo basal, oq ue significa menos calorias gastas em repouso
Recuperação muscular Normal Diminuída

Porque sentes mais fome quando dormes mal?

Dormir pouco sobe a grelina, a hormona que te diz que tens fome, e baixa a leptina, a que te diz que já estás saciada. 

Quando dormes menos do que precisas, o teu cérebro recebe menos sinal de “já chega” e mais sinal de “come”. Ao mesmo tempo, ativa-se um sistema de recompensa que te empurra especificamente para o que tem mais açúcar, mais gordura e mais sal. Parece gula, mas é o teu corpo, cansado, a tentar compensar de alguma forma a energia que não teve durante a noite.

Esta troca entre grelina e leptina explica uma coisa que vemos muito no acompanhamento online: mulheres que chegam a dizer “o problema sou eu, são os doces, não me consigo controlar”. A primeira coisa que vamos ver pode não ser a comida, mas o sono. Melhora-se o sono, e a vontade de doces começa a mudar sozinha.

Porque é que o cortisol te faz acumular gordura na barriga?

O cortisol elevado por noites mal dormidas faz o teu corpo guardar gordura à volta dos órgãos, como forma de se proteger.

O cortisol é a hormona do stress. Ao longo do dia vai subindo. Trabalho, trânsito, filhos, mil coisas, e é durante o sono que desce de volta aos níveis normais. Se dormes pouco, essa descida não acontece como devia, e acordas já com o nível mais alto do que devia estar.

Há aqui outro efeito: o cortisol alto deixa-te mais irritável, muda-te o humor, e isso costuma trazer mais episódios de fome emocional. Estás stressada, ansiosa, e a comida vira o sítio onde vais buscar conforto. Depois é mais uma bola de neve: o cortisol alto leva a comer mais, comer mais nem sempre ajuda a dormir melhor, e o ciclo repete-se.

Chegas a casa já esgotada do trabalho, ainda tens o jantar, o banho dos miúdos, tudo. E a pergunta que costumo fazer é esta: quando chegas a casa, dás o teu máximo aos teus filhos, ou dás o que sobra de ti? Para e pensa nisto, porque se não cuidas de ti agora, isto acumula-se. E quanto mais tempo deixares andar, mais difícil vai ser mudar.

Cuidar melhor da alimentação, do sono, treinar com regularidade, nada disto é simples… Mas fazer esta mudança hoje vai ser sempre mais fácil do que fazê-la daqui a 5 anos, com mais 5 anos destes hábitos em cima.

Dormir pouco baixa o metabolismo?

Dormir menos baixa as calorias que o teu corpo gasta só por existires, e é por isso que um défice calórico que devia estar certo deixa de bater certo.

O teu metabolismo basal é tudo o que gastas parada: a respirar, a fazer o coração bater, a manter o corpo a funcionar. O Filipe Simões costuma dar este exemplo às alunas, só para ilustrar a escala: uma mulher que dorme bem e gasta por volta de 2000 kcal em repouso pode passar a gastar 1400 ou 1500 só por passar a dormir 5 horas em vez de 8 ou 9. Os números variam de pessoa para pessoa, mas a direção é sempre a mesma: menos sono, menos gasto. Porquê? Porque o corpo, com o cortisol elevado, entra em modo de sobrevivência e trava o gasto como forma de se proteger.

Se essa mulher continua a comer exatamente o mesmo, com o mesmo treino, a mesma rotina, mas o corpo passou a gastar menos, ela deixa de estar em défice. Fica em excedente. E a única coisa que mudou foi o sono.

É por isso que uma mulher em défice calórico correto às vezes não perde peso: o corpo dela pode estar a queimar muito menos calorias do que ela pensa, só por dormir mal.

A duração do sono importa mais do que a qualidade?

Mesmo sem conseguires dormir 8 horas seguidas, melhorar a qualidade do sono que já tens muda o teu apetite e a tua recuperação.

Sei que muitas de vocês, a ler isto, estão a pensar: sim, tudo bem, mas eu não consigo dormir mais do que 6 horas, tenho que acordar cedo, tenho os miúdos, tenho o trabalho. E percebo perfeitamente. Às vezes não é possível aumentar a quantidade. Mas dá quase sempre para melhorar a qualidade, e isso, sozinho, já muda muita coisa.

Existe um número de horas ideal, claro que sim. Mas contam muito mais as horas que dormes bem do que um número qualquer que não estás a conseguir cumprir de qualquer forma. Não precisas de perseguir a perfeição do sono. Precisas de deixar de o negligenciar por completo.

Dormir com qualidade é essencial para a recuperação, o equilíbrio hormonal e o controlo do peso.

O sono afeta a recuperação muscular e os resultados do treino?

É a dormir que o músculo recupera. Sem sono suficiente não vês resultados apesar de treinares.

O músculo não cresce durante o treino. No treino, tu danificas as fibras musculares. É durante o sono que essas fibras se reparam e crescem, é aí que entra a síntese proteica, o processo que usa a proteína que comeste para reconstruir o que foi desgastado. E isto acontece em maior quantidade precisamente durante a noite.

Se treinas, treinas, treinas, mas não dormes o suficiente para recuperar, estás só a acumular dano sem dar tempo ao corpo para reparar. O resultado é o clássico: treinas cada vez mais, sentes-te cada vez mais cansada, e os resultados não aparecem. O esforço está lá. O que falta é recuperação, e é a dormir que ela acontece. Sem ele, o risco de lesão também sobe.

Dormir engorda ou emagrece? Infográfico sobre sono, hormonas, metabolismo e emagrecimento.

Como melhorar a qualidade do sono sem dormir mais horas?

  • Cria um ambiente escuro e fresco. Persianas e portas bem fechadas, sem luz nenhuma a entrar. Se não conseguires escurecer completamente o quarto, uma máscara de dormir ajuda bastante. E o frio também conta: dormes melhor num quarto mais fresco do que num quarto quente.
  • Corta a cafeína a partir das 15h. Mesmo que sintas que “o café não te tira o sono”, ele continua a afetar a qualidade dessas horas, mesmo que adormeças sem dificuldade aparente.
  • Evita o álcool à noite. O álcool afeta particularmente o sono REM, a fase mais profunda, ligada à consolidação de memória e ao bem-estar. Aquela ressaca emocional do dia a seguir a uma noite de copos não é só o álcool em si. É também o sono REM que não aconteceu como devia.
  • Mantém sempre o mesmo horário, também ao fim de semana. Deitar e acordar à mesma hora todos os dias regula o teu ritmo circadiano. Desregular ao fim de semana, deitar mais tarde à sexta, ao sábado, ao domingo, é o motivo pelo qual a segunda-feira custa tanto mais do que devia.
  • Deixa o telemóvel fora do quarto pelo menos meia hora a uma hora antes de deitar. O scrolling mantém o cérebro em atividade, a receber informação, cores, estímulo, e depois esperas que ele desligue de repente. Não desliga assim. Troca por um livro em papel, se conseguires: numa folha, vais ao teu ritmo; no telemóvel, é ele que te comanda.
  • Reduz a luz forte à noite. Luzes mais amarelas e mais quentes ajudam o cérebro a perceber que está na hora de ir desacelerando.
  • Experimenta técnicas de relaxamento antes de deitar. Uma respiração mais consciente, alguns minutos de meditação, qualquer coisa que ajude o cortisol a começar a descer antes de entrares na cama.

Nenhuma destas mudanças pede mais horas de sono, mas fazem a diferença.

Perguntas Frequentes

Dormir Emagrece ou Engorda?

Dormir emagrece ou engorda?

Por si só, dormir bem não emagrece automaticamente, mas dormir mal engorda, porque desregula as hormonas da fome, sobe o cortisol e baixa o metabolismo basal. Cuidar do sono é uma condição para o resto do teu esforço fazer efeito, não uma solução isolada.

Quantas horas preciso de dormir para emagrecer?

O ideal costuma situar-se entre as 7 e 9 horas, mas o que mais importa no dia a dia é a qualidade dessas horas. Se não consegues chegar a esse número, melhorar o ambiente de sono e os hábitos antes de deitar já traz resultado.

Uma noite mal dormida já afeta o peso?

Uma única noite não vai mudar o teu peso, mas já mexe com o apetite e com a vontade de comer alimentos mais calóricos no dia seguinte. É a acumulação de várias noites assim, semana após semana, que tem impacto real no metabolismo e na gordura acumulada. Se sentes que estás sempre cansada, o sono é o primeiro sítio a olhar.

O que fazer se não consigo dormir mais horas por causa dos filhos ou do trabalho?

Foca-te no que consegues controlar mesmo sem aumentar a quantidade: ambiente escuro e fresco, sem telemóvel antes de deitar, horário fixo sempre que possível, menos cafeína a partir da tarde. Não precisas de dormir 8 horas para começar a sentir diferença. Precisas de dormir melhor as horas que tens.